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Brasil Amplia Fronteira Marítima do Pré-Sal Sem Aguardar Pela ONU

Mídia : Folha de São Paulo

Data : 06/09/2010

Brasil amplia a fronteira marítima da área do pré-sal

Mudança incorpora área de 960 mil km2 à zona de soberania nacional no mar, hoje de 3,5 milhões de km2

Medida, que não conta com aval da ONU, amplia direitos do Brasil para exploração de petróleo e gás

José Ernesto Credencio e Cláudio Ângelo

O Brasil decidiu não esperar o aval da ONU (Organização das Nações Unidas) para expandir, além das 200 milhas náuticas, as fronteiras de sua soberania sobre recursos minerais como petróleo e gás no fundo do mar.

A partir de uma resolução interministerial publicada na última sexta-feira, qualquer nação ou empresa que queira prospectar recursos minerais na Plataforma Continental Brasileira terá de pedir autorização ao governo.

Segundo a Folha apurou, a decisão foi tomada após consulta da Petrobras, que poderá ter até 50% do capital nas mãos da União assim que for concluído o processo de capitalização em curso.

Hoje, a União detém 39,8% da empresa.

A mudança incorpora 960 mil km2, quase quatro vezes o Estado de São Paulo, à zona de soberania nacional, hoje de cerca de 3,5 milhões de km2.

É uma área cobiçada em razão da possível existência de novas reservas de petróleo na área do pré-sal.

DIREITO DO MAR

A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, de 1982, abre a brecha para que países reivindiquem direitos sobre o oceano a até 350 milhas náuticas de sua costa. Além, portanto, da Zona Econômica Exclusiva, de 200 milhas.

Para que essa incorporação ocorra, os países signatários da convenção precisam entregar à ONU um mapeamento de sua plataforma continental, espécie de extensão submarina do território soberano.

O Brasil encaminhou esse pedido à ONU em 2004, mas, três anos depois, a organização rejeitou a proposta, após questionamento dos EUA.

Depois, a ONU requisitou que o governo brasileiro reformulasse o pleito.

A ONU não aceitou incluir 190 mil km2 distribuídos desde o Amazonas até a região Sul do país. Segundo a Marinha, o Brasil discordou e pretende apresentar nova proposta até 2012.

Consultada pela Petrobras, porém, a Cirm (Comissão Interministerial para os Recursos do Mar) entendeu que o país não precisa esperar a chancela da ONU.

Agora, cabe à ANP (Agência Nacional de Petróleo) decidir sobre as pesquisas de recursos minerais na área. Procurada, a ANP não se manifestou.

Um decreto de 1988 e uma lei de 1993 já definiam que qualquer investigação científica na plataforma continental só poderia ser feita por outras nações com autorização do governo e acompanhamento da Marinha, e que o Brasil exerce direitos de soberania sobre ela para fins de exploração de recursos naturais.

Além disso, o país se ancora no fato de que a ONU não estabelece condições e limitações de soberania sobre a plataforma continental.

GEOLOGIA DA CONFUSÃO

Plataformas continentais são extensões planas ou quase planas do leito submarino, que terminam nos abismos oceânicos.

Elas são formadas por rochas sedimentares -exatamente o tipo de rocha na qual se formam o petróleo e o gás natural. Daí o interesse estratégico da Petrobras nessas regiões.

O único país que concluiu o levantamento de sua plataforma antes do Brasil foi a Rússia.

O pleito da Rússia também foi questionado, uma vez que incluía porções do Ártico em disputa entre EUA, Canadá, Dinamarca e Noruega.

Em 2007, a Rússia mandou um minissubmarino ao Ártico para lançar no fundo do mar uma bandeira russa -simbolizando a suposta soberania do país sobre os recursos minerais da região.

A expedição causou um incidente diplomático com o Canadá, que chamou o feito de “impostura”.

País quer elevar domínio na costa do NE

DE BRASÍLIA

A área marítima que o governo brasileiro incorporou estende mar adentro boa parte das fronteiras de onde estão hoje os principais campos de petróleo descobertos pelo país na última década.

Os campos Tupi, Carioca, Guará e Júpiter, ao longo da costa Sudeste-Sul, estão situados bem no limite da zona econômica exclusiva de 200 milhas náuticas.

O país também está determinado a ampliar sua soberania da região do Cone do Amazonas, entre a costa do Nordeste e os limites com a Guiana Francesa.

Nosso Comentário:

Brasil Amplia Fronteira Marítima do Pré-Sal Sem Aguardar Pela ONU

É praticamente certo que os EUA colocarão toda sorte de protestos, entraves e resistências contra a decisão brasileira de estender a fronteira marítima da área da Mega-Província do Pré-Sal, incorporando mais 960 mil km2 à zona atual de 3,5 milhões de km2.

A ampliação significa levar a soberania brasileira a até 350 milhas náuticas de sua costa. O Brasil tem hoje reservas de 14 bilhões de barris de petróleo. As reservas já conhecidas do Pré-Sal elevarão este total a 42 bbp, podendo ir a 100 bbp ou mais.

O Brasil decidiu não esperar o aval da ONU, que já rejeitou uma proposta encaminhada em 2004, com o mapeamento de sua plataforma continental, de extensão submarina do território soberano nacional.

Mesmo com o Brasil tendo discordado da rejeição do organismo e pretender apresentar nova proposta até 2012, tomou a iniciativa agora, quando o processo de exploração do Pré-Sal está para se iniciar e será necessário haver segurança jurídica para os futuros investimentos.

Para tal, no Pré-Sal serão investidos US$ 680 bilhões nos próximos anos e sua participação no PIB deverá alcançar 30%.

Hoje foi noticiado que o Brasil superou os EUA pela primeira vez nos planos de multinacionais como destino de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) entre 2010-2012, segundo a Organização das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad).

Os cinco países preferidos são agora, pela ordem, a China, Índia, Brasil, EUA e Rússia. Qual será a posição do Brasil com os investimentos necessários à exploração e desenvolvimento do Pré-Sal?

Dá para apostar em um primeiro lugar em breve. Dá para apostar ainda que a cobiça e a ambição de certos países virão para cima do Brasil, que não tem o poder nuclear da Rússia, e mantém seu maior cofre indefeso no meio da rua, ou melhor, no fundo do mar. É um cofre que qualquer um pode reclamar para si.

Definido o valor médio do barril de petróleo do pré-sal – 03/09/2010:

Roberto Silva

DEFESA BR

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A Nova Defesa Reconfigura a Estrutura de Defesa do Brasil

A NOVA DEFESA RECONFIGURA A ESTRUTURA DE DEFESA DO BRASIL

Em 25 de agosto de 2010, o presidente Lula sancionou a Lei da Nova Defesa no meio de 7 atos. Entre outros, criou uma nova estrutura do MD (13), propôs a criação de quadro específico de especialistas de defesa (14), e criou uma política de ensino para as Forças Armadas (18).

RELAÇÃO DOS 7 ATOS DO PRESIDENTE LULA

1) Lei Complementar da Nova Defesa (Lei nº 136, ex-PLC-10, de 2010);

2) MP que cria cargos para Chefe do EMCFA e dois novos Secretários;

3) Projeto de Lei que dispõe sobre a criação de cargos destinados à nova estrutura do Ministério da Defesa;

4) Decreto nomeiando o General-de-Exército José Carlos De Nardi;

5) Decreto que estabelece a Estrutura Militar de Defesa;

6) Decreto que aprova a Política de Ensino de Defesa (PEnsD); e

7) Sanção da Lei que cria cargos temporários para os V Jogos Mundiais Militares.

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LEI DA NOVA DEFESA

O presidente Lula sancionou em 25 de agosto de 2010 a Lei Complementar nº 136, que estrutura a Nova Defesa com o fortalecimento do Ministério da Defesa. Na prática, tal ato visou reconfigurar completamente a estrutura de Defesa do Brasil.

A Lei de Nova Defesa, resultado do PLC 10/2010, contempla uma nova estrutura das Forças Armadas com o Ministério da Defesa à frente. Até ali, tratava-se do principal ato de tudo que foi planejado na END, a qual passará a ser atualizada a cada 4 anos.

Ela começava a reestruturar o Ministério da Defesa, que passou a ter à frente novas tarefas e obrigações, especialmente na coordenação das Forças Armadas e na integração da área de Defesa com o projeto de desenvolvimento nacional.

Essa tomada estratégica é fruto do trabalho do professor Mangabeira Unger, como ressaltou o presidente Lula em seu discurso no evento.

Para que comece a haver uma unificação de fato, uma interoperabilidade, era necessário que o controle sobre as aquisições de equipamentos e materiais das três Forças Armadas fosse feito pelo Ministério da Defesa, cuja Secretaria de Compras visaria alcançar substancial ganho de escala em suas atividades.

Jobim procurou reduzir as autonomias das Forças Armadas em atividades que não eram exclusivas de militares. Isto é essencial para o país buscar atingir um nível de eficácia em Defesa, pois um Cenipa não é uma atividade de Defesa.

Há muitos outros casos que precisam de mudanças radicais e urgentes. São distorções criadas ao longo do tempo, que vão do GTE, que hoje transporta pelo país todo tipo de autoridades da burocracia civil com dezenas de pilotos e aeronaves, ao controle aproximado do espaço aéreo de aeroportos civis, e até à operação desses aeroportos pela Infraero estatal.

Uma das mudanças mais imediatas foi a criação do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, a ser ocupada por um oficial-general do último posto (4 estrelas) da ativa ou da reserva. Se for da ativa, irá automaticamente para a reserva após a nomeação, a exemplo do que já ocorre com os comandantes de Força. Para o cargo, foi nomeado o general-de-exército José Carlo De Nardi, até então comandante militar do Sul.

O Chefe do EMCFA é indicado pelo ministro da Defesa e nomeado pelo presidente da República, da mesma forma que ocorre com os comandantes. Ele terá o mesmo nível hierárquico dos comandantes das Forças e ascendência sobre todos os demais militares de qualquer Força, exceto sobre os comandantes das mesmas.

“A criação do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas alterou a doutrina das ações combinadas até então em vigor. Competirá ao chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, o emprego. E aos comandantes das Forças, o preparo. Daí porque o chefe do Estado- Maior das Forças Armadas tem a mesma hierarquia e a mesma linha de prioridade dos comandantes de Forças”, afirmou então o ministro Jobim.

Outra mudança é que o ministro da Defesa, além de passar a indicar os comandantes de Força, para decisão do presidente, também escolheria livremente os seus secretários, inclusive os militares. Até então, as próprias Forças indicavam os militares que deveriam ocupar secretarias militares na Defesa.

Sintetizando a mudança, Jobim explicou: “passa o senhor ministro da Defesa a indicar ao senhor presidente da República os comandantes de Forças e o chefe de seu Estado-Maior Conjunto. Antes, ele era ouvido.”

Em seu discurso, o ministro Jobim enfatizou a importância da mudança para o status do Brasil no cenário internacional. “O Brasil começa, então, a ter condições de ter aquilo que Vossa Excelência disse ao aprovar a Estratégia Nacional de Defesa: O Brasil terá condições de dizer “sim” quando no mundo tiver que dizer “sim” e quiser dizer “sim”, e precisar dizer “sim”. Mas o Brasil também terá condições de dizer “não” quando precisar dizer “não”, seja a quem for, seja ao Estado que for, na afirmação dos interesses brasileiros e nos interesses de sua soberania”.

Ressalte-se o importante apoio dos senadores de oposição à Lei da Nova Defesa.

A alteração da doutrina e a criação do Estado-Maior Conjunto permitiram uma atuação integrada das Forças Armadas. Antes, em exercícios militares conjuntos, elas atuavam sob um “comando combinado” e, com a criação do EMCFA, passaram a atuar sob um “comando conjunto”, que pode ser de outra Força.

A Lei da Nova Defesa também trouxe para o Ministério da Defesa a formulação da proposta orçamentária das Forças, e a definição de políticas e diretrizes de produtos de defesa, inclusive equipamentos, munições e fardamento. As compras em si, continuariam sendo feitas pelas Forças.

A proposta orçamentária das Forças será elaborada em conjunto com o Ministério da Defesa, que a consolidará, obedecendo-se as prioridades estabelecidas na Estratégia Nacional de Defesa, explicitadas na Lei de Diretrizes Orçamentárias.

Até então, os orçamentos eram feitos separadamente pelas Forças e o Ministério da Defesa meramente os compatibilizaria e os enviaria ao Ministério do Planejamento. O ministro Jobim alterou na prática essa sistemática e consolidou o novo procedimento na Lei.

A nova Lei também facilitou o patrulhamento de fronteiras, ao estender à Marinha e à Força Aérea o mesmo poder que o Exército já dispunha: de fazer patrulhamento, revista e prisão em flagrante, entre outros. Esse poder havia sido outorgado ao Exército em 2004, quando houve uma primeira mudança na Lei Complementar 97.

Outra alteração feita no mesmo ano deu à Força Aérea poder de patrulhamento do espaço aéreo brasileiro total. Mas em solo, no mar e nas águas interiores, Marinha e FAB continuavam impedidas de patrulhar crimes transfronteiriços.

Mas as Forças Armadas só agirão de forma complementar ou articulada com as polícias, sem substituí-las nas fronteiras. O inquérito continuará sendo atribuição da polícia.

De acordo com a nova Lei, os atos praticados por militares no cumprimento de missões em operações subsidiárias passariam a ser julgados pela Justiça Militar. Essa mudança deu segurança jurídica às operações subsidiárias e aos militares que nelas atuassem. A lei anterior dava margem a interpretações distintas dos juízes.

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LEI COMPLEMENTAR Nº 136, DE 25 DE AGOSTO DE 2010

Altera a Lei Complementar nº 97, de 9 de junho de 1999, que “dispõe sobre as normas gerais para a organização, o preparo e o emprego das Forças Armadas”, para criar o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas e disciplinar as atribuições do Ministro de Estado da Defesa.

O  P R E S I D E N T E   D A   R E P Ú B L I C A

Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei Complementar:

Art. 1º – Os arts. 2º, 4º, 7º, 9º, 11, 12, 15 e 18 da Lei Complementar nº 97, de 9 de junho de 1999, passam a vigorar com a seguinte redação:

“Art. 2º …………………………………………………………………………………………….

§ 1º – O Conselho Militar de Defesa é composto pelos Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica e pelo Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas. …………………………………………………………………………………..” (NR)

“Art. 4º – A Marinha, o Exército e a Aeronáutica dispõem, singularmente, de 1 (um) Comandante, indicado pelo Ministro de Estado da Defesa e nomeado pelo Presidente da República, o qual, no âmbito de suas atribuições, exercerá a direção e a gestão da respectiva Força.” (NR)

“Art. 7º – Compete aos Comandantes das Forças apresentar ao Ministro de Estado da Defesa a Lista de Escolha, elaborada na forma da lei, para a promoção aos postos de oficiais-generais e propor-lhe os oficiais-generais para a nomeação aos cargos que lhes são privativos……………………………………………………………………………………” (NR)

“Art. 9º – O Ministro de Estado da Defesa exerce a direção superior das Forças Armadas, assessorado pelo Conselho Militar de Defesa, órgão permanente de assessoramento, pelo EstadoMaior Conjunto das Forças Armadas e pelos demais órgãos, conforme definido em lei.

§ 1º – Ao Ministro de Estado da Defesa compete a implantação do Livro Branco de Defesa Nacional, documento de caráter público, por meio do qual se permitirá o acesso ao amplo contexto da Estratégia de Defesa Nacional, em perspectiva de médio e longo prazos, que viabilize o acompanhamento do orçamento e do planejamento plurianual relativos ao setor.

§ 2º – O Livro Branco de Defesa Nacional deverá conter dados estratégicos, orçamentários, institucionais e materiais detalhados sobre as Forças Armadas, abordando os seguintes tópicos:

I – cenário estratégico para o século XXI;

II – política nacional de defesa;

III – estratégia nacional de defesa;

IV – modernização das Forças Armadas;

V – racionalização e adaptação das estruturas de defesa;

VI – suporte econômico da defesa nacional;

VII – as Forças Armadas: Marinha, Exército e Aeronáutica;

VIII – operações de paz e ajuda humanitária.

§ 3º – O Poder Executivo encaminhará à apreciação do Congresso Nacional, na primeira metade da sessão legislativa ordinária, de 4 (quatro) em 4 (quatro) anos, a partir do ano de 2012, com as devidas atualizações:

I – a Política de Defesa Nacional;

II – a Estratégia Nacional de Defesa;

III – o Livro Branco de Defesa Nacional.” (NR)

“Art. 11. Compete ao Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas elaborar o planejamento do emprego conjunto das Forças Armadas e assessorar o Ministro de Estado da Defesa na condução dos exercícios conjuntos e quanto à atuação de forças brasileiras em operações de paz, além de outras atribuições que lhe forem estabelecidas pelo Ministro de Estado da Defesa.” (NR)

“Art. 12. O orçamento do Ministério da Defesa contemplará as prioridades definidas pela Estratégia Nacional de Defesa, explicitadas na lei de diretrizes orçamentárias.

§ 2º – A proposta orçamentária das Forças será elaborada em conjunto com o Ministério da Defesa, que a consolidará, obedecendo às prioridades estabelecidas na Estratégia Nacional de Defesa, explicitadas na lei de diretrizes orçamentárias. …………………………………………………………………………………” (NR)

“Art. 15. ……………………………………………………………………….

I – ao Comandante Supremo, por intermédio do Ministro de Estado da Defesa, no caso de Comandos conjuntos, compostos por meios adjudicados pelas Forças Armadas e, quando necessário, por outros órgãos;

II – diretamente ao Ministro de Estado da Defesa, para fim de

adestramento, em operações conjuntas, ou por ocasião da participação brasileira em operações de paz; ……………………………………………………………………………………………

§ 7º – A atuação do militar nos casos previstos nos arts. 13, 14, 15, 16-A, nos incisos IV e V do art. 17, no inciso III do art. 17-A, nos incisos VI e VII do art. 18, nas atividades de defesa civil a que se refere o art. 16 desta Lei Complementar e no inciso XIV do art. 23 da Lei nº 4.737, de 15 de julho de 1965 (Código Eleitoral), é considerada atividade militar para os fins do art. 124 da Constituição Federal.” (NR)

“Art. 18. ………………………………………………………………………..

VII – preservadas as competências exclusivas das polícias judiciárias, atuar, de maneira contínua e permanente, por meio das ações de controle do espaço aéreo brasileiro, contra todos os tipos de tráfego aéreo ilícito, com ênfase nos envolvidos no tráfico de drogas, armas, munições e passageiros ilegais, agindo em operação combinada com organismos de fiscalização competentes, aos quais caberá a tarefa de agir após a aterragem das aeronaves envolvidas em tráfego aéreo ilícito, podendo, na ausência destes, revistar pessoas, veículos terrestres, embarcações e aeronaves, bem como efetuar prisões em flagrante delito.

Parágrafo único. Pela especificidade dessas atribuições, é da competência do Comandante da Aeronáutica o trato dos assuntos dispostos neste artigo, ficando designado como ‘Autoridade Aeronáutica Militar’, para esse fim.” (NR)

Art. 2º – A Lei Complementar nº 97, de 1999, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 3º-A, 11-A e 16-A:

“Art. 3º-A. O Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, órgão de assessoramento permanente do Ministro de Estado da Defesa, tem como chefe um oficial-general do último posto, da ativa ou da reserva, indicado pelo Ministro de Estado da Defesa e nomeado pelo Presidente da República, e disporá de um comitê, integrado pelos chefes de Estados-Maiores das 3 (três) Forças, sob a coordenação do Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas.

§ 1º – Se o oficial-general indicado para o cargo de Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas estiver na ativa, será transferido para a reserva remunerada quando empossado no cargo.

§ 2º – É assegurado ao Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas o mesmo grau de precedência hierárquica dos Comandantes e precedência hierárquica sobre os demais oficiais generais das 3 (três) Forças Armadas.

§ 3º – É assegurado ao Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas todas as prerrogativas, direitos e deveres do Serviço Ativo, inclusive com a contagem de tempo de serviço, enquanto estiver em exercício.”

“Art. 11-A. Compete ao Ministério da Defesa, além das demais competências previstas em lei, formular a política e as diretrizes referentes aos produtos de defesa empregados nas atividades operacionais, inclusive armamentos, munições, meios de transporte e de comunicações, fardamentos e materiais de uso individual e coletivo, admitido delegações às Forças.”

“Art. 16-A. Cabe às Forças Armadas, além de outras ações pertinentes, também como atribuições subsidiárias, preservadas as competências exclusivas das polícias judiciárias, atuar, por meio de ações preventivas e repressivas, na faixa de fronteira terrestre, no mar e nas águas interiores, independentemente da posse, da propriedade, da finalidade ou de qualquer gravame que sobre ela recaia, contra delitos transfronteiriços e ambientais, isoladamente ou em coordenação com outros órgãos do Poder Executivo, executando, dentre outras, as ações de:

I – patrulhamento;

II – revista de pessoas, de veículos terrestres, de embarcações e de aeronaves; e

III – prisões em flagrante delito.

Parágrafo único. As Forças Armadas, ao zelar pela segurança pessoal das autoridades nacionais e estrangeiras em missões oficiais, isoladamente ou em coordenação com outros órgãos do Poder Executivo, poderão exercer as ações previstas nos incisos II e III deste artigo.”

Art. 3º – Até que se proceda à revisão dos atos normativos pertinentes, as referências legais ao Estado-Maior de Defesa passam a ser entendidas como as atribuições do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas.

Art. 4º – Revogam-se os seguintes dispositivos da Lei Complementar nº 97, de 9 de junho de 1999:

I – art. 10; e

II – inciso IV do art. 17-A.

Art. 5º – Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 25 de agosto de 2010; 189º da Independência e 122º da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Luiz Paulo Teles Ferreira Barreto

Julio Soares de Moura Neto

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CONJUNTO DE MEDIDAS DA NOVA DEFESA

Pontos Principais do Conjunto de Medidas da Nova Defesa

1) Lei Complementar da Nova Defesa (Lei nº 136, ex-PLC-10, de 2010)

- Insere o ministro da Defesa efetivamente na cadeia de comando das Forças Armadas, como intermediário entre o poder político (o presidente da República), que define as ações, e os meios militares, que as executam;

- Cria o Estado Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), a ser ocupada por um oficial-general do último posto (4 estrelas) da ativa ou da reserva. Se for da ativa, irá automaticamente para a reserva após a nomeação, a exemplo do que já ocorre com os comandantes de Força;

- Os Comandantes de Força ficarão responsáveis pelo adestramento das tropas; o emprego dessas tropas passará a ser de responsabilidade do  Chefe do EMCFA;

- O Chefe do EMCFA será indicado pelo Ministro da Defesa e nomeado pelo Presidente da República, da mesma forma que ocorre com os Comandantes. Ele terá o mesmo nível hierárquico dos Comandantes das Forças e ascendência sobre todos os oficiais-generais de qualquer Força, exceto sobre os comandantes das mesmas.

- O Ministro da Defesa também passará a indicar os Comandantes de Força, para decisão do Presidente. Antes a indicação era das Forças, ouvido o ministro;

- O Ministro da Defesa também escolherá livremente os seus secretários, inclusive os militares. Até então, as próprias Forças indicavam os militares que deveriam ocupar secretarias militares na Defesa;

- O Ministro da Defesa escolherá os seus secretários, inclusive os militares. Até então, as próprias Forças indicavam os militares que deveriam ocupar secretarias militares na Defesa;

- A alteração da doutrina e a criação do Estado-Maior Conjunto permitirão uma atuação integrada das Forças Armadas. Até então, em exercícios militares conjuntos, elas atuavam sob um “comando combinado” e, com a criação do EMCFA, passaram a atuar sob um “comando conjunto”. Com isso, tropa de uma Força poderá ser comandada na ação por militar de outra Força;

- Cria no ministério da Defesa a atribuição de fixar política de material de Defesa,que será executada pela futura Secretaria de Produtos de Defesa. As compras em si, continuarão sendo feitas pelas Forças;

- Traz para o Ministério da Defesa a formulação da proposta orçamentária das Forças, em conjunto com as mesmas;

- Estende à Marinha e à Força Aérea o mesmo poder de polícia do qual o Exército já dispunha: de fazer patrulhamento, revista e prisão em flagrante, entre outros, nas faixas de fronteira;

- Os atos praticados por militares no cumprimento de missões em operações subsidiárias (como patrulhamento de fronteiras) serão julgados pela Justiça Militar;

- Determina ao Ministério da Defesa a implantação do Livro Branco de Defesa Nacional, documento de caráter público, que deverá conter dados estratégicos, orçamentários, institucionais e materiais detalhados sobre as Forças Armadas, abordando os seguintes tópicos:

I – cenário estratégico para o século XXI;

II – política nacional de defesa;

III – estratégia nacional de defesa;

IV – modernização das Forças Armadas;

V – racionalização e adaptação das estruturas de defesa;

VI – suporte econômico da defesa nacional;

VII – as Forças Armadas: Marinha, Exército e Aeronáutica;

VIII – operações de paz e ajuda humanitária.

2) MP que cria cargos para Chefe do EMCFA e dois novos Secretários

(Cria cargo de Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas e dois cargos DAS-6,para os dois novos secretários, sem aumento de despesas, por meio da transformação, e extinção, de 61 Funções Comissionadas Técnicas vagas, do nível FCT-14).

Na estrutura da Nova Defesa, resultante da modificação da Lei Complementar 97/99, foi criado o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, órgão de assessoramento permanente do Ministro de Estado da Defesa, e que terá como Chefe um oficial-general do último posto, da ativa, o qual terá que passar para a reserva no ato da posse, ou da reserva, indicado pelo Ministro de Estado da Defesa e nomeado pelo Presidente da República, e que estará no mesmo nível hierárquico dos Comandantes das Forças e com ascendência sobre todos os demais militares de qualquer Força, exceto sobre os próprios comandantes.

Os dois outros cargos DAS-6 serão para os titulares das duas novas secretarias que serão criadas: a Secretaria de Produtos de Defesa e Secretaria de Pessoal, Ensino, Saúde e Desporto.

A Secretaria de Pessoal, Ensino, Saúde e Desporto, terá a incumbência de integrar as áreas de gestão de pessoal civil e militar do Ministério e dos Comandos, cumprindo desta forma papel importante no planejamento, avaliação, acompanhamento e controle de considerável efetivo de servidores, cujo alinhamento de políticas, especialmente de formação de pessoal é central para o bom desempenho das forças e a plena realização da END.

Já a Secretaria de Produtos de Defesa atuará, dentre outras áreas, na formulação e atualização de política nacional da indústria de defesa, bem como no acompanhamento da sua execução e, ainda, na formulação e atualização da política de compras de produtos de defesa (a execução das compras continuará sendo feita pelas Forças, de acordo com as diretrizes da Secretaria da Defesa).

A atual estrutura regimental do Ministério da Defesa possui quatro Secretarias, em conformidade com sua estrutura básica definida no inciso VII, Art. 29 da Lei nº 10.683, de 28 de maio de 2003, a saber:

Secretaria de Política, Estratégia e Assuntos Internacionais;

Secretaria de Ensino, Logística, Mobilização e Ciência e Tecnologia, a

Secretaria de Aviação Civil e, por fim, a Secretaria de Organização Institucional.

No novo desenho organizacional, as Secretarias de Política, Estratégia e Assuntos Internacionais; e de Ensino, Logística, Mobilização e Ciência e Tecnologia, atualmente chefiadas por Oficiais-Generais que recebem gratificação de exercício de cargo em confiança devida aos servidores militares, passarão a integrar chefias vinculadas ao Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas.

Os Secretários do Ministério da Defesa serão livremente escolhidos pelo Ministro da Defesa, respeitadas as peculiaridades e as funções de cada Secretaria. Desse modo, visa-se garantir o equilíbrio estrutural no Ministério da Defesa (antes, os secretários militares eram indicados pelas Forças Armadas).

3) Projeto de Lei que dispõe sobre a criação de cargos destinados à nova estrutura do Ministério da Defesa

Cria 227 cargos e 251 gratificações, no total de 488, ao custo anual de R$ 18,95 milhões . São os meios necessários para que o Ministério da Defesa implemente a Estratégia Nacional de Defesa (END) e aumente sua capacidade de coordenar a ação das Forças Armadas na execução das funções planejamento, orçamento, aquisição de produtos de defesa, preparação do pessoal militar, dentre outros objetivos.

- Se aprovado o projeto como está, o Ministério passará de 1.187 servidores (609 civis e 578 militares) para 1.675 servidores ( 864 civis e 813 militares).

A Defesa, quando da sua criação, recebeu uma estrutura organizacional com um número de cargos em comissão e de funções compatíveis com o tamanho idealizado à época. Ao longo do tempo, além de atuar como órgão formulador, coube ao MD conduzir projetos de interesse governamental, tais como o Projeto Calha Norte, o Projeto Soldado-Cidadão e o Projeto Rondon.

A estrutura, que já era insuficiente para aquela realidade, recebeu ainda mais encargos com as novas diretrizes e obrigações estabelecidas pela Estratégia Nacional de Defesa, tornando imperiosa a reestruturação do Ministério.

Detalhamento:

a) 225 cargos em comissão do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores – DAS, assim distribuídos: 10 DAS-5, 40 DAS-4, 76 DAS-3, 67 DAS-2 e 32 DAS-1.

b) 24 gratificações GR-IV; 4 GR-III; 5 Gratificações de Exercício em Cargo em Confiança do Grupo A; 106 do Grupo B e 23 do Grupo E; 32 Gratificações de Exercício de Cargo de Confiança devida a militares do nível V – Supervisor e 69 do nível II – Especialista.

4) Decreto nomeando o General-de-Exército José Carlos De Nardi

Chefe do recém criado Estado Maior Conjunto das Forças Armadas (De Nardi já foi secretário do Ministério na gestão de Nelson Jobim e estava como Comandante Militar do Sul)

5) Decreto que estabelece a Estrutura Militar de Defesa

Substitui a Estrutura Militar de Guerra , estabelecida pelo Decreto Reservado nº 8, de 17 de janeiro de 1980, pela Estrutura Militar de Defesa. O Ministro da Defesa é inserido na cadeia de Comando, abaixo do Comandante Supremo, o Presidente da República.

6) Decreto que aprova a Política de Ensino de Defesa (PEnsD)

Embora cada Força Singular tenha suas particularidades na área de ensino, faz-se necessário fixar uma Política que reúna objetivos e preceitos comuns com a finalidade de ampliar os aspectos atinentes à Defesa Nacional e também contribuir com o processo de interação entre instituições militares e civis.

A Politica de Ensino de Defesa, iniciativa conjunta dos Ministérios da Defesa e da Educação que tem o objetivo de inserir o tema Defesa na agenda nacional , como preconizado na Estratégia Nacional de Defesa, e promover maior engajamento da sociedade, em particular do meio acadêmico civil, com os assuntos de defesa.

A iniciativa também tem o objetivo de promover maior aproximação entre militares e civis, contribuindo para o fortalecimento da democracia brasileira. Tem ainda por objetivo a cooperação na área do ensino de defesa com países de interesse, em consonância com a Política Externa Brasileira, em especial na América do Sul.

7) Sanção da Lei que cria cargos temporários para os V Jogos Mundiais Militares

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DISCURSOS SOBRE A NOVA DEFESA


DISCURSO DO PRESIDENTE LULA


Eu penso ministro Jobim, que a história vai registrar o dia de hoje.  Eu confesso que parecia impossível que, em um curto espaço de tempo, a gente conseguisse fazer aprovar a mudança da lei complementar que propunha a criação de um novo Ministério da Defesa.

Eu imaginava que ia ter mais debate no Congresso, que ia ter mais resistência no Congresso.

E qual não foi a minha surpresa, possivelmente pela sua competência em lidar com os seus amigos dentro do Congresso Nacional, ou da compreensão dos três Comandantes das Forças Armadas de que era necessário fazer essa inovação para que a gente pudesse pensar no futuro, e pensar no futuro significava a gente reestruturar o nosso Ministério da Defesa.

Por isso eu acho que será um dia histórico porque, no Brasil, ultimamente, tem acontecido coisas que antes pareciam impossíveis.

O Brasil sempre foi o país do “jeitinho”; as coisas, no Brasil, quando você pensava que ia ter um grande embate, aparecia alguém e encontrava a palavra mágica, um jeito (incompreensível) não sabe brigar, ninguém briga com ninguém, “vamos fazer os nossos acordos aí”, e foi assim desde a Independência do Brasil até a conquista das eleições diretas.

Nós sempre encontramos um jeito de fazer as coisas da melhor forma possível.

Eu lembro que nós estávamos nas ruas gritando “Diretas Já!”, e já tinha gente negociando “mudança já”.

Quando os das “Diretas Já” acordaram, já tinha tido um acordo de “mudança já”, e todo mundo, pacificamente, mesmo eu, que na época me rebelei, aceitávamos o resultado do jeito brasileiro de fazer as coisas.

Eu, sinceramente, acho que nós não precisamos do jeitinho brasileiro, eu acho que foi utilizada, possivelmente, a franqueza, que até então não tinha sido utilizada entre o Ministério da Defesa e as Forças Armadas Brasileiras, ou seja, de dizer concretamente o que a gente vai pensar deste país nos próximos anos; de dizer claramente que a Amazônia não pode ser uma fonte de recursos utilizada apenas em discursos em época de campanha ou na discussão climática; que nós temos a obrigação de fazer investimentos, sobretudo com as nossas Forças Armadas, não apenas para ter conhecimento do que existe dentro de 360 milhões de hectares que compõem toda a Amazônia Legal Brasileira, mas também tomar conta daquilo que é nosso, coisa que, muitas vezes, nós não tomamos.

Ou, às vezes, tomar conta de um país que tem 8 mil quilômetros de costa marítima e que, muitas vezes, pensar em investir em um barco de patrulha para a Marinha era pensar em gasto e não em investimento para defender um patrimônio que a gente não sabia que tinha, mas já estava aí embaixo, há 160 milhões de anos, que foi a descoberta do pré-sal. Então, eu penso que nós demos o passo importante para dizer ao mundo que o Brasil leva a questão da defesa com muita seriedade.

Eu lembro, Saito, que uma vez eu fui ver um filme – não sei se no Cindacta – em que nós tínhamos um avião que seguia um avião que tinha contrabandistas que estavam traficando drogas.

E me mostraram que o traficante, na hora em que via o avião da Força Aérea Brasileira, ele mostrava uma criança dentro do avião, uma mulher, e a gente ficava impossibilitado de fazer qualquer coisa.

E, muitas vezes, até a gente seguia, eles eram obrigados a parar, como não tinha poder de polícia, eles paravam, a gente ficava esperando a Polícia Federal aparecer; se aparecesse, prendia, se não aparecesse, era o tempo de eles fugirem outra vez.

Então, nós estamos mostrando que nós queremos ser um país mais sério, que nós queremos ser um país com mais autoestima, um país com mais respeito próprio e um país que tem nas suas Forças Armadas parte do garante dessa sustentabilidade e confiança que nós precisamos nas nossas relações internacionais e nas relações entre estados.

Ou seja, o Brasil, hoje, não é mais um país levado na brincadeira. Eu lembro quando esteve um presidente francês aqui que ironizou: “Que país é este?” e, a partir daí virou moda as pessoas tentarem ironizar o Brasil.

Eu penso que o Brasil mudou de patamar. Quem viaja o mundo, senhores oficiais-generais que viajam, os comandantes que viajam, os políticos que viajam, os empresários que viajam, não sei se a Anac viaja, não sei se a Infraero viaja… A verdade é: quem viaja o mundo hoje, em qualquer país que for, tem a nítida noção de que mudou o tratamento que se dá ao Brasil.

Nós somos uma grande nação, com grandes perspectivas, e só somos uma grande nação porque decidimos ser uma grande nação. E uma grande nação tem que ter as Forças Armadas altamente preparadas.

A gente não pode olhar apenas as coisas como gasto. Tudo no Brasil era gasto, era gasto, era gasto: “Você não pode gastar com saneamento”, “você não pode gastar com educação”, “você não pode gastar com as Forças Armadas”… O único investimento era pagar o FMI, quando, na verdade era o único gasto.

Era que nem pagar aluguel, não tinha retorno. E, agora, a gente está compreendendo que tem investimento.

Hoje, eu fiquei muito feliz quando vi aquelas pontes que o Dnit deu ao Exército brasileiro, porque muita gente fala: – Para que aquilo? O Exército não precisava daquilo?. Até ter uma enchente, ou até desmoronar uma ponte, e aí as pessoas perceberiam que a gente precisaria.

Quando a gente vê o Exército estruturado para, às vezes, até se contrapor a determinadas empresas que impõem sobrepreço em determinadas licitações, ou seja, é uma coisa que somente quem governa o Brasil sabe a gratificação que a gente tem, de saber que hoje nós estamos preparados, estruturados, para competir.

Não que nós queiramos transformar o nosso Batalhão de Engenharia em uma grande empresa de construção civil. Mas é verdade que eles têm que saber, e o mundo tem que saber que, se precisar, nós temos, como diria o Ratinho, “bala na agulha” para enfrentar qualquer situação.

Ou mesmo a nossa Aeronáutica, eu lembro que quando eu cheguei aqui, que eu pensei em comprar o primeiro avião, ô Saito, você não era comandante ainda, eu lembro do que as pessoas diziam: “Presidente, pelo amor de Deus, não tem presidente que dê certo comprando avião! Ninguém… A imprensa vai cair em cima do senhor, Presidente! O senhor não pode comprar avião, deixa aí”.

Aí, eu fiz… o primeiro vôo que eu fiz, eu fiz em um avião de carreira, eu acho que foram 12 lugares na executiva, e é um inferno, porque você não tem nenhuma intimidade de discutir nenhum assunto de Estado se você está viajando com pessoas que não têm nenhuma obrigação com você.

Sabe, eu fiquei pensando: é melhor ter coragem de propor a compra de um avião do que ficar ouvindo pela imprensa que eu estou voando no “sucatão”. Um país do tamanho do Brasil não poderia se permitir tal ofensa.

Eu lembro que uma vez o Marco Maciel estava voando em um avião desses e teve um problema no motor, que caiu. Eu era obrigado a descer na Ilha do Sol com 12 mecânicos, às vezes 18 mecânicos dentro… Tinha vez que não cabia nem o Brigadeiro Joseli dentro do avião, de tanto mecânico que a gente precisava utilizar. Ora, não era possível que o Brasil continuasse assim: se apequenando, por vergonha de fazer as coisas.

Tomamos a decisão… Hoje, o meu arrependimento, Saito, é de não ter comprado um maior, ou talvez dois, ao invés de um. Porque hoje eu sei o quanto custa montar delegações de empresários para levar para viajar para a África, para levar para a América Central, para levar para o Caribe, para desenvolver o Brasil e a gente, muitas vezes, não tem avião.

Da mesma forma a Marinha. Ou seja, a Marinha brasileira, Jobim, com a descoberta do pré-sal, nós sabemos o que precisamos reestruturar a Marinha, para que ela possa tomar conta de um patrimônio que a gente ainda não tem dimensão de quanto é.

É incalculável, a gente não sabe se tem 8 ou 80 bilhões de barris, a gente não sabe o conjunto da obra que Deus deixou preparado, quando permitiu a divisão do continente, a separação.

Então, eu acho que com tudo isso que foi feito… E eu tenho que agradecer ao Congresso Nacional pela rapidez com que foi feita a mudança; às Forças Armadas, pela compreensão de que ninguém queria diminuir o papel de nenhuma das Forças, pelo contrário, o que nós queríamos era fazer uma inovação na forma de entender a questão da Defesa no Brasil. Porque a primeira tentativa de criar o Ministério da Defesa, todo mundo sabe que era um momento político de muita tensão, em que não se podia fazer isso.

Então, eu só posso, Jobim, no dia de hoje, te agradecer, te dar os parabéns. Ao Mangabeira, que não está aqui, mas eu sei que ele teve um trabalho importante. Ao nosso comandante Moura, Saito e o Enzo, pela compreensão do que é ajudar a fazer isso.

E a todos que contribuíram para que a gente pudesse estar dando um sinal. Está certo que está no final do mandato. Você poderia, junto com essa emenda complementar, ter mandado uma emendinha para mais uns anos de mandato.

Você não mandou, então fica… embora esteja no final de mandato eu, sinceramente, saio da Presidência mais gratificado porque a gente vai ter uma nova lógica na nossa defesa. E eu acho que nós vamos ser mais respeitados.

Parabéns, Jobim. E parabéns a todos que contribuíram para que nós pudéssemos estar vivendo o dia de hoje. Um grande abraço.

DISCURSO DO MINISTRO NELSON JOBIM


Presidente, isso tudo que estamos fazendo hoje, que Vossa Excelência está assinando no conjunto de sanção da alteração da Lei Complementar 97, como também da Medida Provisória, como também dos outros decretos que foram assinados, como também dos projetos enviados, faz parte exatamente do redesenho da Nova Defesa.

Tudo isso, senhor Presidente, começou em 2007, logo depois que assumimos o Ministério da Defesa, em uma conversa longuíssima com o deputado José Genoino. Depois, desenvolvemos essa conversa com o almirante Othon e, depois, com o doutor [incompreensível] Barbosa e com o doutor Pedro Celestino.

A partir dali, felizmente, tivemos a concorrência do ex-ministro Mangabeira Unger e dessa conversa iniciou longa discussão que envolveu todas as Forças, todos os Estados-Maiores, os comandantes, para começarmos a repensar essa estruturação da Nova Defesa.

O Ministério da Defesa era de 1999. As condições políticas da época somente permitiam o desenho de 1999. Mas já em 2010, nós tínhamos condições de ter um redesenho.

Este redesenho, Presidente, tem como característica a alteração dessa Lei Complementar 97, com inclusão do Ministério da Defesa… do ministro da Defesa na cadeia de comando das Forças. Antes, o ministro ficava na lateralidade como um chefe administrativo, agora ele passa a ser incluído também na cadeia de comando.

Cria-se o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, e com isso altera-se a doutrina das ações combinadas, antigas de [19]99, para alterações conjuntas a partir de 2010, ou seja, fica muito claro que competirá ao chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas o emprego e, aos comandantes das Forças, o preparo.

Daí porque o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas tem a mesma hierarquia e a mesma linha de prioridade dos comandantes de Forças, sendo escolhido pelo senhor Presidente da República e mantido até continuar com a sua confiança.

Senhor Presidente, reforça-se, efetivamente reforça-se e, nas discussões que travamos durante todo o período de elaboração desse conjunto, reforça-se claramente o Ministério da Defesa: passa o ministro da Defesa a indicar ao senhor Presidente da República os comandos de Força e o chefe do Estado-Maior Conjunto; antes ele era ouvido; indica ao Presidente a nomeação dos cargos de oficiais-generais; formula políticas das diretrizes dos produtos de defesa e elaboração em conjunto com consolidação das propostas orçamentárias para todas as Forças.

O projeto, Presidente, também soluciona alguns problemas que ocorreram com a definição do poder de polícia do Exército, ou seja, define-se com clareza o poder de polícia da Força Aérea, como também se dá poder de polícia à Marinha, que não tinha poder de polícia nas águas jurisdicionais brasileiras, ou seja, as águas internas, como também os 4,5 milhões de quilômetros quadrados de litoral correspondente às águas territoriais brasileiras.

Senhor Presidente, reestrutura-se o Ministério da Defesa, mantém-se a organização… a Secretária de Organização Institucional, mas cria-se uma Secretaria de Pessoal, Ensino, Saúde e Desporto, para exatamente fazer toda a articulação com as Forças e definir principalmente as áreas de saúde.

Cria-se a Secretaria de Produtos de Defesa, onde passará o Ministério da Defesa a definir “não executar compras”, mas definir a política de compras e a política relativa aos equipamentos das Forças no sentido, inclusive, de ampliar a participação do setor civil e da indústria nacional de defesa.

Cria-se a Escola Superior de Guerra, senhor Presidente, que tradicionalmente, há muitos anos, era uma grande sede de pensamento do Rio de Janeiro, passa-se a sua sede a Brasília, e passando para Brasília, cria-se também o campus de Brasília e o campus do Rio de Janeiro, para que possamos ter uma carreira civil de Defesa e, portanto, não fique o Ministério da Defesa, Presidente, sujeito, idiossincrasicamente, aos ministros que eventualmente passarem por ele, mas possa o ministro de Defesa, chegando ao seu ministério, encontrar uma memória montada e uma memória continuada.

E com isso, senhor Presidente, Vossa Excelência, com este ato, e com a disposição que tem Vossa Excelência no enfrentamento dessas questões, acaba, exatamente, de reconfigurar completamente a estrutura de Defesa do Brasil.

Presidente, o decreto que Vossa Excelência assinou, alterando a Estrutura Militar de Guerra, é um decreto que vinha do governo Figueiredo, ou seja, um decreto muito antigo, que não havia sido tocado.

Com a mudança e alteração da Estrutura Militar de Guerra da época para a Estrutura Militar de Defesa, nós definimos, (incompreensível) claramente a modernidade necessária para as Forças continuarem servindo ao Brasil e, fundamentalmente, servirem a toda a nação.

Essas, senhor Presidente, são as observações que o ministro da Defesa tem a fazer, e agradece o apoio de Vossa Excelência em todos esses (incompreensível).

E é fundamental, volto a repetir, referir a Vossa Excelência a colaboração deste pequeno grupo inicial: Pedro Celestino, Murilo, José Genoino, Sigmaringa Seixas “não obstante com todos os seus gaguejos, mas Sigmaringa participou claramente disso tudo” e do ministro Mangabeira Unger, que trabalhou intensamente na formulação… da formação da Estratégia Nacional de Defesa.

Mas tudo isso também não teria ocorrido, senhor Presidente, se Vossa Excelência não contasse com um trio de comandantes de Força de altíssimo gabarito.

Com a percepção clara sobre o futuro e com a percepção nítida que têm o almirante Moura Neto, o comandante do Exército, Enzo Martins Peri e o brigadeiro do ar Juniti Saito, em relação ao que se quer com o futuro do Brasil, o que se quer para o Brasil.

Volto a repetir e encerro, senhor Presidente, dizendo que o Brasil começa, então, a ter condições de ter aquilo que Vossa Excelência disse ao aprovar a Estratégia Nacional de Defesa: O Brasil terá condições de dizer “sim” quando no mundo tiver que dizer “sim” e quiser dizer “sim”, e precisar dizer “sim”. Mas o Brasil também terá condições de dizer “não” quando precisar dizer “não”, seja a quem for, seja ao Estado que for, na afirmação dos interesses brasileiros e nos interesses de sua soberania.

Roberto Silva

DEFESA BR

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Final do FX-2, MD Reforça Controle e Um Pouco de Robert McNamara

Final do FX-2, MD Reforça Controle e Um Pouco de Robert McNamara

Final do FX-2 em 7 de Setembro?

Na edição atual da revista Isto é, em uma matéria chamada “Jobim vai à guerra“, é dito o seguinte:

“Segundo um general-de-brigada, o Exército não será contemplado com nenhum dos grandes projetos a serem assinados no dia 7 de setembro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu colega francês Nicolas Sarkozy.”

Fica evidente, então, que o anúncio da decisão do FX-2 será feito em 7 de setembro, quando Lula e Sarkozy já assinarão o contrato para os 36 Rafales F3.

Mas quais serão esses outros grandes projetos a serem contratados por Brasil e França? Só podem ser referentes à MB e à FAB. Os submarinos já foram todos contratados. Só pode ser novidade.

Um caso seria o anúncio da aguardada encomenda francesa por 12 aeronaves cargueiras táticas KC-390. Mas não seria só isso. Dizem que tem muita coisa boa vindo por aí.

MD Reforça Controle -- a Lei de Nova Defesa

O presidente Lula sancionou em 25 de agosto a Lei que estrutura a Nova Defesa, com o fortalecimento do Ministério da Defesa, criado em 1999.

A Lei de Nova Defesa, resultado do PLC 10/2010, contempla uma nova estrutura das Forças Armadas com o Ministério da Defesa à frente. Até agora, trata-se do principal ato de tudo que foi planejado na Estratégia Nacional de Defesa (END), a qual passará a ser atualizada a cada 4 anos.

Ela começa a reestruturar o Ministério da Defesa, que passa a ter à frente novas tarefas e obrigações, especialmente na coordenação das Forças Armadas e na integração da área de Defesa com o projeto de desenvolvimento nacional.

Essa tomada estratégica é fruto do trabalho do professor Mangabeira Unger, como ressalta o presidente Lula em seu discurso (ver em vídeo abaixo) no evento.

As medidas estão sendo tomadas com o atraso de um ano. O cerne da questão é que o MD está subordinando os militares ao poder civil. Eles perdem autonomia, mas passam a ter poder de prisão (antes só o Exército tinha).

Para que comece a haver uma unificação de fato, uma interoperabilidade, é necessário que o controle sobre as aquisições de equipamentos e materiais das três Forças Armadas seja feito pelo Ministério da Defesa, cuja Secretaria de Compras visará alcançar substancial ganho de escala em suas atividades.

Jobim procura reduzir as autonomias das Forças Armadas em atividades que não são exclusivas de militares. Isto é essencial para o país buscar atingir um nível de eficácia em Defesa, pois um Cenipa não é uma atividade de Defesa.

Há muitos outros casos que precisam de mudanças radicais e urgentes. São distorções criadas ao longo do tempo, que vão do GTE, que hoje transporta pelo país todo tipo de autoridades da burocracia civil com dezenas de pilotos e aeronaves, ao controle aproximado do espaço aéreo de aeroportos civis, e até à operação desses aeroportos pela Infraero estatal.

O que não pode ser aceito em hipótese alguma, e o governo tem que ter muito cuidado onde pisa, é o possível aparelhamento do MD e das Forças Armadas por sindicalistas, pois foi o que ajudou a provocar todo o desencadear de fatos com auge em 31 de março de 1964.

Um Pouco de Robert McNamara -- Interessante Paralelo Brasil e EUA

Um membro de nosso Clube Defesa BR, o Tadeu Mendes, considerou interessante que certas medidas do ministro Nelson Jobim (como a criação da Secretaria de Compras do Ministério da Defesa) seriam quase idênticas às medidas que Robert McNamara tomou quando assumiu o Pentágono (sede da defesa dos EUA).

Ele buscou logo padronizar o sistema de compras das Forças Armadas, como também deu a palavra final para a adoção definitiva dos M-16 como o fuzil padrão para as quatro Forças.

Então, apenas por curiosidade, vejamos alguns pontos da administração McNamara e possíveis coincidências com o novo modelo brasileiro, projetado em grande parte pelo professor Mangabeira Unger.

John F. Kennedy convidou Robert McNamara para ser seu secretário da Defesa logo após sua eleição, em 1960.

Embora não conhecesse assuntos de defesa, McNamara mergulhou no assunto, aprendeu rapidamente, e logo começou a aplicar uma filosofia de gestão de “papel ativo”, em suas próprias palavras, “provendo uma liderança agressiva questionando, sugerindo alternativas, propondo objetivos e estimulando o progresso”.

Ele rejeitou mudanças organizacionais radicais, tais como as propostas por um grupo que Kennedy havia nomeado, liderado pelo senador W. Stuart Symington, que teria abolido os departamentos militares, substituído a junta de comandantes por um único chefe ou equipe, e estabelecido três comandos funcionais unificados.

McNamara aceitou a necessidade de serviços distintos, mas argumentou que “no final é preciso ter uma política de defesa, e não três políticas de defesa conflitantes. E é o trabalho do secretário e sua equipe ter certeza de que este é o caso.”

Kennedy afirmava que as Forças Armadas deveriam ficar constantemente sob comando e controle civis, e que a postura de defesa da nação tinha de ser “projetada para reduzir o perigo de guerra geral irracional ou não premeditada”.

Kennedy e McNamara rejeitaram a retaliação maciça por uma postura de resposta flexível. Os EUA queriam ter opções em uma situações de emergência que não fossem  “a retirada inglória ou a ilimitada retaliação”, como o presidente colocara.

Além de uma grande revisão dos desafios militares enfrentados pelos EUA, iniciada por McNamara, em 1961, veio uma decisão de aumentar as capacidades de “guerra limitada” da nação.

Estes movimentos eram significativos porque McNamara estava abandonando a política do presidente Dwight D. Eisenhower de retaliação maciça em favor de uma estratégia de resposta flexível, que se baseava no aumento de capacidade para os EUA conduzirem uma guerra limitada, não-nuclear.

Presidente John F. Kennedy e McNamara, 1962

(Foto Wikimedia Commons)

TV Senado -- Reestruturação das Forças Armadas – 26/08/2010:

Discurso de Lula – Lei da Nova Defesa – 26/08/2010:

Sancionada a lei que reestrutura o Ministério da Defesa – 27/08/2010:

Roberto Silva

DEFESA BR

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Lula Resolve Limitar Compras de Imóveis Rurais Por Estrangeiros

Mídia : Valor

Data : 24/08/2010

União limita compra de terras por estrangeiros

O parecer é de teor nacionalista e retoma a visão da Lei nº 5.709, sancionada em outubro 1971 pelo general Emílio Garrastazu Médici

Juliano Basile

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu limitar a compra de terras por estrangeiros e empresas brasileiras controladas por estrangeiros.

Ele assinou o parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) que restringe as aquisições de imóveis rurais por empresas que possuem pelo menos 51% ou mais de seu capital votante nas mãos de pessoas que não são brasileiras.

O texto prevê que as empresas sob controle estrangeiro não vão poder adquirir imóvel rural que tenha mais de 50 módulos de exploração indefinida (entre 250 a 5 mil hectares, dependendo da região do país).

Elas também terão de se limitar à implantação de projetos agrícolas, pecuários e industriais que estejam vinculados a seus objetivos de negócio previstos em estatuto. As áreas rurais pertencentes a empresas estrangeiras não poderão ultrapassar 25% do município.

O parecer é de teor nacionalista e retoma a visão da Lei nº 5.709, sancionada em outubro 1971 pelo general Emílio Garrastazu Médici durante o governo militar. Ela determinava que, em setores imprescindíveis ao desenvolvimento, só empresas de capital nacional poderiam comprar terras.

O parecer assinado por Lula tem um tom muito parecido e sua conclusão é a de que a lei de 1971 é compatível com a Constituição de 1988.

A decisão de Lula foi motivada pelo interesse de estrangeiros no Brasil diante da valorização das commodities agrícolas, da crise mundial de alimentos e do desenvolvimento de biocombustíveis.

O fato de o presidente ter assinado o texto da AGU torna obrigatório o seu cumprimento dentro da Administração Pública. Órgãos como o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) terão de seguir essas diretrizes ao analisar pedidos de companhias internacionais para comprar terras no Brasil.

Lula demorou quase dois anos para decidir se assinava ou não o texto da AGU. O Ministério da Defesa entendia que a aquisição de terras por empresas estrangeiras era permitida pela Constituição, portanto, um parecer da AGU não poderia resolver o assunto – seria necessária a aprovação de emenda constitucional. Já o Ministério da Justiça defendia uma diferenciação para as compras realizadas na Amazônia.

O texto não tem efeito retroativo – não anula compras de terras feitas por estrangeiros até a semana passada. No mês passado, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou que os cartórios do país façam o registro de todos os casos de terras adquiridas por estrangeiros.

Nosso Comentário:

Lula Resolve Limitar Compras de Imóveis Rurais  Por Estrangeiros

Finalmente as torneiras desse descalabro de vendas de terras a estrangeiros começam a ser fechadas. Países inteiros, como a China mesma, resolveram sair pelo mundo para adquirir terras para seu bel proveito. Nossa sociedade e agricultores sairiam perdendo mais uma vez.

O presidente Lula assinar este parecer da AGU foi um primeiro passo, mas não tem efeito retroativo. Ele já demonstrava estar incomodado com a situação há bastante tempo, até em seus discursos.  No ano passado, ele já havia fechado as portas na Amazônia.

Uma mudança constitucional à frente poderá determinar que qualquer imóvel rural pertencente a estrangeiros perca essa condição, ou seja, que a venda seja cancelada ou o imóvel seja revendido, obrigatoriamente, sob determinadas sanções.

Mas não são apenas os imóveis rurais que precisam de proteção, pois se referem a commodities agrícolas, alimentos e biocombustíveis.

Há outras áreas sendo ameaçadas que precisam de proteção urgente, como é o caso de atividades como a de extração mineral.

Neste campo, estão o valorizado minério de ferro, diversos minérios estratégicos e os também bastante estratégicos insumos para fertilizantes, entre outros.

Roberto Silva

DEFESA BR

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FX Naval da MB Escolheu Fragatas FREMM Com VLS de Mísseis Sylver

FX Naval da MB Escolheu Fragatas FREMM Com VLS de Mísseis Sylver

Com a exigência da MB de operar escoltas multimissão de aproximadamente 6.000 ton, aptas a uma marinha realmente de águas azuis, surgiu a FREMM francesa, da DCNS, como nova opção a ser oferecida pelos franceses ao Brasil, para acompanhar o contrato de construção local dos submarinos.

Em novembro de 2008, passamos a ver o projeto de construção de fragatas virando um verdadeiro FX Naval, com “F” de Fragata em vez de “F” de Fighter, aquele FX de Caça da FAB. Inclusive, as regras iriam ser semelhantes, com duas fases e até com uma short list final. O jogo estava sendo feito e a mesa fervia.

Novos participantes do FX Naval preparavam-se para chegar, como Alemanha, Rússia e Reino Unido. A Itália sequer era mencionada. A escolha acabou sendo tomada de forma bastante discreta, longe da imprensa, reservada mesmo.

Quando o Brasil promoveu em 12 de abril de 2010 um acordo estratégico com a Itália, incluindo projetos e construção naval na área da Defesa, ficou claro que as FREMM italianas já tinham sido as escolhidas, as grandes vencedoras do FX Naval da Marinha do Brasil.

Duas Fragatas Multimissão FREMM italianas.

Os dois governos discutiam formas para compensar a excessiva aliança do Brasil com a França na área de defesa, em detrimento da Itália, apesar dos laços históricos e da forte colônia italiana no Brasil, principalmente ao sul do país.

Já em maio de 2010, foi noticiado que a MB irá construir no Brasil 18 escoltas FREMM e mostrou-se possível que a sua construtora naval viesse a ser a Odebrecht, mesma construtora dos futuros submarinos, em Itaguaí, pois o governo não abre mão da parceria entre uma empresa detentora de tecnologia, um estaleiro projetista internacional, e um estaleiro brasileiro.

Depois de arrendar o atual estaleiro Ishibrás, localizado na Baía de Guanabara, Rio de Janeiro, a Petrobras passará para outra empresa administrar o futuro estaleiro Inhaúma, o qual será destinado também a construir e converter plataformas da estatal para atuação no Pré-Sal.

O contrato sobre as FREMM italianas e demais navios que serão construídos para a Marinha do Brasil foi assinado pelo presidente Lula e o primeiro-ministro Silvio Berluscone durante sua visita ao Brasil, em julho de 2010.

Trata-se de um pacote inicial de US$ 12,7 bilhões para a aquisição com construção local de 18 fragatas multimissão ítalo-francesas FREMM, 10 Navios de Patrulha Oceânica da Classe Comandante e 1 LSV (Logistics Support Vessel -- Navio de Suporte Logístico) da Classe Etna.

A primeira entrega está prevista com 3 fragatas FREMM e 3 NaPaOc, com opção de entrega futura para mais 5 embarcações. O navio de apoio da Classe Etna será usado para reabastecimento e carregamento de munição.  Deverá substituir o NT Marajó.

Lançador VLS Sylver

As fragatas FREMM na versão brasileira deverão contar com lançadores VLS SYLVER, que suportam uma interessante gama de mísseis, indo desde os mísseis anti-aéreos ASTER 15 até os mísseis de cruzeiro SCALP Naval.

Módulo VLS Sylver no NAe francês Charles De Gaulle.

ASTER 15 – 16/06/2006:

Esses lançadores multi-células verticais da francesa DCNS foram selecionados para o programa das Fragatas Multi-Missão (FREMM) franco-italianas em 2005.

O lançador VLS (Vertical Launch System) de navio Sylver foi concebido para armazenar e lançar a última geração de mísseis anti-aéreos, como os ASTER 15 e ASTER 30.

Apesar do principal cliente do Sylver ser a família de mísseis ASTER, foi anunciado que o Sylver poderia eventualmente acolher mísseis anti-navios supersônicos de cruzeiro ANF, mísseis anti-aéreos Standard e ESSM, foguetes anti-submarinos ASROC, e mísseis de cruzeiro Tomahawk e SCALP Naval.

O módulo VLS Sylver possui 8 células que podem ser adaptadas a diferentes tipos de mísseis. Cada módulo Sylver ocupa uma área de 6 metros quadrados e é adequado para diversos tipos de navios, que vão desde corvetas até navios-aeródromos.

O rendimento de um único módulo Sylver (pdf) é de até 6 tiros por segundo. Para mísseis de pequeno porte (de até 3,5 m), como o MICA de lançamento vertical, existe o módulo A-35.

Já o VLS Sylver A-43 foi desenvolvido para apoio ao sistema de defesa aérea SAAM, que é baseado nos mísseis de curto alcance Aster 15. O módulo Sylver A-50 foi desenvolvido para apoio ao sistema de defesa aérea PAAMS, disparando tanto mísseis Aster 15 como Aster 30 maiores.

O módulo Sylver A-70 foi desenvolvido para ser integrado às fragatas FREMM. Ele mede 7 m de altura e pode disparar os grandes mísseis de cruzeiro (longo curso) superfície-superfície, como o Tomahawk e o SCALP Naval.

Sylver Vertical Launch System (VLS) – 21/01/2010:

Além das FREMM, o VLS Sylver foi selecionado para a integração nos navios-aeródromo Charles de Gaulle e Cavour, nas fragatas franco-italianas Horizon, nos destróieres Type 45 do Reino Unido, além das fragatas da Classe Al Riyadh da Arábia Saudita e da Classe Formidable de Singapura (ambas sobre o projeto da La Fayette).

Segundo a DCNS, as principais vantagens de lançadores verticais como o Sylver são a alta cadência de disparo, adaptabilidade a um variado leque de missões e economia de espaço no convés. Os lançadores são produzidos na unidade da DCNS em Ruelle, próximo a Angoulême, no sudoeste da França.

Com o advento do Plano de Articulação e de Equipamento da Marinha do Brasil -- PEAMB, que prevê investimentos de até 80 bilhões de euros, passou-se a discutir a necessidade de 2 navios-aeródromos de 40 mil a 50 mil ton, 4 LHD de cerca de 20 mil ton, 30 navios de escolta, 15 submarinos convencionais, 6 submarinos nucleares, além de 62 navios de patrulha. Serão todos eles candidatos a usuários do VLS Sylver.

Projeto do futuro NAe francês, que também poderá ser o dos brasileiros.

(Arte Meretmarine)

Scalp Naval -- Submarine & Surface Launched – 22/04/2008:

Roberto Silva

DEFESA BR

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Indianos Estranham Preço Caro de Novos Su-30 da Amiga Rússia

Mídia : DNA

Data : 17/08/2010

Negócio de aeronaves com ‘amiga’ Rússia custa caro

Por Suman Silva | Local: New Delhi | Agência: DNA

Com um aumento astronômico de 155% no preço em três anos, o avião de caça russo Sukhoi-30 parece estar indo pelo caminho do Gorshkov.

O negócio do porta-aviões Admiral Gorshkov foi feito em 2004 por US$ 974 mil, mas foi renegociado em 2010 para US$ 2,3 bilhões.

Depois que a Força Aérea Indiana (IAF -- Indian Air Force) escreveu ao Ministério da Defesa manifestando preocupação com a sua esgotada força e pressionando pela compra imediata de 40 Sukhois-30s sob o abrigo da lei de via rápida, que não garante competição aberta, um acordo foi firmado com a Rússia em 2007 por US$ 1,6 bilhão, que é de R$ 40 milhões por unidade.

Os números mais recentes apresentados no parlamento, no entanto, mostram que em um outro negócio de 40 + 2 Sukhois (2 são substitutos para aeronave que caiu no ano passado), que serão fabricados pela Hindustan Aeronautical Limited (HAL), sob licença da Irkutsk, da Federação da Rússia, foi atingido o valor de US$ 4,3 bilhões, sendo US$ 102 milhões a unidade.

O último acordo vai fazer o inventário da IAF ficar forte em 270 caças, e fazer da Índia a maior operadora de Sukhois até 2018, quando a HAL deverá entregar a aeronave.

Mas a escalada dos custos não pode ser justificada, principalmente porque o avião que está sendo fabricado pela HAL não tem recursos avançados, como o radar AESA (matriz ativa digitalizadas eletronicamente). Peritos da Defesa, na verdade, são de opinião que, já que a linha de montagem está em Bangalore, onde a HAL é baseada, o último negócio deveria ter tido um custo menor.

O negócio torna-se ainda mais deficitário já que cada avião de combate americano de quinta geração F-35, fabricado pela Lockheed Martin, tem o preço de US$ 100 milhões.

O F-35, um caça furtivo avançado com características tais como supercruise e radar AESA, concorre com caças de quarta geração, como o Eurofighter Typhoon e o Rafale francês, por negócios na Noruega e Dinamarca.

O norte-americano F-16, também fabricado pela Lockheed Martin, está competindo na Índia pelo negócio de caças da IAF com Typhoon e Rafale.

A IAF já tem esses caças de geração 4+, que estão aguardando autorização para atualização em um acordo separado envolvendo Irkutsk e HAL.

A “atualização profunda” irá incluir recursos avançados de combate, sistemas e aviônica, o que aumentaria o desempenho do vôo e manteria as aeronaves em serviço por uma duração mais longa. A principal característica da “atualização profunda” é a inclusão dos radares AESA, substituindo os radares passivos nos Sukhois da IAF.

O bimotor peso-pesado Sukhoi entrou em serviço na IAF em 2000, após liberação em 1997, mas não tem sofrido qualquer atualização desde então.

Traduzido por Roberto Silva com exclusividade para o DEFESA BR

—————-

Versão original:

Aircraft deals with ‘friend’ Russia costing dear

Published: Tuesday, Aug 17, 2010, 0:30 IST

By Suman Sharma | Place: New Delhi | Agency: DNA

With an astronomical 155% increase in price in three years, the Russian Sukhoi-30 fighter aircraft seem to be going the Gorshkov way.

The deal for aircraft carrier Admiral Gorshkov was hammered in 2004 for $974 million (Rs4,560 crore), but it was renegotiated in 2010 at $2.3 billion (Rs10,770 crore).

After the Indian Air Force (IAF) wrote to the ministry of defence expressing concern at its depleting strength and pressing for immediate purchase of 40 Sukhois-30s under the fast-track provision, which does not warrant tendering or open competition, a deal was inked with Russia in 2007 for $1.6 billion (Rs7,490 crore), that is $40 million (Rs190 crore) a piece.

Latest figures tabled in parliament, however, show that another deal for 40 + 2 Sukhois (2 are replacements for aircraft that crashed last year), to be manufactured by Hindustan Aeronautical Limited (HAL) under licence from the Russian Federation’s Irkutsk, has been struck for $4.3 billion (Rs20,125 crore), that is $102 million (Rs480 crore) a piece.

The latest deal will make the IAF inventory 270-strong and India the largest operator of Sukhois by 2018, when HAL is to deliver the aircraft.

But the escalation in cost cannot be justified, especially since the aircraft being manufactured by HAL do not have enhanced features, such as the AESA (active electronically scanned array) radar. Defence experts, in fact, are of the view that since the assembly line is in Bangalore, where HAL is based, the latest deal should have cost less.

The deal becomes even more loss-making since American fifth-generation fighter aircraft, F-35, manufactured by Lockheed Martin are priced at $100 million (Rs470 crore) a piece. F-35, an advanced stealth fighter with features such as supercruise and AESA radar, competes with fourth-generation fighters, such as Eurofighter Typhoon and the French Rafale, in Norway and Denmark for deals.

The American F-16, again made by Lockheed Martin, is competing in India for IAF’s fighter jet deal with Typhoon and Rafale.

IAF already has these four-plus generation fighters, which are awaiting clearance for upgrade in a separate deal involving Irkutsk and HAL.

The “deep upgrade” will include enhanced combat features, systems and avionics, which would increase the flight performance and keep the aircraft in service for a longer duration. The biggest feature of the “deep upgrade” is the inclusion of the AESA radars replacing the passive radars in IAF Sukhois.

The twin-engine heavy-weight Sukhoi entered IAF service in 2000 after clearance in 1997, but has not undergone any upgrade since.

(All currency conversions are based on current rate and are approximate)

Nosso Comentário:

Indianos Estranham Preço Caro de Novos Su-30 da Amiga Rússia

A pergunta a fazer é por que o F-35, um caça avançado de 5ª Geração, concorre com caças de quarta geração pelo mundo por apenas US$ 100 milhões? Não seria porque Noruega e Dinamarca fizeram parte do projeto da pela Lockheed Martin desde seu início?

Lembro que a Lockheed Martin veio ao Brasil procurar a Embraer com o mesmo objetivo, mas levou um não, baseado no fato de que o Brasil jamais teria condições de adquirir um caça desse porte. Pelo fato de ser americano e sem qualquer transferência de tecnologia está certo o não.

Não fosse este aspecto fundamental, ele nos cairia bem hoje. Para quem paga US$ 100 milhões por um Typhoon ou Rafale, de geração anterior, por que não ficaria feliz em comprar pelo mesmo preço um F-35?

O problema é que os crescentes custos do projeto deixam dúvidas sobre sua continuidade. Os mais maldosos já o chamam de “tijolo de vidro”. Vidro, por ser tão furtivo que ficaria transparente ao não mais existir após um eventual cancelamento. Tijolo, por ter custos tão altos que ainda o deixem pesado como um tijolo, ou seja, não saia do chão.

Russia hikes Sukhoi prices – 14/08/2010:

Indian Air Force -- Sukhoi-30- Salsa in the Sky -- 12/04/2010:

Indian Air Force in 2020 -- 03/11/2009:

(vídeo com interessante projeção do inventário da IAF em 2020)

Roberto Silva

DEFESA BR

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Embraer Dá Sinal Verde Para Novo Cargueiro KC-390

Mídia : Estado de São Paulo

Data : 17/08/2010

Embraer dá sinal verde para novo cargueiro

Maior avião que a companhia já construiu, o KC-390 decolará pela 1ª vez em 2014

Roberto Godoy – O Estado de S.Paulo

O maior avião que a Embraer construiu, o transporte de tropas, tanque para reabastecimento em voo e cargueiro de emprego geral KC-390, já tem a primeira decolagem marcada – será em novembro de 2014, pouco depois da cerimônia de roll out.

Essa é uma festa tradicional, marca o momento em que um avião, ainda protótipo, deixa a linha de montagem e rola para fora do hangar, iniciando a etapa de avaliação da sua capacidade.

O primeiro voo de uma unidade de série será realizado dois anos depois, em 2016.

O Comando da Força Aérea é o principal investidor do programa. Em abril de 2009 foi autorizada a dotação total de R$ 3,028 bilhões para o desenvolvimento do projeto e produção dos modelos preliminares, dois deles, com duração de sete anos.

Há duas semanas, a FAB anunciou a disposição de adquirir um lote inicial de 28 aviões KC-390. Pelo atual valor de mercado dos equipamentos da mesma classe, o negócio é estimado em R$ 3,04 bilhões.

“Com isso, o governo deixa claro que o programa é irreversível e afinado com a Estratégia Nacional”, considera o ministro da Defesa, Nelson Jobim.

O ministro tem planos para envolver a Embraer como receptora de tecnologias de ponta, e não apenas no setor aeronáutico, implícitas no processo de reequipamento das Forças Armadas.

O tema foi discutido na semana passada, em São Paulo com Frederico Curado, presidente da empresa, e Orlando Ferreira Neto, vice-presidente para o mercado de Defesa. Segundo Jobim, foi uma discussão conceitual.

Mudanças.

O KC-390 vai disputar um enorme e rico mercado internacional. De acordo com o presidente Curado, serão ao menos 700 aviões de transporte médio – na faixa pouco acima de 20 toneladas e cerca de 2.700 quilômetros de alcance – contratados até 2020. Ao longo do período, o produto vai sofrendo mudanças.

A carga útil, por exemplo, aumentou de 19,5 para 23,6 toneladas, quatro mil quilos a mais em relação à especificação inicial. O teste de volume, utilizando uma maquete industrial do compartimento interno, permitiu acesso de dois tipos de blindados, a carreta padrão do sistema Astros, lançador de foguetes da Avibrás, de 15 toneladas, e um veículo de comando, de 14 toneladas.

A configuração eletrônica adota tecnologia Computed Air Release Point, a CARP, que permite o lançamento de cargas com precisão. Os pilotos contarão com visores digitais e sistema de visão noturna a partir de recursos óticos integrados aos capacetes.

O KC-390 terá recursos específicos de autodefesa, como despistadores de mísseis e dispositivo de interferência eletrônica.

Os próximos meses serão intensos. Ainda não foi decidido o fornecedor dos motores, que devem ter “menos de 30 mil libras e mais de 25 mil libras de empuxo”, diz Orlando Ferreira Neto. É uma forma de manter os custos baixos sem perdas no desempenho: o jato deve voar a 850 km/hora, com ganho de rendimento de ao menos 15% em relação aos concorrentes.

Ainda assim, não será uma aeronave experimental. Em entrevista durante o Salão de Farnborough, na Inglaterra, Ferreira declarou que “a ideia é empregar o máximo de conhecimento provado – não estamos reinventando a roda aqui”. O resultado final, garante, “é oferecer performance e custo em condição de vantagem frente ao mercado”.

Em missão de reabastecimento de aeronaves no ar – inclusive de outros KC-390 – o birreator leva a bordo 37,4 toneladas de combustível, 14 das quais acomodadas em dois tanques extras.

No novo desenho de mobilização de forças o deslocamento rápido exige transporte aéreo para qualquer ponto. Prevendo o pouso e decolagem em pistas precárias, o KC-390 pode atuar sobre terreno semipreparado, com buracos de até 40 centímetros de profundidade.

Soldados equipados, prontos para entrar em ação, ou os feridos evacuados de áreas devastadas por catástrofes, vão viajar no conforto de uma cabine pressurizada e climatizada da mesma forma que nos aviões comerciais.

Gavião Peixoto.

A cadência de produção prevê uma aeronave e meia, de série, por mês. As instalações industriais de complexo de São José dos Campos serão expandidas, mas a maior parte dos investimentos será concentrada na planta de Gavião Peixoto, 300 quilômetros distante de São Paulo. Ali vai funcionar a linha final de montagem.

O programa do cargueiro vai gerar, até 2016, perto de 1,8 mil novas vagas, 600 delas na Embraer, acredita o Sindicato dos Metalúrgicos. Há uma certa euforia na pequena cidade de 4,2 mil habitantes na região noroeste. A fábrica mantém 2.221 vagas.

“O programa KC-390 vai consolidar o segundo polo aeronáutico em Gavião Peixoto”, sustenta o economista e consultor João Victor de Freitas, para quem “essa é a saída para o estrangulamento da unidade de São José dos Campos, e uma forma de estimular o surgimento de outro núcleo especializado, estrategicamente distante do primeiro”.

Nosso Comentário:

Embraer Dá Sinal Verde Para Novo Cargueiro KC-390

O que mais me intrigou na matéria do Roberto Godoy foi esse trecho sobre o ministro ter planos para envolver a Embraer como receptora de tecnologias de ponta, e não apenas no setor aeronáutico, mas implícitas no processo de reequipamento das Forças Armadas. Embraer e MD tiveram até uma reunião para “discussão conceitual”.

Se pensarmos no que está implícito nesse processo e abrirmos bem nossas mentes, iremos de capacetes a grandes navios de guerra, passando até pelo soldado do futuro.

Assim, nossas dúvidas só fazem aumentar e não chegamos a lugar algum sobre esse mistério do que podem estar preparando para a Embraer no futuro. Uma coisa é certa. Haverá muitas verbas no caminho dela. Dará para a Embraer dizer não ao MD?

Quanto ao KC-390, agora só faltam aparecer as suas variantes, que poderão ir de uma versão AEW a uma AC-390, aquele infame vetor carregado de metralhadoras que os americanos utilizaram no Iraque.

Os nossos R-99 para vigilância eletrônica e sensoriamento remoto já estarão precisando de substituição no médio prazo. Uma versão de patrulhamento marítimo passou a ser ainda mais necessária com o advento do Pré-Sal.

Um leque de funções importantes incluiria Alerta Aéreo Antecipado, Inteligência Eletrônica, Gerenciamento do Espaço Aéreo, Alocação e Controle de Caças, Suporte a Patrulhamento Marítimo, e até o tão falado hoje Controle de Fronteiras. O que será que vem por aí?

Roberto Silva

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MB Adquirindo C-1 Traders e S-2 Trackers para o A-12 São Paulo

Mídia : ALIDE

Data : 13/08/2010

Felipe Salles

Segundo ALIDE apurou hoje com suas fontes dentro da Aviação Naval, a Marinha do Brasil estaria muito perto de concluir o longuíssimo processo de obtenção dos aviões embarcados Grumman S-2 que serão operados pelo novo Esquadrão VR-1.

Quatro células de S-2 Tracker com motores radiais foram obtidas na Austrália para modificação para S-2T com motores turboélices Garrett pela maior especialista neste tipo de conversão no mundo, a empresa americana Marsh Aviation. A Marsh já inspecionou estas células e se pronunciou favoravelmente para seu uso.

Em paralelo, outras oito células de C-1 Trader (versão COD – “Carrier Onboard Delivery” do veterano Tracker) ex-U S Navy, foram localizadas em bom estado nos EUA.

Os Traders apresentam uma fuselagem diferente, com maior volume interno, que o Tracker original. Apenas quatro destes Traders serão recuperados e remotorizados para a MB, os demais sendo usados como fontes de peças.

Um outro S-2 da Armada Uruguaya será adquirido também como fonte de peças, junto com uma grande quantidade de peças de reposição para S-2 que aquela força dispõe em seus estoques. A idéia é que este material será trocado por serviços como o PMGA (inspeção de grande monta), recuperação de ítens e treinamento de tripulações uruguaias para o Esquilo Bi doado pelo Brasil há alguns anos.

Os Trackers ex-Austrália receberão novos sistemas de radar, de navegação e de comunicação e passarão a realizar a missão de AEW – Alerta Aéreo Antecipado para o Grupo Tarefa do São Paulo.

Os Traders, por sua vez, serão usados para transportar pessoal e material entre bases em terra e o Navio Aeródromo. Adicionalmente, esta versão será responsável por reabastecer em vôo os caças embarcados A/F-1 Skyhawk da Marinha do Brasil.

A Royal Australian Navy empregou dois esquadrões de S-2E e de S-2G (o VS-816 e o VC-851) entre os anos de 1967 e 1984.

Nosso Comentário:

MB Adquirindo C-1 Traders e S-2 Trackers para o A-12 São Paulo

Diversas interpretações surgiram com a compra dos Traders esta semana. O Felipe Salles da ALIDE nos ajudou a compreender o que está realmente acontecendo.

A função AEW no A-12 será exercida pelos 4 S-2 Tracker recentemente adquiridos da Austrália, os quais serão modificados para S-2T pela americana Marsh Aviation, como previsto há tempos. Será criado o Esquadrão VR-1 para a sua operação.

A tal visita técnica que a MB fará no Uruguai para inspeção de células de S-2 Tracker é apenas para reposição. Um S-2 da Armada Uruguaya será adquirido como fonte de peças, mais todo o estoque de peças de reposição daquela Armada.

A Marinha Uruguaia entregará à Marinha do Brasil um Grunman S-2G Tracker matrícula A-854 e um lote de peças em troca de recolocar e manter em serviço um helicóptero Helibras HB-55 Esquilo, vendido a um preço simbólico pelo Brasil. Este Esquilo hoje está parado devido à falta de recursos para a sua manutenção.

As funções COD (Carrier Onboard Delivery) e REVO (Reabastecimento em Voo) no A-12 serão exercidas por 4 das 8 células de C-1 Trader (uma variante de carga do Tracker), adquiridas por US$ 234,8 milhões em bom estado nos EUA. Os 4 demais serão usados como fontes de peças estruturais. Como COD, os Trader irão transportar pessoal e material entre bases em terra e o Navio-Aeródromo.

Estas funções de AEW, COD e REVO para o A-12 não podem ser exercidas por aeronaves novas, atuais, pois este antigo NAe é pequeno e somente aceita aviões menores. Portanto, estes também antigos aviões modernizados com motores, aviônica e radares todos novos terão ainda muitos anos pela frente, dado seu excelente estado estrutural.

O mais importante é mesmo compreendermos a necessidade de haver uma continuidade no processo de doutrinamento dessa complexa ala aérea da MB.

Quando os futuros NAes chegarem um dia – a MB prevê construção de dois na faixa de 50 mil ton – as tripulações estarão aptas a receberem o que de mais moderno existir na sua época. E isso não tem preço, ou melhor, tem todo um longo custo de sacrifício e um longo aprendizado de anos a fio. Nenhuma Marinha do mundo consegue isso da noite para o dia.

Grumman S-2 Tracker – 26/12/2008:

Grumman C-1 Trader at the Fresno Airshow – 03/05/2010:

UsS Valley Forge 2of2 -15/08/2007:

Roberto Silva

DEFESA BR

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Itália Prepara o Caminho Para Novos Navios de Assalto Anfíbio

Mídia : Aviation Week

Data : 27/06/2010

Itália prepara o caminho para novos navios de assalto anfíbio

Por Andy Nativi

Gênova -- Itália

A Marinha Italiana recebeu luz verde para adquirir dois navios de assalto anfíbio (LHDs) de 20.000 toneladas, além de um terceiro, que será teoricamente configurado para facilitar intensas operações aéreas (LHA).

O projeto preliminar LHD foi financiado na sua totalidade e levará 12 meses para conclusão. A fase de definição do projeto seguirá no mesmo ritmo, o que exigirá 8 meses de testes ininterruptos de limites operacionais.

Estes cruciais estágios provisórios terão um impacto direto nas negociações do contrato final. A entrega do primeiro navio de assalto está prevista para o prazo de 30 meses após a aprovação, e o primeiro LHD está previsto para chegar a seus proprietários no final de 2014.

Estes LHDs da próxima geração irão substituir dois LPDs (Landing Platform Docks) da Classe San Giorgio, de 8.000 ton, que foram comissionados em 1987 e 1988.

O LHA irá eventualmente substituir em missão o Navio-Aeródromo Garibaldi, que está sendo convertido para o emprego de anfíbios e helicópteros.

Esta redesignação foi essencialmente catalisada pelo batismo do NAe Leve CVH Cavour, o qual foi construído com a finalidade de operar plataformas aéreas V/STOL (Vertical / Short Takeoff and Landing).

Os novos LHDs terão como característica uma boa doca capaz de manter quatro LCACs (Landing Craft Air Cushions), e ostentarão um hangar com uma área dedicada para manutenção, onde seis helicópteros médio-pesados poderão ser recuperados.

A capacidade máxima de helicóptero estará na faixa de 12-15, dependendo das variantes (imaginariamente, estas poderiam incluir os EH101, helicópteros de guerra anti-submarina e anti-superfície, adquiridos no ano passado da empresa anglo-italiana AugustaWestland).

Uma característica do projeto é a capacidade de transformar rapidamente esses vasos navais diretamente para papéis de proteção civil, principalmente.

Esta exigência impõe muitos recursos -- por exemplo, capacidade de geração elétrica e de purificação de água em larga escala, incluindo a implantação de modernos tubos flexíveis para a transferência de água navio-cais ou navio-navio.

A especificação da suíte de sensores e do sistema de combate ainda está para ser confirmada por fontes oficiais.

No entanto, o LHD vai efetivamente se destacar com uma extensa gestão de combate e sistema de comando, radar de busca e navegação de múltiplos papeis, e sistema de proteção de guerra eletrônica (incluindo lançadores de chamarizes, decoys).

O navio terá diversos sistemas de armas, incluindo metralhadoras de 25mm e, potencialmente, um ou mais Oto Melara 76/62-mm -- a variante de fabricação italiana de canhão naval capaz de disparar 85 tiros por minuto.

A fim de reduzir custos, os LHDs serão construídos em padrões comerciais e modificados para melhorarem a sobrevivência, mas não irão receber a gama completa de especificações militares.

Compensações entre custo e capacidade de sobrevivência ainda são objeto de debate contraditório. O custo estimado de cada navio é de EUR 300 milhões (US$ 369 milhões), excluindo os sistemas de combate.

Traduzido com exclusividade para o Defesa BR por Roberto Silva

Texto Original:

Italy Paves the Way for New Amphibious Assault Vessels

The Italian navy has received the go-ahead to procure two 20,000-ton amphibious assault ships (LHDs) in addition to a third, which is notionally configured to facilitate extensive aviation (LHA) operations. The preliminary LHD project has been funded in its entirety and will take 12 months for completion. A project definition phase will follow on closely, which will require eight months of uninterrupted testing of operational limits. These crucuial interim stages will directly impact final contract negotions. Delivery of the initial assault vessel is scheduled within 30 months of approval and the first LHD is planned to arrive to plank owners in late 2014.

These next generation LHDs will replace two 8,000-ton San Giorgio-class LPDs (Landing Platform Docks), which were commissioned in 1987 and 1988. The LHA will eventually replace the legacy carrier Garibaldi, which is being converted to amphibious and helicopter roles. This redesignation was primarily catalysed by the christening of the light carrier CVH Cavour, which was purpose built to deploy V/STOL (Vertical / Short Takeoff and Landing) platforms. The new LHDs will feature a well dock capable of holding four LCACs (Landing Craft Air Cushions), and boast a hangar with a dedicated maintenance area where six medium-heavy helicopters can be recovered. Maximum helicopter capacity will be in the range of 12-15, variant dependent (notionally, these could include AW101 Anti Submarine and Anti Surface Warfare helos acquired last year from the Anglo-Italin firm AugustaWestland) .

A feature of the design is the capability of fast-tracking such naval vessles directly into civil protection roles, primarily. This requirement dictates many capabilities – for instance, large-scale electric generation and water purification capacity, including the deployment of modern flexible hoses for ship-to-dock or ship-to-ship water transfer.

The specification of the sensor suite and combat system is yet to be confirmed by official sources. However, the LHD will effectively bristle with an extensive combat management and command system, multi-role search and navigation radar, and electronic warfare protection system (including decoy launchers). The ship will have several gun systems including 25mm machine guns and potentially one or more Oto Melara 76/62-mm -- the Italian manufactured naval cannon variant capable of firing 85 rounds per minute.

In order to reduce costs, the LHDs will be built to commercial standards and modified to improve survivability, but will not receive the full complement of military specifications. Tradeoffs between cost and survivability are still the subject of contentious debate. The estimated cost of each ship is EUR 300 million ($369 million), excluding combat systems.

Nosso Comentário:

Esta notícia é de junho, mas merece ser postada pois, muito provavelmente, estes projetos foram oferecidos à Marinha do Brasil, que poderá vir a encomendá-los juntamente com a Marinha Italiana.

Não sabemos ainda o andamento das negociações, mas o Brasil parece ter se decidido por navios de guerra italianos, sendo que deseja poder construí-los localmente. Este é o caso das fragatas FREMM.

O custo de US$ 369 milhões para os LHDs e LHAs não é tão pesado para complexos navios de 20.000 toneladas, porém, isso só é obtido em detrimento de alguma capacidade de sobrevivência, seja lá o que venha a ser de fato em águas hostis.

Eles serão construídos em padrões comerciais apenas com “modificações para melhorarem a sobrevivência”. Um aumento de 30% no preço original deveria resolver o problema. Sobrevivência não parece ser uma área para economias feitas com calculadoras financeiras de quem jamais estará a bordo em conflitos.

Do jeito que os LHDs e LHAs italianos de próxima geração estão sendo projetados, com US$ 2 bilhões, seria possível encomendar 6 unidades, com desconto.

Já pelo tamanho da encomenda, seria possível manter esse preço e melhorar muito mais a prezada sobrevivência deles.

Futuro LHD da Itália (Foto Mike Colombaro)

O LHD italiano (Arte Marinha Italiana)

Portaaeronaves para Chile -- Puesta en Marcha – 07/12/2009:

An LCAC enters the well-deck aboard USS Essex (LHD 2) – 25/02/2009:

A Navy LCAC comes aboard USS Iwo Jima (LHD 7) – 30/05/2008:

US Navy, LCAC from LHD-6 – 28/09/2007:

Roberto Silva

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Reino Unido Usou CS da ONU Para Pressionar Brasil

Mídia : Folha de São Paulo

Data : 06/08/2010

Reino Unido usou Conselho de Segurança da ONU para pressionar Brasil

De São Paulo

Um “alto funcionário” do governo britânico esteve em Brasília no início do ano para dizer que o país perderia apoio no pleito por cadeira no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) se insistisse em negociar o impasse nuclear com o Irã, opondo-se às sanções. A informação é de Claudia Antunes, na edição desta sexta-feira da Folha de S.Paulo.

Os britânicos teriam inclusive citado o exemplo da África do Sul, que teria se inabilitado ao poderoso órgão da ONU quando, como membro não permanente em 2007, se opôs à condenação do Zimbábue.

Na época, os sul-africanos perfilavam-se como intermediários de negociações entre o ditador Robert Mugabe e a oposição, que levaram em 2008 a um gabinete de coalizão, após a vitória opositora em eleições.

O embaixador Marcel Biato, da assessoria internacional da Presidência, disse ter rejeitado a pressão britânica.

“Eu disse que havia uma pequena confusão. Não é que para o Brasil seja um objetivo entrar neste Conselho. O Conselho de Segurança é um instrumento. Entrar num conselho que nos servirá de camisa de força, constrangidos a adotar posições a contragosto, não faz jus à nossa história.”

Nosso Comentário:

Reino Unido usou CS da ONU para pressionar Brasil

A imprensa hoje repercute essa notícia. Caso seja verdade e o Brasil fosse mesmo perder apoio no pleito pelo CS da ONU, fica evidente que se trata de um perigoso clube fechado de amigos, em que todos obedecem ao mais forte e hegemônico.

O mais interessante nesse conselho é que alguns membros perdem representatividade de nível mundial a ritmo acelerado, como é o caso do próprio Reino Unido, como os ingleses gostam de ser chamados. Eles sempre obedecem a quem realmente manda e essa mensagem apenas os teve como portadores.

O Brasil tem feito de tudo para galgar esse degrau no cenário internacional. Mas será que vale mesmo a pena ter sempre que obedecer ao senhorio, como fizeram Rússia, China e França no caso do Irã frente aos objetivos do Departamento de Estado de Hillary Clinton?

Ou será melhor manter a sua independência a uma certa distância do grupo e da evidente unanimidade? Fica então essa dúvida para meditação de fim de semana.

United Nations Security Council Imposes Sanctions on Iran – 10/06/2010:

Roberto Silva

DEFESA BR

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