Defesa BR

O Blog Defesa BR discute um Planejamento de DEFESA para o Brasil.

Submarinos na Bagagem de Nicolas Sarkozy

Mídia :  O Globo

Data :  16/12/2008

Submarinos na bagagem de Nicolas Sarkozy 

 

Presidente francês, no Brasil semana que vem, assinará com Lula acordos nas áreas militar, nuclear e de meio ambiente

Evandro Éboli

BRASÍLIA e RIO. Brasil e França assinarão na próxima semana um grande acordo global na área de defesa, numa parceria que envolve aquisição de quatro submarinos convencionais e um de propulsão nuclear e tecnologia a ser empregada no programa “Soldado do Futuro”, que atuará em ações na selva e com capacidade de visão noturna. Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e o francês Nicolas Sarkozy assinarão os termos da parceria no próximo dia 23, no Rio.

Na agenda de cooperação dos dois países estão negócios que envolvem a construção no Brasil, nos próximos dez anos, de seis a oito usinas nucleares, incluída Angra 3, com transferência de tecnologia. A estatal francesa Areva é uma das principais empresas do mundo no setor e vai distribuir a energia nuclear gerada em Angra 3.

França quer incrementar parceria militar com Brasil

O governo francês quer fazer do Brasil um de seus principais parceiros na área militar. A França domina tecnologias nessa área e é considerada uma potência mundial. Na sua visita ao Brasil, Sarkozy ratificará o apoio de seu país às pretensões brasileiras de ter assento permanente no Conselho de Segurança das Organização das Nações Unidas (ONU).

Na área civil, os dois países também assinarão acordos que envolvem desenvolvimento de satélites para atuação na Amazônia, em especial para detectar ações de desmatamento e controle do tráfego aéreo.

O projeto “Soldado do Futuro” prevê instalação de um chip que informa posição exata do militar na selva e também de equipamento que possibilite visão noturna no meio da floresta.

Autoridades francesas e brasileiras negociam há meses esses acordos, que, além do Ministério da Defesa e dos comandos do Exército, Marinha e Aeronáutica, envolvem outras áreas, como Agência Espacial Brasileira (AEB) e Ministério da Ciência e Tecnologia.

No caso do submarino nuclear, a participação francesa será a construção da embarcação. Os franceses não desenvolverão a parte nuclear do projeto. Está prevista apenas uma cooperação técnica. A Marinha brasileira tem um centro tecnológico de processamento de urânio.

No último dia 26 de setembro, foi criada a Coordenadoria Geral do Programa de Desenvolvimento do Submarino com Propulsão Nuclear, para gerenciar projeto e construção do estaleiro onde ficarão os submarinos. Desde o final da década de 70, a Marinha desenvolve programa de desenvolvimento de tecnologia nuclear, em seu Centro Tecnológico, em São Paulo.

Na semana passada, o Conselho Nacional de Defesa do governo aprovou o Plano de Defesa, coordenador pelo ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger. O plano deverá ser promulgado na próxima quinta-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em solenidade no Palácio do Planalto.

O setor nuclear é considerado o mais estratégico no programa, e o plano prevê a nacionalização completa do ciclo desse combustível e a construção dos reatores. Apesar das parcerias internacionais, o Brasil pretende desenvolver capacidade de construir suas usinas nucleares.

Ao explicar a escolha dos submarinos franceses, a Marinha argumenta que o processo foi “longo, exaustivo e criterioso”. A Marinha diz ainda que o casco dos submarinos Scorpene é compatível com o projeto nuclear brasileiro. Segundo a Marinha, os cerca de 36 mil itens dos submarinos também serão produzidos no Brasil.

Na véspera da assinatura da parceria Brasil-França, no dia 22, Sarkozy cumprirá agenda de presidente da União Européia, também no Rio. Acompanhado do chefe da Comissão Européia, José Durão Barroso, assina com o Brasil planos de ações que reforçarão a luta contra a proliferação nuclear, termos de cooperação na área do meio ambiente e a promoção científica e tecnológica, como o intercâmbio de cientistas, pesquisadores e universitários brasileiros com países europeus.

COLABOROU: Maiá Menezes

 

Nosso Comentário :

Nem vou comentar sobre essa esdrúxula reunião de presidentes na costa do Sauípe, com a qual os presidentes da Colômbia e Peru se recusaram de compactuar. O governo Lula continua afagando Chávez e seus “revolucionários bolivarianos” que, juntos, deverão nos trazer um monstruoso prejuízo de U$ 5 bilhões, um Fome Zero inteiro em uma só “brava” tacada.

O destaque do encontro de Lula e Sarkozy no dia 22 está sendo agora o projeto francês “Soldado do Futuro”, ao qual o Brasil deverá aderir. Este sim é um assunto que nos interessa, pois não temos sapatos para atirar e gastar à toa.

Esse Soldado do Futuro levará um chip de localização na selva e também óculos de visão noturna. Ele estará interligado com centros de comando e poderá direcionar mísseis para os alvos. Se funcionar na prática, como na teoria, será uma revolução. Mas o objetivo mais amplo do programa será aperfeiçoar a qualificação dos soldados.

Projeto americano semelhante prevê que seus soldados poderão estar vestidos de computadores super-leves que vão deter estilhaços, transmitir dados e até mimetizar o ser humano no front, à moda dos camaleões. Sempre os americanos…

Mas não nos enganemos, algumas tecnologias futurísticas deles já se mostraram viáveis em laboratório. Os fios do tecido do uniforme conduzirão eletricidade, o que permitirá que diversos sistemas eletrônicos funcionem dentro dele: desde um computador no capacete, com a viseira servindo de monitor, até sensores por toda a pele para monitorar sinais vitais e detectar ferimentos.

Esses dados poderão ser transmitidos por rádio para um centro de comando, onde um general manejará as suas forças como em um videogame de estratégia.

No futuro próximo, tecidos super-resistentes protegerão os soldados contra balas. O fio poderá ser revestido de cristal líquido, o que o fará mudar de cor, para camuflagem.

Os americanos desenvolvem ainda um sistema de nanotubos escondidos na trama do tecido no qual circularia um fluido cheio de partículas de ferro. A um sinal químico, o ferro todo se agregaria por atração magnética, transformando a roupa numa armadura ou numa tala para amparar membros fraturados.

Uma única bateria poria para funcionar todo o uniforme. Hoje, os soldados carregam dezenas de quilos de baterias. A viseira seria um monitor de computador e, ao mesmo tempo, teria recursos como luneta e visão noturna.

Viram? Não perdemos nossos sapatos com assuntos secundários e ainda aprendemos algo de útil.

Agora, aguardemos que o Plano Estratégico seja promulgado nesta  quinta-feira por Lula com toda pompa, em solenidade no Palácio do Planalto.

Roberto Silva

DEFESA BR

Ação Russa na Região Irrita Lula

Media : O Estado de São Paulo

Data : 20/09/2008
 

Ação russa na região irrita Lula

Brasileiro advertirá Chávez de que laço com Moscou é provocação inútil

Tânia Monteiro

A crescente articulação militar e diplomática entre os governos da Venezuela e da Rússia, a ponto de os dois países terem agendado para novembro um grande exercício aeronaval conjunto no Caribe, irritou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O assunto foi discutido no Planalto com assessores, ficando decidido que a insatisfação brasileira será transmitida ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, quinta-feira, em Nova York, na cúpula dos países da Unasul (União das Nações Sul-Americanas).

Na avaliação do governo brasileiro, a Venezuela está “importando desnecessariamente para a América do Sul” uma disputa diplomática entre EUA e Rússia a reboque do xadrez geopolítico que levou forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) à Geórgia, à porta da fronteira russa. Virão, até mesmo, os bombardeiros supersônicos TU-160, que têm capacidade de carregar armas convencionais e nucleares.

“Não achamos isso positivo e o presidente Lula só não falou ainda com Chávez porque não teve oportunidade. Mas vai falar”, disse ao Estado um ministro. Apesar de ter expulsado o embaixador do EUA, Chávez confirmou sua presença em Nova York para cumprir uma agenda que começa com a abertura da 63ª Assembléia-Geral das Nações Unidas (ONU), terça-feira. Na avaliação de diplomatas e assessores do Planalto a aliança Venezuela-Rússia, bem no rastro dos conflitos na Geórgia, deixou claro que se tratou de um jogo de resposta aos EUA, com Chávez fazendo o papel de “intermediário” da provocação. “Já temos os nossos problemas e as nossas questões, não precisamos de mais nenhum ingrediente para acrescentar tensão à região”, observou o mesmo ministro.

Também incomodou o Brasil o fato de Chávez declarar-se “aliado estratégico” da Rússia. Outra preocupação: os russos também vão pôr um pé na Bolívia, o que já é do conhecimento do Itamaraty. Como o governo Evo Morales expulsou o embaixador dos EUA, La Paz vai perder, em dezembro, a preferência tarifária para exportações direcionadas ao mercado americano, assim como terá cortada a ajuda para o combate ao narcotráfico. A opção de Evo foi autorizar a ajuda do governo russo no combate ao narcotráfico, tarefa na qual Moscou tem pouca experiência.

A aproximação de Chávez, ressuscita uma influência russa sobre espaços latino-americanos, que existia a partir da revolução cubana (1959), mas que foi se esvaindo com o fim da União Soviética. A Venezuela viu na parceria, entre outras coisas, uma forma de responder à iniciativa dos EUA de reativar a 4ª Frota americana, com base no Mar do Caribe, que faz a vigilância do Atlântico Sul.

Para o exercício militar conjunto, em novembro, a Rússia promete enviar cerca de mil militares e quatro navios, entre eles o cruzador russo nuclear Pedro, O Grande, um dos maiores do mundo, com capacidade para lançar até 500 mísseis.

Diante da reclamação de Lula, Chávez tende a lembrar que 9 mil militares brasileiros, argentinos e dos EUA fizeram, em abril passado, na costa do Rio de Janeiro a Operação Unitas.

A operação, que é realizada há 49 anos, trouxe para o Brasil o maior porta-aviões da frota dos EUA, o George Washington - 333 metros de comprimento, 257 metros de largura e 74 metros de altura.

 

Nosso Comentário :

O presidente Chávez continua levando a Venezuela a um jogo perigoso entre EUA e Rússia, em sua renovada Guerra Fria. Ele parece querer reviver os terríveis anos 60 na América do Sul, incendiando-a. E cutucar onça com vara curta nunca tende a acabar bem.

O problema é que o Brasil é um vizinho e tem sua Amazônia Verde para zelar. Mais uma vez : sem uma Defesa forte já, agora, não haverá salvação. Olhos abertos.

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  • Filed under: Defesa
  • IV Frota - Ameaça ao Brasil ?

    Media : Defesa BR
    Data : 21/08/2008
     

    Muitos já temem pelo pior, como uma ameaça a reativação da IV Frota da US Navy, visto que, frente a uma aventura estrangeira de grande porte, não existe por parte do Brasil qualquer condição palpável de resistência à tomada de todo o petróleo de sua plataforma continental.

    Convém esclarecer que os EUA não são signatários da Convenção da ONU sobre o Direito do Mar, um acordo internacional que estabelece o limite dos mares territoriais de cada nação costeira, do qual o Brasil é signatário desde 1982.

    Eles também nunca reconheceram as 200 milhas brasileiras e muito menos qualquer extensão desse limite. Para os EUA, toda essa mega-província do pré-sal encontrada pela Petrobras estaria em águas internacionais, pois ela encosta no limite de 200 milhas náuticas que o Brasil considera como sendo de sua exploração exclusiva. O problema começa por aí.

     

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