O Blog Defesa BR discute um Planejamento de DEFESA para o Brasil.
5 Jan
Mídia : Folha de São Paulo
Data : 05/01/2009
Embraer é favorecida pela FAB na disputa de caças
Empresa receberá transferência tecnológica exigida pela Aeronáutica do fabricante que conseguir o contrato de fornecimento Governo brasileiro modela a aquisição de 36 aviões de combate, ao custo estimado de US$ 2 bilhões; o negócio deve ser fechado até março
IGOR GIELOW - SECRETÁRIO DE REDAÇÃO DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Para evitar o problema que emperrou a disputa em 2002, a FAB (Força aérea Brasileira) proibiu que os concorrentes do programa F-X2, para o fornecimento de 36 aviões de combate, firmassem acordos de exclusividade com empresas brasileiras. O negócio de estimados US$ 2 bilhões, se sobreviver à crise internacional, deve ser fechado até março.
Independentemente do vencedor da disputa, um grupo de empresas capitaneado pela fabricante de aviões Embraer será o principal favorecido com a compra, já que irá participar do programa e receberá a transferência tecnológica exigida pela FAB no seu pedido de proposta -do qual a Folha teve acesso a detalhes.
Boeing (EUA), Saab (Suécia) e Dassault (França) assinaram memorandos de entendimento com cerca de quatro empresas nacionais que participarão da adaptação do caça ao Brasil: Embraer, Aeroeletrônica (que faz aviônicos), Atech (sistemas eletrônicos) e Mectron (fabricante de mísseis).
A jogada da FAB, além de fomentar a indústria nacional, visou evitar a situação que, aliada a outros fatores, derrubou a mesma concorrência em 2002.
Naquela disputa, a francesa Dassault estava associada à Embraer na oferta do Mirage-2000. A FAB rejeitou o avião, projeto velho e inadequado. A disputa ficou entre o Sukhoi-35 (Rússia) e o Gripen (Suécia).
O pequeno caça sueco, ainda que fosse inferior ao russo em performance, levou a melhor porque a sua fabricante, a Saab, ofereceu um amplo pacote comercial. Ganhou, mas não levou: como a integração do novo aparelho só poderia ser feita na Embraer e a empresa estava associada a um outro competidor, o negócio emperrou.
A FAB e a Embraer não fazem comentários sobre o F-X2.
Integração é o conjunto de medidas para fazer um avião ser adequado à missão que lhe será dada no país. Ou seja, ele é adaptado ao sistema de comunicação usado pela FAB, aos mísseis que irá carregar e por assim em diante.
Essa integração é o coração da chamada transferência de tecnologia feita diretamente no produto. Um simulador de todos os sistemas do avião tem de ser usado para isso. É aí que os engenheiros trabalham no software que gerencia a aeronave e, com os chamados códigos-fonte em mão, podem desenvolver parâmetros para diversas missões de combate.
Existe um certo fetiche quando as autoridades falam em “exigir a abertura dos códigos-fonte”, como se isso fosse garantir o descobrimento da pólvora aos nativos. É mais complexo: sem todo o sistema para “rodar” o software, de nada adianta ter os códigos. É isso o que o simulador garante.
Mas aí é que começam algumas diferenças importantes entre os competidores do F-X2, já que do ponto de vista de performance militar o RFP (sigla inglesa de pedido de proposta) é generoso e estabelece apenas critérios mínimos, superáveis pelos três aviões.
Há três cenários para a FAB fazer sua escolha.
O americano F/A-18 Super Hornet, da Boeing, é um avião pronto, com mais de 350 unidades voando. Mesmo que os “códigos-fonte sejam abertos”, como bravateiam os brasileiros, não haverá uma transferência tecnológica da confecção de seus sistemas. Os engenheiros brasileiros que trabalharem, mesmo que um simulador seja montado no Brasil, aprenderão a operá-lo, mas não a desenvolvê-lo.
Para compensar isso, a Boeing pode oferecer outras transferências. Segundo a Folha apurou, a Embraer pediu em seu contato com a gigante americana detalhes sobre como projetar peças de materiais compostos, como fibra de carbono. Eles são o futuro da aviação, por serem mais leves e duráveis. Fabricá-los não é difícil; desenhar as peças e repará-las é o complicado.
O F-18 é considerado por pilotos o melhor da disputa, mas há o temor de vetos futuros que possam o deixar inoperante.
Favoritismo
No caso do Rafale, a situação é diversa. O avião está pronto, mas a versão F3 oferecida é um desenvolvimento que está em curso. Logo, a transferência tecnológica no trabalho sobre o software poderia ser mais proveitosa. Além disso, a Dassault pode oferecer compensações semelhantes às da Boeing, como na área de fusão de dados dos diversos sistemas do avião. Tudo isso pode ser usado em aviões civis.
De resto, o Rafale continua sendo o favorito do ponto de vista político, embora seja considerado um avião caro e tenha um problema de escala industrial -só a França o opera.
Esse favoritismo político, dada a inclinação do Ministério da Defesa a fechar acordos com Paris, sofreu um golpe. Na “parceria estratégica” assinada entre Brasil e França, os caças ficaram de fora. Isso porque a FAB já tocava o processo, mas o fato acendeu uma luz amarela na Dassault, que teme ter perdido pontos já que o Brasil gastará bilhões com submarinos e helicópteros franceses.
Por fim, há o Gripen NG, a nova geração do caça que quase ganhou o F-X original que foi melhorado e é, até por ser menor e monomotor, mais barato. Como é um avião que ainda não existe, todo o desenvolvimento pode ser feito em conjunto com a Embraer e outras empresas brasileiras. Paradoxalmente, o problema é esse: sendo um projeto, não está provado e é sujeito a atrasos.
Seja qual for o cenário, os ganhos tecnológicos diretos ou indiretos ficarão com a Embraer e, em menor escala, com as outras fornecedoras. O máximo de custo que terão será o de treinar pessoal no exterior.
E o que a FAB ganha? O caça, que é o que lhe interessa, e uma indústria de suporte que possa lhe garantir a manutenção dos aviões que pretende comprar e usar nos próximos 30 anos.
Para concorrentes, negócio ajuda a manter alternativas aos EUA
Os concorrentes franceses e suecos do F-X2 apontam a necessidade de manter um polo de tecnologia militar alternativo aos EUA como pontos fortes de suas ofertas.
“Para nós é importantíssimo esse negócio, já que enfrentamos a vontade americana de destruir a indústria de aviação militar europeia”, afirmou Jean-Marc Merialdo, diretor da francesa Dassault no Brasil.
O seu Rafale enfrenta problemas de escala industrial, que perdeu todas as disputas das quais participou. “A falta de êxito decorre de razões políticas. Depois do 11 de Setembro, como se sabe, a França foi crítica à política americana. Isso teve um custo”, afirmou.
Sem escala, o produto e sua manutenção ficam caras. O Rafale unitariamente custa algo perto de 60 milhões de euros, o que já é alto. Mas avião não é eletrodoméstico, não se paga o preço de face, e sim a logística envolvida. A Austrália, por exemplo, pagou US$ 200 milhões pela unidade de seus F-18 -quatro vezes mais que o preço “de prateleira”.
O ponto de venda da sueca Saab para seu caça Gripen NG, por sua vez, é quase terceiro-mundista. Diz oferecer o produto mais barato e não-alinhado, no caso com um dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (especificamente, EUA e França).
“A Suécia é a única a oferecer uma opção independente”, disse à Folha Bob Kemp, vice-presidente para marketing da Gripen International, subsidiária da Saab e da britânica BAE Systems que vende o caça.
Mas um terço do caça é americano. Kemp defende-se. “Não é tecnologia sensível, essa é dominada pela Suécia.”
E quanto custa? “Nós estimamos algo entre 50% do preço de nossos competidores”, diz Kemp, citando como referência uma proposta aberta feita à Dinamarca: cerca de US$ 70 milhões por cada um dos 48 aviões solicitados, com toda a logística e o treinamento.
Kemp minimiza o fato de que o Gripen NG não existe na prática. E defende que sua maior desvantagem -ser monomotor- resultará em preço mais baixo de operação: a hora-vôo num Gripen, diz, é de US$ 3.000, contra US$ 14 mil de seus dois concorrentes. (IG)
Para franceses, projeto é vital para o futuro do seu programa
Hoje favorita politicamente na disputa do F-X2, a francesa Dassault afirma que o negócio é de “suma importância” para o futuro do programa do caça multifunção Rafale-F3.
“Transferência de tecnologia não ocorre do dia para a noite, é uma parceria de longo prazo. E, para nós, é importantíssimo esse negócio, já que enfrentamos a vontade americana de destruir a indústria de aviação militar europeia”, afirmou Jean-Marc Merialdo, diretor da Dassault no Brasil.
O Rafale enfrenta problemas de escala industrial. Até aqui, apenas a França opera o modelo, e ele perdeu todas as disputas internacionais para as quais foi selecionado. “A falta de êxito decorre de razões políticas. Depois do 11 de Setembro, como se sabe, a França foi crítica à política americana. Isso teve um custo”, afirmou.
Além disso, há a presença maciça do programa americano do F-35, com promessas de vantagens aos compradores -os EUA querem que o avião seja padrão dos países da Otan (aliança militar ocidental).
Sem escala, o produto e sua manutenção ficam caras. O Rafale unitariamente custa perto de 60 milhões, o que já é alto -e o custo pode ser maior, a depender da logística. (IG)
Nosso Comentário:
A Decisão do FX-2 Está Próxima
O F-18 é a solução mais prática e imediata. As 36 encomendas poderiam ser atendidas com folga em 2009/2010. Porém, é a solução que nos traria menos repasse tecnológico, na base de materiais compostos. Essa necessidade evidencia a defasagem tecnológica da Embraer nesse campo frente às grandes produtoras. Pois que invistam mais em PD&I.
Na outra ponta, o Gripen NG é a solução de prazo mais distante, pois os primeiros caças começariam a chegar em 2015, quando o mundo já será outro e a 5ª Geração comandará os céus. Ele deverá chegar ao mercado já bastante defasado. Entretanto, é dito que haverá bastante transferência de tecnologia. Mas ela também já não estará bem distante das necessidades atuais?
E as ameaças atuais ficam como? O Brasil combinará com seus inimigos potenciais para que aguardem, digamos, 2018, até receber todos os 36 veneráveis Gripe NG? Não, e esse mundo já será outro, como o distante ano 2000 já vai bem distante e diferente da atualidade.
Uma opção mediana, porém efetiva seria a do Rafale F3 francês. Seu desenvolvimento foi iniciado em 2004 e trará já agora importantes capacidades operacionais complementares aos seus antecessores F1 e F2.
O F3 é um F2 (de Combate Aéreo e Ataque Ar-Terra) acrescido de capacidades de Ataque Naval, Reconhecimento e Ataque Nuclear. Trata-se de um caça multifuncional de 1ª linha.
O Brasil tem fechado importantes contratos com a França e mais uma parceria industrial e tecnológica será bem-vinda, sem devaneios (Suécia), nem dependências (EUA).
Roberto Silva
DEFESA BR
29 Dec
Mídia : Agência Estado
Data : 29/12/2008
Líder do Irã pede que países muçulmanos punam Israel
‘Qualquer um que seja morto nessa defesa legítima e sagrada é um mártir’, disse o aiatolá Ali Khamenei
TEERÃ - O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, pediu neste domingo, 28, aos países muçulmanos que punam Israel por seus ataques à Faixa de Gaza. Khamenei criticou ainda o que chamou de silêncio dos líderes árabes frente aos ataques em Gaza, que já mataram pelo menos 282 pessoas.
“O regime sionista deve ser punido pelos Estados muçulmanos”. Em texto citado na televisão estatal, o aiatolá afirmou ainda que os líderes israelenses deveriam ser “julgados e punidos por esse crime”.
Khamenei convocou os muçulmanos a resistirem à ofensiva. “Qualquer um que seja morto nessa defesa legítima e sagrada é um mártir.” Teerã apóia o Hamas, porém nega as acusações de que forneça armas ao movimento.
O Irã não reconhece Israel e o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, já disse que o país deveria ser “varrido do mapa” do Oriente Médio, qualificando inclusive o Holocausto como um “mito”.
Turquia
O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, qualificou a ação israelense como um “crime contra a humanidade” e pediu o fim dos ataques. A Turquia é o aliado mais próximo de Israel no mundo muçulmano, mas rechaçou as ações militares, no momento em que trabalha para promover conversas de paz entre Israel e a Síria.
Durante encontro de seu partido hoje, Erdogan qualificou a investida israelense como uma “mostra de desrespeito” com a própria Turquia. Centenas de turcos protestaram em frente à embaixada turca hoje. A Turquia também mantém boas relações com os palestinos.
Nosso Comentário:
Enquanto Israel prepara-se para invadir a Faixa de Gaza a qualquer momento, em uma escalada com conseqüências desconhecidas, o Irã já mostra o que pretende fazer: uma guerra sagrada, procurando arrastar o mundo árabe junto.
A verdadeira guerra que o mundo aguarda agora não é de Israel com a minoria palestina, mas sim com o Irã. Ambos só precisavam de uma desculpa para se destruírem, mutuamente. Agora, já a têm. E isso vem sendo preparado há anos pelos iranianos e amigos.
Se o presidente Ahmadinejad pretende varrer Israel do mapa do Oriente Médio, ninguém fora da região tem dúvida de que o Irã será varrido antes.
Roberto Silva
DEFESA BR
26 Dec
Mídia : Pravda
Data : 23/12/2008
Sucesso do lançamento do míssil espacial brasileiro ignorado por mídia
A mídia não noticiou
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NOTA DO BLOG :
Infelizmente, acreditamos no jornal estatal russso PRAVDA, até porque a Rússia está envolvida em nosso programa.
Mas, o que aconteceu mesmo foi somente o teste do motor do VLS. São José dos Campos não comportaria um lançamento desse porte. A área é densamente povoada, e de intenso tráfego aéreo. E ainda nem temos uma plataforma para tal.
O que houve foi um teste do motor do primeiro estágio na Usina Coronel Abner (nas dependências do IAE, um instituto do CTA).
Continuamos atrasados no programa, pois esse foguete V04 foi prometido para 2007, mas só será lançado, quiçá, em 2011, com 4 anos de atraso.
Só não entedemos como um órgão ao nível do PRAVDA foi colocar uma matéia dessa sem checar. Nos parece que os russos lançaram uma isca, creditando o furo jornalístico ao Pravda e desconsiderando as edições de 20/10 e 21/10/2008 dos jornais ESTADÃO:Nos desculpem e leiam a matéria abaixo como sendo mais um fake da internet, só que dessa vez vindo de um PRAVDA estatal russo.
http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid263293,0.htm
e VALEPARAIBANO, com link na própria página do IAE:
http://www.iae.cta.br/IAEMidia/21102008_governo_federal_garante_100milhoes_projetoVLS.htm , que noticiaram o fato em primeira mão, e na data certa!
Essa estória serve de alerta para aprimorarmos os nossos filtros pelos quais devemos fazer passar todas as notícias que venham de fontes russas.
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Jorge Cortás Sader Filho
Excessivamente preocupados com a crise financeira, os órgãos de informação brasileiros não informaram o sucesso do lançamento do míssil espacial VLS-1, feito com sucesso no dia 20 de outubro de 2008, partindo da base de São José dos Campos, e não de Alcântara, como era costume.
A última experiência foi desastrosa. Com problemas de pré-ignição, o lançamento fracassou dando causa a incêndio que destruiu grande parte da base maranhense, além de matar 21 pessoas. Grande lástima, sem dúvida. O sucesso é auspicioso. Vai permitir o lançamento de satélite geoestacionário, proporcionando ao país facilidade nas comunicações, principalmente.
O lançamento foi assistido pelo Ministro da Defesa, Nelson Jobim e pelo Comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juni Saito. Não se entende a causa da notícia não ter sido divulgada na imprensa.
Pode acreditar-se que para muitos países não interessava o Brasil ser capaz de colocar satélites em órbita, o que significa também o seu notável desenvolvimento bélico, pois mísseis de muito longo alcance não são bem vistos pelas nações que não os possui.
Mesmo as poderosas potências, que além do vetor têm a ogiva nuclear, não ficam muito satisfeitas quando um fato desta natureza é atingido.
É sabido pela comunidade mundial que o Brasil não desenvolve corrida armamentícia, e não possui artefatos nucleares agressivos, mas pode construir em pouco tempo, já que a tecnologia permite com folga que eles sejam construídos em pouco tempo.
Talvez tenha sido esta a razão do fato não ter sido divulgado com alardes. Vizinhos nossos podem interpretar o sucesso como uma ameaça, quando na realidade o fato não é este. Quem acompanha o lançamento dos “Sacis”, sempre com fracasso, sabe disto.
Foi um feito respeitável, sem dúvida. São muito poucos países capazes de operações de tamanha envergadura, e é uma consolidação dos velhos sonhos dos cientistas brasileiros, que estão de parabéns.
O Brasil, apesar dos pesares do mundo e dele mesmo, caminha fácil para um futuro de brilho. Todo este trabalho vem sendo desenvolvido com auxilio da tecnologia russa, de acordo com um protocolo firmado entre Brasil e Rússia.
Segundo este acordo, os russos auxiliam na transferência de tecnologia de ponta, e o governo brasileiro compromete-se a emprestar a base de Alcântara, para o lançamento de mísseis russos. A base está próxima a linha do equador, o que facilita os lançamentos e diminui os gastos.
Nosso Comentário :
Brasil Lançou em Segredo Novo VLS-1 em Outubro de 2008
Em 20 de outubro de 2008, o Brasil lançava, de São José dos Campos (SP), em completo segredo, o VLS-1 V04, primeiro depois do acidente de 2003, em Alcântara.
Por essa ninguém esperava. Precisei ler e reler a matéria do jornal estatal russo Pravda, pensando ser alguma pegadinha de Natal. Se fosse verdade, tudo teria acontecidp no mais absoluto segredo. E foi pegadinha mesmo : do PRAVDA russo !
Se este novo Veículo Lançador de Satélite - VLS-1 V04, pudesse ter sido lançado em segredo do interior de São Paulo não haveria a mínima possibilidade de nova sabotagem, ou estranhas falhas, como ocorreu no estranho acidente de 2003, 5 anos atrás.
O VLS-1 V03 e o Posto de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, explodiram no dia 22 de agosto de 2003, 3 dias antes do teste, causando a morte de 21 técnicos do CTA.
O Pravda diz que o sucesso agora é auspicioso, pois vai permitir o lançamento de satélite geoestacionário próprio. O jornal russo não conseguiu entender a causa da notícia não ter sido divulgada na imprensa brasileira.
Este será um passo fundamental para chegarmos ao grande Programa Cruzeiro do Sul (PCS), que vem sendo conduzido conjuntamente pelo CTA e AEB em parceria com os russos e contará com o desenvolvimento de 5 novos foguetes lançadores de satélites até 2022.
Mas, como já diz o Pravda, as maiores estrelas serão os ossos satélites geostacionários próprios. Desde setembro de 2005, o Brasil vem trabalhando em um ambicioso programa próprio para o Sistema de Satélites de Múltiplas Missões (SSMM), que também tem o nome de Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB).
Roberto Silva
DEFESA BR
P.S. : Uma versão anterior desta matéria do jornalista Jorge Cortás Sader Filho foi publicada no Brasil em 4 de novembro de 2008 pelo Observatório de Imprensa. Somente a parte final foi acrescentada na matéria do Pravda, dele mesmo.
23 Dec
Mídia : Pravda
Data : 23/12/2008
Lula apresentou ambicioso Plano de Defesa Nacional
O Brasil faz esforços para consolidar seu peso na região e, ao mesmo tempo, encontrar seu papel de uma potência a escala mundial. O presidente Luís Inácio Lula da Silva, a popularidade interna do qual está comparada aos êxitos diplomáticos, quer blindar o país no âmbito da defesa.
Para modernizar as Forças Armadas obsoletas, o presidente escolheu como o sócio estratégico a França.
O presidente, Nicolas Sarkozy, chega hoje a Brasília com uma visita oficial.Uns dias depois de declarar na cúpula de Costa do Sauípe a intenção da formar uma mega-organização latino-americana , sem a participação dos EUA e Canadá , mas inclusão de Cuba, Lula segue somando. Com Sarkozy pretende discutir duas questões.
Primeiro, abordaria o apoio de Bruxelas para converter-se no membro permanente do Conselho da Segurança da ONU. Segundo, firmaria os acordos estratégicos de defesa.
Em concreto o Brasil pretende comprar n a França quatro submarinos convencionais “Scorpéne”. Com a transmissão da tecnologia francesa , Brasília estará em condições de construir um submarino nuclear que poderia ser terminado em um prazo de 10 a 12 anos.
O acordo inclui também a construção no território brasileiro de uns 50 helicópteros de transporte EC-725. A soma total do tratado poderia superar 3.000 bilhões de dólares.
A autonomia da França para vender a tecnologia foi determinante para o Brasil , que eliminou a Rússia do concurso de venda por negativa de Kremlin quanto à esse fator. A opção francesa eleita pelo Brasil contrasta com a aliança da Venezuela de Hugo Chávez com a Rússia.
Nos últimos meses o governo brasileiro desenvolve o ambicioso Plano de Defesa Nacional, apresentado por Lula na semana passada. Desta maneira inicia-se a modernização das suas Forças Armadas com o objetivo de preservar seus recursos naturais ricos, reposicionar seus efetivos militares e adquirir a autonomia tecnológica.
A administração brasileira considera que este plano dá uma capacidade para poder “dizer não” a Washington.
Entre os principais novidades do plano, figura a redistribuição dos efetivos das suas Forças Armadas para proteger as zonas estratégicas. Assim, na zona fronteiriça da Amazônia o número de efetivos será aumentado de 17.000 até 25.000.
As reservas petrolíferas das zonas marítimas como Tupi, também serão prioritárias. Segundo o ministro de Defesa Nelson Jobim, a característica principal do novo Exército será a “mobilidade”, quer dizer, a conversão dos destacamentos militares em unidades da resposta rápida.
O plano prevê a permanência e o reforço do serviço militar obrigatório, descarta a inclusão das mulheres e incorpora somente como sugere ( e não como uma obrigação segundo o borrador inicial) a possibilidade dos jovens descartados do serviço militar, exercer um trabalho alternativo social.
A nova estratégia militar defensiva de Lula potenciará também a indústria militar, tanto pública como privada, para contar com uma indústria bélica “made in Brazil”.
“As Forças Armadas brasileiras não recebem investimentos de forma planificada e integrada desde há 30 anos”, recorda Rodrigo Godoy”, experto de defesa do jornal “Estado de São Paulo. Como acredita o ministro Jobim, o Brasil “pensa em grande”.
E está de moda. É um “softpower com uma imagem muito positiva no mundo”, disse ao jornal La Nacion, Eduardo Viola , o professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília.
Nosso Comentário :
Segundo Pravda russo, o Brasil trabalha para consolidar seu peso na América do Sul e, ao mesmo tempo, encontrar seu papel de potência mundial.
Para blindar o país no âmbito da defesa e modernizar as Forças Armadas obsoletas, o presidente Lula escolheu como sócio estratégico a França. A opção francesa eleita pelo Brasil contrasta com a aliança da Venezuela de Hugo Chávez com a Rússia.
Inicia-se a modernização das suas Forças Armadas com o objetivo de preservar seus recursos naturais ricos, reposicionar seus efetivos militares e adquirir a autonomia tecnológica. A administração brasileira considera que este plano dá uma capacidade para poder “dizer não” a Washington.
Enfim, tudo bem reconhecido pelos russos e bem colocado.
23 Dec
Mídia : O Globo
Data : 23/12/2008
Sarkozy e Lula assinaram acordos nesta terça-feira
RIO - O Brasil e a França assinaram nesta terça-feira acordos na área de defesa no valor de 8,6 bilhões de euros (cerca de US$ 12 bilhões ou R$ 28,38 bilhões), que incluem a transferência de tecnologia para que o Brasil possa desenvolver sua própria indústria bélica. O acordo está entre os cerca de dez tratados assinados hoje pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy, que encerra um visita de dos dias ao Rio de Janeiro na terça-feira.
Sob o acordo, o Brasil comprará 50 helicópteros EC725 construídos localmente pela Helibras, subsidiária da Eurocopter no Brasil. A Eurocopter, por sua vez, é subsidiária do grupo europeu EADS. Os helicópteros, cujo valor é estimado em 1,9 bilhão de euros, devem ser entregues a partir de 2010.
A França também vai fornecer ao Brasil a tecnologia para construir quatro submarinos convencionais, no valor de 4,1 bilhões de euros, além do primeiro submarino nuclear do país. Os acordos permitirão ainda ao Brasil construir um estaleiro militar e uma base naval com tecnologia francesa.
Do total de 8,6 bilhões de euros, 6 bilhões irão para empresas francesas e 2,6 bilhões para empresas brasileiras, segundo uma fonte da delegação francesa.
Um dos submarinos construídos no Brasil por empresas francesas contará com propulsão nuclear, mas esta tecnologia não será oferecida pela França, mas pela Marinha de Guerra brasileira.
Os dois líderes também assinaram um plano de ação para guiar essa associação, assim como acordos na área espacial, para a promoção do desenvolvimento sustentável na Amazônia, o combate à exploração ilegal de ouro nesta região e programas de ensino profissionalizante.
Se a França aceita transferir a tecnologia militar é porque estamos conscientes de que o Brasil tem um grande potencial para promover a paz e a segurança, assim como tem um grande potencial econômico e político
Também foi assinado um convênio de cooperação na área nuclear e outro pelo qual os dois países criarão um centro de estudos sobre a biodiversidade, com o qual pretendem aproveitar as potencialidades da Amazônia, a maior floresta tropical do mundo e que compartilham graças à Guiana Francesa, território ultramarino da França.
Segundo Lula, o Brasil optou pela firma dos acordos militares com a França porque o país europeu “não só ofereceu os equipamentos em venda, mas também se comprometeu a construí-los no país e a transferir a tecnologia”.
- Se a França aceita transferir a tecnologia militar é porque estamos conscientes de que o Brasil tem um grande potencial para promover a paz e a segurança, assim como tem um grande potencial econômico e político - disse Sarkozy.
Lula afirmou que o acordo representa uma ruptura, que reflete o status do Brasil como potência emergente.
- A França está disposta a…construir uma aliança no Brasil, a transferir tecnologia para que o Brasil possa ter uma indústria de defesa que corresponda à sua importância no hemisfério, no mundo - disse Lula durante a coletiva.
Estaleiro será construído no Rio
O principal dos acordos é o que permitirá ao Brasil construir cinco submarinos convencionais do tipo Scorpene, um dos quais terão armamento convencional, mas contará com propulsão nuclear.
A França ajudará o Brasil a adaptar o reator nuclear no casco de seu submarino, mas o desenvolvimento da tecnologia será de responsabilidade da Marinha brasileira, que há anos tem um projeto para construir um submarino nuclear.
Os acordos também prevêem assistência francesa para a “concepção e construção de um estaleiro de fabricação e manutenção desses submarinos, e de uma base naval capaz de abrigá-los”.
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou que a França financiará a instalação de uma unidade do estaleiro privado DCNS em um porto do Rio de Janeiro, no qual serão construídas as embarcações.
Os 50 helicópteros, que serão fornecidos pela empresa Eurocopter, serão construídos em conjunto com a indústria brasileira.
As aeronaves serão fabricadas pela Helibras, uma subsidiária da empresa francesa Eurocopter com unidade em Minas Gerais e que produzia, principalmente, aparelhos civis.
Além da transferência de tecnologia francesa para a produção dos helicópteros, o acordo também prevê que as partes das aeronaves sejam oferecidas por empresas brasileiras.
No plano de ação assinado hoje, os dois presidentes também asseguram que a cooperação militar poderá ser estendida para modernizar o Exército brasileiro, o desenvolvimento de um veículo terrestre sem piloto, a digitalização dos campos de operações e o desenvolvimento de uma rede de vigilância territorial.
Sarkozy acrescentou que a França também pretende oferecer os cerca de 30 caças militares que o Brasil pretende comprar.
No ano passado, o Brasil destinou 880 milhões de dólares para completar um reator nuclear para o submarino.
O governo Lula apresentou um novo plano de defesa estratégica na semana passada, que muda o foco de seu Exército para a proteção da Amazônia e suas recém-descobertas reservas de petróleo marítimas.
Nosso Comentário :
Brasil e França Fecham Contratos de US$ 12 bilhões
Bem grande este acordo com a França de US$ 12 bilhões, ou € 8,6 bilhões (euros), sendo que € 6 bilhões para empresas francesas e apenas 2,6 bilhões para empresas brasileiras. Tal montante será financiado em muitos anos.
Para construir 5 submarinos, sendo 4 convencionais SBR (Scorpène/Marlin), serão gastos € 4,1 bilhões ou US$ 5,720 bilhões. Isso representará € 820 milhões, ou US$ 1,144 bilhão em média por cada submarino francês. Uma conta rápida de US$ 1,8 bilhão para o SNBR levaria cada SBR a custar US$ 980 milhões.
Um aspecto a ressaltar é que a França financiará a instalação de um estaleiro da DCNS em Itaguaí (um porto do Rio de Janeiro), no qual serão construídas todos os 5 submarinos. Esse local já foi decidido juntamente com a nova base de submarinos, que sairá da baía de Guanabara.
Já os 50 helicópteros EC-725 custarão € 1,9 bilhão de euros, devendo ser entregues a partir de 2010. Serão US$ 2,651 bilhões, ou US$ 53 milhões a unidade.
E nada foi dito sobre as Fragatas Multimissão FREMM , que eram dadas como certas antes da recente oferta coreana e até de possível proposta norte-americana.
Vemos que € 4,1 bilhões irão para os submarinos e € 1,9 bilhão para os helicópteros. A soma é de € 6 bilhões. Foi dito que o restante será gasto com empresas brasileiras.
O fato é que € 2,6 bilhões sobre € 8,6 bilhões representam 30 %. Quanto? 30 %! Ah, agora está explicado.
SBR = Submarino Brasileiro.
SNBR = Submarino Nuclear Brasileiro
23 Dec
FAB Estuda Avião Cargueiro Superpesado
No fim de 2008, a FAB teria dado início a estudo de mercado para futura aquisição de avião cargueiro superpesado. Tal Cargueiro Militar Estratégico comporá a força de transportadores pesados que, juntamente com o Cargueiro Militar Tático C-390, deverão ser a futura espinha dorsal dos cargueiros da Força Aérea Brasileira.
Alguns candidatos são previsíveis : C-17 Globemaster (muito caro), IL-76 (muito bom), e o antológico ucraniano Antonov ANT-124. O europeu Airbus A-400M, de 37 ton, parece descartado, pois disputará com o C-390, de 27 ton. Além disso, ele tem tido uma série de problemas e seu custo operacional cresceu bastante.
(Saiba Mais…)

ANT-124
22 Dec
Mídia: Folha de São Paulo
Data: 22/12/2008
Falta ambição para Brasil se tornar superpotência
Para consultor de política externa de Barack Obama, contudo, país influencia destino de superpotências, como EUA e China.
Nome ascendente, o americano de origem indiana crê que Obama terá menos ferramentas para influir no mundo - pela crise e o fracasso militar. Dirige o New America Foundation e é autor de “The Second World -Empires and Influence in the New Global Order” [O Segundo Mundo - Impérios e Influência na Nova Ordem Global].
No novo mundo que espera o presidente eleito Barack Obama, a crise econômica que assola os EUA fará o país ter menos ferramentas não-militares de persuasão em sua política externa, o chamado “soft power” (poder suave, expressão cunhada por Joseph Nye, da Universidade Harvard).
Nesse mundo multipolar, ganham importância os países de “Segundo Mundo”, como Brasil e China. E isso não segundo a definição clássica, da Guerra Fria, que usava o termo para os países na órbita da então União Soviética, mas no conceito de Parag Khanna, norte-americano de origem indiana que, aos 31 anos, é a nova estrela entre analistas de política externa. São países com características de Primeiro e Terceiro mundos. Khanna falou à Folha por telefone. Leia abaixo trechos da conversa:
FOLHA - O sr. defende a redefinição dos termos Primeiro, Segundo e Terceiro mundos. Chama os que fazem parte do grupo do meio de “países em transição”, como o Brasil. Pode ampliar o conceito?
PARAG KHANNA - Os países do Segundo Mundo estão presos nesse grupo em termos socioeconômicos. O que os define é como lidam com a globalização, se são capazes de capitalizar as oportunidades do mercado global -como acredito que o Brasil é- ou se são vitimados por esse mercado global - como acredito que muitos países são.
Os países de Segundo Mundo são os que têm divisões internas, com características de Primeiro Mundo e de Terceiro Mundo, como China e Brasil. Ambos são parte do mesmo grupo, mas a diferença é que a China tem ambições globais. Competir com os EUA e a Europa faz dela uma superpotência. Sim, você pode ter superpotências de Segundo Mundo. Para ser uma, não é preciso ser rico -a China não é rica internamente, mas poderosa.
FOLHA - O fato de um país ter ou não ambição global o define?
KHANNA - Sim. Mas a relação entre eles também é importante. A China e os EUA são superpotências, o Brasil não. Mas, se o Brasil decidir rejeitar as ofertas da China em termos de comércio e investimento, isso vai prejudicar as ambições globais chinesas. Do mesmo modo, se o Brasil decidir não cooperar com os EUA na América Latina, então as políticas dos EUA para a região serão ainda mais fracassadas do que são hoje. Meu ponto é que países de Segundo Mundo como o Brasil têm influência sobre o sucesso das superpotências, por isso têm poder.
FOLHA - Como esse conceito de Segundo Mundo difere do conceito de Brics [acrônimo criado pelo Goldman Sachs em 2001 que agrupa as potências emergentes Brasil, Rússia, Índia e China], por exemplo?
KHANNA - Há muitos problemas com o conceito de Brics. Em primeiro lugar, ele faz uma projeção para 40 anos, o que não pode ser exato por definição, especialmente no momento atual. Ele olha tão longe que é impossível refutar, mas é impossível validar também.
Em segundo lugar, são apenas quatro países. Mesmo quando se diz Brics + 11, como tem acontecido ultimamente, são 15 países. Eu falo de 40 países no Segundo Mundo. Esse conceito é falho ao não levar em conta diplomacia, estratégias política e militar.
FOLHA - Um dos capítulos mais longos de seu livro o sr. dedica ao Brasil, onde já esteve. Qual sua impressão?
KHANNA - Muito favorável. A força do país está em sua economia diversificada, não só baseada nos recursos naturais, mas também muito industrializada e com inovações em alguns setores. Além disso, acho positivo algumas políticas de desenvolvimento do governo.
Programas como o Bolsa Família, por exemplo, são inovadores e difíceis de implantar. Na verdade, não encontrei nada similar, com tamanho sucesso, em nenhum outro lugar do mundo, com exceção talvez da China. Os dois países estão criando um mercado interno muito forte por conta disso. Por fim, a diplomacia: acho o Itamaraty incrivelmente sofisticado, a maneira com que lida com questões de comércio.
FOLHA - O sr. é um dos defensores do mundo multipolar, em que os EUA perdem