Defesa BR

O Blog Defesa BR discute um Planejamento de DEFESA para o Brasil.

Archive for the ‘América Latina’ Category

Pravda - Lula Apresentou Ambicioso Plano

Mídia : Pravda

Data : 23/12/2008

Lula apresentou ambicioso Plano de Defesa Nacional

O Brasil faz esforços para consolidar seu peso na região e, ao mesmo tempo, encontrar seu papel de uma potência a escala mundial. O presidente Luís Inácio Lula da Silva, a popularidade interna do qual está comparada aos êxitos diplomáticos, quer blindar o país no âmbito da defesa.

Para modernizar as Forças Armadas obsoletas, o presidente escolheu como o sócio estratégico a França.

O presidente, Nicolas Sarkozy, chega hoje a Brasília com uma visita oficial.Uns dias depois de declarar na cúpula de Costa do Sauípe a intenção da formar uma mega-organização latino-americana , sem a participação dos EUA e Canadá , mas inclusão de Cuba, Lula segue somando. Com Sarkozy pretende discutir duas questões.

Primeiro, abordaria o apoio de Bruxelas para converter-se no membro permanente do Conselho da Segurança da ONU. Segundo, firmaria os acordos estratégicos de defesa.

Em concreto o Brasil pretende comprar n a França quatro submarinos convencionais “Scorpéne”. Com a transmissão da tecnologia francesa , Brasília estará em condições de construir um submarino nuclear que poderia ser terminado em um prazo de 10 a 12 anos.

O acordo inclui também a construção no território brasileiro de uns 50 helicópteros de transporte EC-725. A soma total do tratado poderia superar 3.000 bilhões de dólares.

A autonomia da França para vender a tecnologia foi determinante para o Brasil , que eliminou a Rússia do concurso de venda por negativa de Kremlin quanto à esse fator. A opção francesa eleita pelo Brasil contrasta com a aliança da Venezuela de Hugo Chávez com a Rússia.

Nos últimos meses o governo brasileiro desenvolve o ambicioso Plano de Defesa Nacional, apresentado por Lula na semana passada. Desta maneira inicia-se a modernização das suas Forças Armadas com o objetivo de preservar seus recursos naturais ricos, reposicionar seus efetivos militares e adquirir a autonomia tecnológica.

A administração brasileira considera que este plano dá uma capacidade para poder “dizer não” a Washington.

Entre os principais novidades do plano, figura a redistribuição dos efetivos das suas Forças Armadas para proteger as zonas estratégicas. Assim, na zona fronteiriça da Amazônia o número de efetivos será aumentado de 17.000 até 25.000.

As reservas petrolíferas das zonas marítimas como Tupi, também serão prioritárias. Segundo o ministro de Defesa Nelson Jobim, a característica principal do novo Exército será a “mobilidade”, quer dizer, a conversão dos destacamentos militares em unidades da resposta rápida.

O plano prevê a permanência e o reforço do serviço militar obrigatório, descarta a inclusão das mulheres e incorpora somente como sugere ( e não como uma obrigação segundo o borrador inicial) a possibilidade dos jovens descartados do serviço militar, exercer um trabalho alternativo social.

A nova estratégia militar defensiva de Lula potenciará também a indústria militar, tanto pública como privada, para contar com uma indústria bélica “made in Brazil”.

“As Forças Armadas brasileiras não recebem investimentos de forma planificada e integrada desde há 30 anos”, recorda Rodrigo Godoy”, experto de defesa do jornal “Estado de São Paulo. Como acredita o ministro Jobim, o Brasil “pensa em grande”.

E está de moda. É um “softpower com uma imagem muito positiva no mundo”, disse ao jornal La Nacion, Eduardo Viola , o professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília.

Nosso Comentário :

Segundo Pravda russo, o Brasil trabalha para consolidar seu peso na América do Sul e, ao mesmo tempo, encontrar seu papel de potência mundial.

Para blindar o país no âmbito da defesa e modernizar as Forças Armadas obsoletas, o presidente Lula escolheu como sócio estratégico a França. A opção francesa eleita pelo Brasil contrasta com a aliança da Venezuela de Hugo Chávez com a Rússia.

Inicia-se a modernização das suas Forças Armadas com o objetivo de preservar seus recursos naturais ricos, reposicionar seus efetivos militares e adquirir a autonomia tecnológica. A administração brasileira considera que este plano dá uma capacidade para poder “dizer não” a Washington.

Enfim, tudo bem reconhecido pelos russos e bem colocado.

Nas Entrelinhas - Cabeças-Cortadas

Mídia : Correio Braziliense

Data : 14/12/2008

Nas Entrelinhas - Cabeças-cortadas

Só agora, com o ministro Nelson Jobim e o atual Alto Comando, surge uma nova Política de Defesa, cujo eixo é a efetiva proteção da Amazônia e da plataforma continental

Luiz Carlos Azedo

A questão militar no Brasil ainda é um assunto aberto, embora esteja submerso num mar de idéias fora de lugar, preconceitos e ressentimentos. O noticiário sobre os 40 anos do Ato Institucional nº 5 não deixa margem a dúvidas. A sociedade ainda cobra o esclarecimento dos fatos do passado. A antiga oposição ao regime militar mantém abertas as chagas das torturas. Os militares preferem o silêncio sobre o assunto.

Mas o passado ressurge quando menos se espera, como aconteceu no depoimento macabro do tenente Vargas sobre a execução e esquartejamento de guerrilheiros do Araguaia.

Cortar cabeças e esquartejar adversários no Brasil foi uma prática corrente nos conflitos. São inúmeros os exemplos, a começar pelo massacre dos paulistas por portugueses e baianos no Capão da Traição, nas proximidades de Tiradentes. O próprio alferes Joaquim José da Silva Xavier, nosso mártir da Independência, foi enforcado e esquartejado. Muitas cabeças rolaram na Balaiada (MA) e na Cabanagem (PA).

Ninguém sabe direito o que aconteceu a Solano Lopes e seus últimos combatentes em Cerro Corá. A ira do Conde D`Eu foi implacável. Em Canudos, o coronel Moreira Cesar, herói da guerra do Paraguai, foi esquartejado pelos jagunços e seus pedaços pendurados nos galhos.

Euclides da Cunha relata no Os Sertões o destino dado a Antônio Conselheiro e aos que o acompanharam até a liquidação do arraial baiano. “Ao entardecer, quando caíram os últimos defensores, que todos morreram. Eram apenas quatro: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados.”

A obra euclidiana teve tamanho impacto no Exército que virou o livro de cabeceira dos tenentes, a começar pelo capitão Luiz Carlos Prestes, cuja coluna atravessou os sertões do país por 25 mil quilômetros, até se internar na Bolívia. Para confundir as tropas legais, Siqueira Campos deu cobertura à retirada e percorreu 9 mil quilômetros a uma velocidade de 20 léguas por dia.

Até então, a jovem oficialidade se rebelava contra iniqüidade social, as fraudes eleitorais e o despreparo das Forças armadas, movimento que resultou na Revolução de 30.

Mas veio o levante comunista de 1935, liderado por Prestes, com a participação de dirigentes estrangeiros da III Internacional, e tudo mudou. A doutrina de segurança nacional passou a considerar os comunistas como “inimigos internos”. A experiência de formação do Exército brasileiro, desde o Império, com seu séquito de cabeças-cortadas, corroborava a doutrina.

A potência

Com a deposição de João Goulart, em 1964, os militares assumiram o poder com o propósito de transformar o Brasil na maior potência da América do Sul. Nacionalistas e entreguistas superaram suas divergências, com a linha dura militar batendo para valer na oposição, em todos os sentidos.

A Escola Superior de Guerra, inspirada na guerra da Argélia, desenvolveu a doutrina da “guerra psicológica, subversiva, adversa e permanente” para legitimar como “combate ao terrorismo” a brutal repressão à oposição ao regime.

A tese se encaixou como uma luva por causa dos focos guerrilheiros no Caparaó (RJ), no Vale da Ribeira (SP) e no Araguaia (PA), além das ações de guerrilha urbana (seqüestros de diplomatas, assaltos a banco e ataques a sentinelas).

Apesar da liquidação da luta armada, a doutrina da ESG só foi para o espaço com a Guerra das Malvinas, já em plena abertura do governo Figueiredo. O Exército argentino entrou em combate contra a Inglaterra, no Atlântico Sul. Os Estados Unidos mandaram às favas a “Doutrina Monroe” e deram apoio logístico aos ingleses.

O Brasil assistiu de camarote, mas caiu a ficha de que o país não tinha uma política de defesa nacional de verdade. O que havia era apenas a repressão à oposição, antipatia aos argentinos e cooperação militar com os Estados Unidos. Com a democratização, os militares ficaram mesmo sem rumo.

Só agora, com o ministro Nelson Jobim e o atual Alto Comando, se consolida uma nova Política de Defesa, cujo eixo é a efetiva proteção da Amazônia e da plataforma continental. Isso implica gastos com o reaparelhamento das Forças armadas e o reposicionamento de seus efetivos para construir certo poder de dissuasão em relação aos vizinhos e às potências do planeta.

Por que são necessários? Por causa da presença das Forças armadas Revolucionárias da Colômbia — FARC — na nossa fronteira com a Colômbia, da reativação da 4ª Frota da Marinha dos EUA no Atlântico Sul, dos crescentes problemas com o Paraguai (brasiguaios e Itapu), Bolívia (fornecimento de gás natural) e Equador (expulsão de empresas e calote de dívidas), além da agressiva militarização do regime de Chávez na Venezuela, com apoio de Cuba e da Rússia. Isso só interessa aos militares? Não, quem vai pagar a conta é a sociedade.

 

Nosso Comentário :

Instigante crônica de Luiz Carlos Azedo. Cortar cabeças dos inimigos é uma tradição dos brasileiros nos conflitos históricos? Dizem que sim. Seria interessante um levantamento maior sobre isso.

Essa tradição poderia servir de “marketing” para eventuais clientes com ânimo de nos enfrentar sem provocação, de invadir nossas terras e expulsar nosso povo, ou seja, até mesmo de liquidar com nossa soberania e a pátria amada. Isso não é brincadeira, é uma realidade que se aproxima a olhos vistos.

O Brasil nunca teve mesmo uma política de defesa nacional de verdade. Então, é muito bom ver que a sociedade finalmente acordou para uma real Estratégia de Defesa, que servirá a várias ameaças, sendo todas bem difusas.

Quando uma ameaça some, muitas outras surgem, e a original pode reaparecer a qualquer momento. Tem sido assim com a Argentina no fim do Século XX e com Bolivarianos neste início do Século XXI, sem sabermos como ficará a Argentina de Kirchner neste contexto, pois ele se comporta como um tímido aliado de Chávez. Mas, até quando se mostrará como tímido? E a Rússia?

Um descuido nesse campo minado poderá ser fatal ao Brasil. Todas as frentes regionais tornam-se latentemente perigosas. Demandaremos construir uma logística gigantesca e esse deverá ser o nosso forte no novo Plano de Defesa.

A transformação e o reaparelhamento intensivos das Forças Armadas tornaram-se imperiosos, e todos – militares e civis – estão absolutamente convencidos de sua emergência.

Todos estão ainda conscientes do forte crescimento do Brasil que se avizinha em um mundo perigosamente carente de recursos aqui abundantes, e das conseqüentes e crescentes responsabilidades para a manutenção da paz regional e mundial.

O Gigante acordado caminhará com seriedade e responsabilidade!

Roberto Silva

DEFESA BR

 

O Que Se Pode Fazer Imediatamente

Mídia : G1

Data : 06/12/2008

Nos EUA, Jobim reitera desejo de desenvolver indústria militar nacional

Washington, 5 dez - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou hoje que o Brasil só comprará caças que permitam o desenvolvimento da indústria militar nacional e criticou os Estados Unidos por colocarem obstáculos à transferência de tecnologia.

“Nós não nos apresentamos no mundo como compradores de equipamentos de defesa. O que nós queremos é que essa indústria se desenvolva no Brasil”, afirmou Jobim em discurso no Woodrow Wilson Center, um instituto de estudos independente.

O Brasil pretende renovar sua Força Aérea com a aquisição dos F-18 Super Hornet, fabricados pela empresa americana Boeing, os Rafale da francesa Dassault e os Gripen da sueca Saab.

Na conferência, o embaixador dos EUA no Brasil, Clifford Sobel, disse ter esperança de que o caça americano seja o escolhido, o que, segundo ele, daria continuidade “à vinculação das duas nações em matéria econômica e militar”.

O ministro, que se reunirá hoje com o futuro Conselheiro de Segurança Nacional, o ex-general James Jones, lembrou que o Brasil recebeu um GPS (sistema de posicionamento global) “degradado” dos EUA para o modelo Supertucano da Embraer.

O GPS é peça fundamental do sistema de guia e de tiro da aeronave.

No final, o problema foi “solucionado”, graças à intervenção de Sobel, explicou Jobim, que disse que esse caso demonstra o perigo da “dependência” de outros países para a manutenção dos acessórios militares adquiridos.

O Brasil quer adquirir um pequeno lote inicial do avião escolhido para depois produzir as unidades seguintes no país.

Para desenvolver a própria indústria, o setor militar precisará de “um regime jurídico, regulador e tributário especial”, sustentou Jobim, que enfatizou que as compras públicas deverão continuar para que a capacidade de produção do país seja mantida.

O Brasil também está imerso em um projeto para modernizar a força naval e proteger assim os recursos de hidrocarbonetos em águas profundas.

Graças a um convênio assinado com a França, o país receberá tecnologia para a construção dos sistemas não atômicos de um submarino de propulsão nuclear, disse Jobim.

O ministro assegurou que a renovação das forças armadas tem um objetivo dissuasório frente a possíveis agressores e destacou que o Brasil não mantém disputas fronteiriças com nenhum dos países vizinhos.

No entanto, ele reconheceu que há tensões com o Equador, depois que o Governo de Quito apresentou um requerimento perante a Corte Internacional de Arbitragem para frear o pagamento de um crédito concedido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O Governo respondeu chamando a consultas seu embaixador em Quito e Jobim descartou que a controvérsia diplomática leve a um conflito militar.

“Não há nenhuma possibilidade de que este momento de desavenças com o Equador” tenha conseqüências maiores. “Isso se resolve na mesa” de negociações, assegurou Jobim.

Nosso Comentário :

O Que Se Pode Fazer Imediatamente

Interessante esse caso do GPS do Super Tucano. Nunca foi fácil lidar com os EUA e agora não vai ser diferente. Jobim reconheceu as tensões com o Equador. Poucas figuras do atual governo diriam isso, claramente.

Jobim participou de um painel nesse Woodrow Wilson Center, que discutia um relacionamento estratégico entre os dois países. Diplomatas brasileiros afirmaram haver um atual grau de relacionamento, até mesmo uma relação estratégica. Jobim cansou desse tipo de conversa e afirmou taxativo:

“Não temos mais tempo para pensar em aprofundamento de diálogo. Devemos é pensar no que se pode fazer imediatamente.”

Visivelmente cansado de retóricas, ele arrematou, provocando risos na platéia americana:

“Não importa se a parceria é estratégica, meio estratégica ou relativamente estratégica. Essas questões semânticas deixamos para os companheiros do Itamaraty, que são bons em lidar com advérbios e com adjetivos.”

O engraçado é que abriu-se uma crise entre os ministérios da Defesa e das Relações Exteriores na casa dos outros, não em Brasília. Parece que todos estão cansados das políticas e fracassos do ministro Celso Amorim.

Sinceramente? Queremos resultados, e para ontem, porque o Plano de Defesa, Chávez e seus aliados vêm aí, e a pressa de Jobim demonstra essa preocupação.

- “Devemos é pensar no que se pode fazer imediatamente !”

 

Mídia : Estado de São Paulo

Data : 04/12/2008

Jobim fala com secretário dos EUA

Patrícia Campos Mello

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, reúne-se hoje com o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, para discutir cooperação militar. Deve entrar na pauta também a compra de caças para a Força Aérea Brasileira (FAB). Gates será mantido no cargo pelo presidente eleito Barack Obama.

Jobim irá à Agência de Segurança de Tecnologia de Defesa, que cuida das garantias na transferência de tecnologia militar para outros países.

O governo do Brasil pretende gastar até US$ 2,5 bilhões na compra de 36 caças, um negócio que pode chegar a 150 aviões no longo prazo. Entre os finalistas analisados pelo Ministério da Defesa estão caças americanos (F-18), franceses (Rafale) e suecos (Gripen).

Os suecos e franceses não impõem restrições à transferência de tecnologia, uma exigência brasileira, mas os americanos resistem a isso, por força de lei.

Nossa Opinião :

Brasil Escolheu F-18 e Adentra F-35 de 5ª Geração?

Essa notícia já foi tratada pela Folha hoje como se fossem favas contadas e o Brasil já tivesse se decidido pela aquisição dos Super Hornets americanos.

A menos que tenha havido alguma reviravolta, esta compra só deverá sair lá pelo fim de 2009. As questões de transferência de tecnologia americana não dependem somente do executivo deles, mesmo com Barack Obama assumindo a presidência em 20 de janeiro próximo.

Dependerá mais do que o congresso deles decidir sobre o Brasil. Isso se a FAB escolher o F/A-18 E/F. Ou será que a FAB ficará em segundo plano, sendo atropelada pela decisão política? Aí, teria que valer muito a pena.

 De qualquer modo, seria interessante saber o que Jobim e Gates estariam discutindo em termos de “cooperação militar”. Este termo é tão vago, o Brasil tem cooperação com diversos países e suas Forças Armadas continuam à míngua há tantos anos.

Diz-se que Jobim estaria negociando a participação da Embraer e outras empresas nacionais na produção de componentes e caças de 5ª Geração (F-35 / F-22).

Provavelmente, no âmbito cooperativo, viria também um pacote imediato com muitos cacarecos usados em termos de navios, blindados e aeronaves. Não que isso não seja interessante, pois a nossa pressa é real, dado tanto descaso de décadas para com a Defesa. Mas que tudo seja bem equilibrado, olhando-se sempre para o nosso futuro e o só agora descoberto PD&I.

Há uns 5 anos, essa participação no projeto do F-35 foi oferecida a Embraer, que recusou porque o governo brasileiro não tinha qualquer interesse nisso à época (o país estava quase quebrado). Não haveria encomendas internas.

Como hoje o mundo e nossa antes calma América do Sul são outros, e o país também está em outro patamar (com ou sem crise), pode ser que os interesses entre Brasil e EUA estejam finalmente se encaixando na Era Obama.

Este mês de dezembro promete: Jobim nos EUA hoje, apresentação do Plano Estratégico de Defesa ao CDN prometida para o dia 11 e divulgação na semana posterior, visita do presidente Sarkozy para o dia 22, e Papai Noel para a noite de 24. Bom, o último sabemos que já está trabalhando e todo ano traz presentes sem alardes, já essas outras promessas… veremos !

 

Família F-35

Família F-35

 

 

 

 

Da Liderança à Berlinda (Brasil)

Mídia : Folha de São Paulo

Data : 02/12/2008

Da Liderança à Berlinda (Brasil)

ELIANE CANTANHÊDE

BRASÍLIA - Hugo Chávez lançou a Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas) em 2001, como reação aos EUA e à Alca (Área de Livre Comércio das Américas), que veio a morrer de morte morrida. O grupo foi formalizado em Havana, em 2004, mas não chegou muito longe.

Além de Venezuela e Cuba, só aderiram à Alba Bolívia, país mais pobre da América do Sul, Nicarágua, que ainda sofre efeitos da guerra interna, Honduras, da América Central, e Dominica, um pontinho no Caribe. Digamos que não dá para ameaçar a Calc (Cúpula da América Latina e do Caribe), que reúne 33 países na Bahia, dias 16 e 17.

O que preocupa é o Equador de Rafael Correa, que estapeou Odebrecht, Petrobras e Furnas e ameaça um calote no BNDES, o que deixa de ser contra uma empresa privada e passa a ser contra o governo brasileiro. Lula cancelou uma missão técnica a Quito e depois chamou o embaixador de volta.

Ontem, havia um corre-corre no Itamaraty para avaliar os problemas e oferecer saídas para cada um antes do dia 15, tudo para que Correa não chegue à Bahia uma fera, contaminando o clima geral.

Blocos e regiões convivem com divergências e conflitos. Os próprios Brics têm seus problemas: a Rússia e a mágoa dos ex-satélites soviéticos, a Índia e o Paquistão em torno de Caxemira, a China e Bangladesh e os arroubos do Tibete.

Mas o Brasil alardeia sua eterna imagem pacifista e faz questão de uma foto da Calc só de sorrisos, para sinalizar unidade e integração para o mundo e especialmente para o Norte. Correa pode botar tudo isso a perder se atirar pedras contra o Brasil, trouxer para dentro da reunião o apoio que já recebeu da Alba e unir a “esquerda” contra a “potência” local.

Isso deixaria o Brasil cara a cara não com o frágil Equador, mas, sim, com a forte Venezuela e seus aliados, provocando uma mudança radical. Lula quer ser líder, mas pode acabar na berlinda.

Nosso Comentário :

“Ontem, havia um corre-corre no Itamaraty para avaliar os problemas e oferecer saídas para cada um antes do dia 15, tudo para que Correa não chegue à Bahia uma fera, contaminando o clima geral.”

Juro que não entendo essa gente, pois não era para ninguém estar preocupado se o Correa vai estar uma fera, muito pelo contrário. Esse Itamaraty é frágil assim?

Se o nosso governo não está, nosso povo é que está uma fera com Correa, Chávez, Morales, Lugo, etc. Todos estão unidos e firmes contra o Brasil, enquanto isso o Itamaraty prepara bolinhos e acepipes de festa. Huummmm… Que tempos são esses!?

E quem disse que o MAG maluco tinha caído? Está na mesma Folha de hoje :

“O assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, disse ontem que o governo brasileiro tem elementos de convicção de que o Equador pagará sua conta de US$ 243 milhões com o BNDES e que o clima ruim entre os dois países estará melhor antes do dia 15.”

Prendam a respiração, que ainda não acabou o show maligno da raposa que cuida do galinheiro :

“Ao descartar a possibilidade de um movimento coordenado de outros países “esquerdistas” da região declararem um calote contra o Brasil, Garcia argumentou: “Como? O Paraguai não tem dívida com a gente, a Bolívia, se tiver, é uma merreca, e toda a dívida da Venezuela foi contraída já no governo [Hugo] Chávez, que, portanto, não pode chamá-la de ilegal nem ilegítima. Isso não existe”.”

Dá para soltar a respiração lendo o que diz e pensa um inconseqüente destes na anti-sala da presidência de um país como o Brasil? Dizer “isso não existe” é uma comédia de mal gosto frente à realidade que enfrentamos. Como se a imprensa e nosso povo estivessem inventando, não os hispânicos falando o tempo inteiro. Lembram-se dos aloprados, aqueles dissimuladores amadores?

Ah, sim, se o Lula enfrentar o Chávez e quantos mais bolivarianos vierem, jamais vai ficar na berlinda frente ao povo brasileiro, que é o que importa, muito pelo contrário. Terá todo o apoio.

E dizer que a Venezuela é forte é muito exagero. Forte é o Brasil, com verbas ou sem verbas para as Forças Armadas.

 

Mídia : O Blobo Online - Miriam Leitão

Data : 1º/12/2008

Brasil virou o ‘gringo’ da vez para países vizinhos

Venezuela, Bolívia, Paraguai e Equador estão ameaçando dar calotes no Brasil que podem chegar a R$ 5 bilhões. Neste caso, a diplomacia brasileira precisa dar todos os sinais para esses países de que negócios são negócios, e que a amizade está à parte. O BNDES aumentou muito a sua exposição ao risco em países da América do Sul. Agora, tem que se preparar para a cobrança.

Tudo começou com o Equador, que está em discussão de sua dívida há muito tempo. O repórter José Casado, do jornal O Globo, mostrou que nós brasileiros ajudamos a consolidar esse risco de calote. O Ministério da Fazenda cedeu uma auditora, paga com dinheiro brasileiro, para que ela ajudasse a fazer a auditoria da dívida do Equador. E a conclusão a que se chegou é que não deveria pagar ao Brasil. Tem cabimento?

Esse processo ganhou força quando a Bolívia colocou tropas dentro de uma empresa brasileira, a Petrobras, e o Brasil divulgou nota para dizer que a Bolívia tinha direito de defender sua soberania. Como se os investimentos da Petrobras na Bolívia colocassem em risco a soberania deles.

Essas confusões que a diplomacia brasileira fez no governo Lula, o excesso de empréstimos sem causa de proteção, colocaram o Brasil nesta situação.

Agora, a Venezuela diz que também quer rever a dívida com o Brasil. Estamos sendo tratados como “o gringo” da vez por esses países. Ideologia e empréstimos bancários não combinam muito. Se o Equador não paga, quem paga somos nós, que mantemos o Tesouro.

Pelo menos desta vez o governo tomou a decisão certa de chamar de volta o nosso embaixador do Equador.

Nosso Comentário :

E ainda estão dizendo que o Marco Aurélio Garcia foi afastado. Como, se ele continua lá no Planalto como conselheiro do Lula?

Logo, logo, o Celso Amorim e o Lula começam a falar mais fino, e tudo volta a ser como tem sido. Preparem-se para mais impostos e inflação, pois é a classe média que vai pagar a “Revolução Bolivariana”, sem ao menos querer saber o que seja isso.

Revolução Bolivariana é a união dos países de língua espanhola na América do Sul contra o Brasil, país de língua portuguesa. O próximo passo revolucionário será exigir a revisão do Tratado de Tordesilhas e todos os atuais limites fronteiriços que todos os nossos vizinhos mantêm com o Brasil. Isso agora é mera questão de tempo.

Por que ? Porque querem e acham que vão nos expulsar de nossas terras e porque não foram eles que assinaram esses tratados, agora ’ilegais’ para eles. Então, podem.

E tem deputado brasileiro aceitando e dizendo que é tudo direito soberano dos hispânicos fazerem isso. Prefiro tratar direto com os Chávez da vida do que com esse tipo de “inimigos internos”.

 

 

Brasil Sendo Encurralado na Era Lula, com Perdões e Desvios

A decisão dos governos do Equador, Venezuela, Bolívia e Paraguai de realizarem auditorias em suas dívidas externas, transformou o Brasil em alvo político e financeiro na América do Sul.

O BNDES acumula mais de US$ 5 bilhões em empréstimos concedidos principalmente a esses quatro países, como parte da política de financiamento estatal às exportações de bens e serviços de engenharia. Isso sem contar as dívidas destes mesmos países que foram perdoadas pelo governo Lula.

Vemos os “bolivarianos” todo santo dia enfiarem mais e mais suas garras em nossa garganta e nos fazerem ameaças, cada vez mais contundentes e perigosas. Boa parte da culpa é de Lula, que criou o monstro. De início, ele salvou Chávez da degola, lembram-se?

Hugo Chávez está por trás de tudo que vem acontecendo contra o Brasil, mas nunca toma a frente, pois justamente na frente se diz “amigo” de Lula, e o pior de tudo é que este acredita ou faz que sim. Pior ainda, Lula é assessorado por Marco Aurélio Garcia, a raposa que cuida do galinheiro.

Ou pior do pior, Lula pode estar sendo conivente com Chávez e o Bolivarianismo (seja lá o que isso for), contra os interesses do Brasil. Vide o Fórum de São Paulo, grupo de 15 anos, que reúne os partidos de esquerda latino-americanos, apoiado por Lula. Ninguém investiga isso a fundo, nem ao menos o repreende. O Brasil atual não tem oposições de verdade, só interesseiros de plantão no Congresso. É tudo fato.

O que mais falta para essa brava (?) gente de Brasília - Executivo e Legislativo, tomar uma atitude para apoiar nossa única forma de proteção, as Forças Armadas? Antes que as perdas sejam muito maiores, como a própria soberania. Cadê os 2,5% do PIB para termos uma Defesa decente e de vez? Isto é algo secundário? Soberania também é?

Ressaltamos que a diplomacia sul-americana do presidente Lula e seu ministro Celso Amorim já afundou de vez, como em tantas Titanics recentes. Desse mato de conversa fiada de diplomatas e imperdoáveis perdões de dívidas passadas, não sai mais um único coelho para o Lula brincar de estadista da América do Sul. Esses perdões sim é que têm que ser auditados. CPI dos Perdões já!

O risível projeto de liderança de Lula no subcontinente implodiu e ele encontra-se neste momento de joelhos à frente do verdadeiro líder, Hugo Chávez, pois este também comanda os desígnios da Argentina, que ninguém se iluda com os “hermanos” e o casal Kirchner.

Este é mais um fato que não se pode ignorar e o Brasil está agora em cheque, quase cheque-mate, faltando muito pouco. E nesta hora, o Brasil está sem liderança, pelo menos à sua altura.

Esperamos que as vozes do Senado Federal levantem-se já CONTRA essa ameaça conjunta de calote de US$ 5 bilhões e tudo o que representam os “bolivarianos”, e A FAVOR dos 2,5% para as Forças Armadas poderem nos proteger do imenso cerco que se vê sendo montado, pois querem nos encurralar, vindos de várias direções.

As Forças Armadas brasileiras precisam viver e respirar Defesa todo dia, em vez de serem desviadas de suas obrigações para ficarem transportando autoridades pela “Air FAB” e fazendo estradas país afora pela “EB Eng” da Era Lula. Chega de jatinhos e tratores. Queremos caças de verdade em números e tanques modernos. CPI dos Desvios Já!

 

 

Brasil, o Imperialista do Sul

Mídia : Folha de São Paulo

Data : 25/11/2008

Facada nas costas

ELIANE CANTANHÊDE

BRASÍLIA - O presidente Rafael Correa tem todo o direito, até o dever, de defender o Equador de empresas que estão há décadas tirando muito e dando pouco ao país. Mas não precisa ser infantil, irresponsável, sem limites. E ele está sendo.

Tudo começou… com a Bolívia jogando o Exército nas refinarias da Petrobras. Correa deve ter achado o máximo e foi atrás. Enxotou a Odebrecht, retirou os direitos de uma penca de brasileiros no país, ameaçou Petrobras e Furnas e agora pede arbitragem internacional para dar o calote no BNDES. “Uma facada nas costas”, dizem diplomatas brasileiros e assessores de Lula, com uma reclamação de conteúdo, outra de forma.

De conteúdo: há o temor de que os tiros de Correa ricocheteiem na credibilidade de empréstimos pelos sistema CCR (com garantia dos Bancos Centrais). E, depois, na própria Unasul.

Quanto à forma: Lula fica enlouquecido com Correa, que tem um discurso a portas fechadas e outro nos palanques. Na véspera da facada no BNDES, assessores equatorianos se reuniram com diplomatas brasileiros, em Quito, e não abriram a boca.

No dia seguinte, pimba! Lá estava Correa se gabando em público de ser machão com o Brasil. Nós conhecemos o nosso Lulinha. Tudo pode. Mas deixá-lo com cara de tacho? Isso não pode.

Ele jogou duro quando cancelou uma missão técnica que levaria um saco de bondades para o Equador. Agora endureceu de vez ao chamar o embaixador Antonino Marques Porto para explicações.

Bem ou mal, a Venezuela tem petróleo, e a Bolívia, gás. E o Equador? Nada a oferecer e muito a ganhar do Brasil e da Unasul forte. Correa corre ladeira abaixo, sem avaliar os riscos, inclusive de se isolar até de seus aliados Chávez, Evo Morales e Fernando Lugo.

A não ser que tudo seja uma armação contra “o imperialista do Sul”. Aí, nem é mais questão diplomática. É psiquiátrica.

Nosso Comentário :

Brasil, o Imperialista do Sul

Sempre gostei da Eliane Catanhêde, jornalista sensata e esperta. Tão esperta que levanta a lebre de que tudo o que vem acontecendo contra o Brasil desde Morales tratar-se-ia de uma armação limitada aos ditos “revolucionários bolivarianos”. Mas existem roteiristas e atores internos nessa peça teatral, e isso não pode ser esquecido nem menosprezado.

É óbvio que se trata disso mesmo, uma armação sendo coordenada por Chávez, aquele que vem fazendo a sociedade brasileira inteira acordar (com bastante sucesso, graças a Deus) de seu sonho de belo mundo em paz, criancinhas sorrindo e céu sempre azul (mesmo com nosso povo sendo chacinado nas metrópoles mais periculosas).

De uma hora para outra, a área de Defesa saiu do limbo para prioridade nacional. Ainda bem que não precisamos de uma invasão maciça na Amazônia para acordarmos.  

Falta o Gigante levantar-se, bater com os punhos fechados nos peitos, e pegar seu tacape para quem vier. Mas isso já é estória para um futuro governo menos titubeante.

Gigante de Pé

Gigante de Pé

Mídia : O Globo / Newsweek

Data : 19/11/2008

Brasil Potência Desperta ‘Agressividade’ em Vizinhos

O desenvolvimento do Brasil como potência econômica mundial despertou animosidades em países vizinhos, diz um artigo da revista americana Newsweek desta semana.

“Na medida em que o Brasil se torna um país mais poderoso, seus vizinhos se tornam mais agressivos”, diz a revista.

“Estes dias, os imperialistas falam português”, diz o artigo, afirmando que agora o país “marca o passo econômico da América Latina e está se tornando cada vez mais o alvo nº 1″ - posição que a Newsweek diz ter sido ocupada no passado pelos Estados Unidos.

“O rugido anti-brasileiro mais alto vem dos Andes, onde líderes populistas que marcham ao som dos tambores da ‘revolução bolivariana’ do homem forte venezuelano Hugo Chávez, tentam reconstruir suas nações através da redistribuição de riquezas e do aumento do poder dos grupos e minorias indígenas há muito negligenciados.”

A revista diz que “nos últimos dois anos, os líderes de Venezuela, Equador e Bolívia lançaram insultos contra seu vizinho dominante, e ultimamente o clima tem se exaltado”. Como exemplo, Newsweek cita o episódio da expulsão da construtora Odebrecht pelo governo do Equador.

E a reação anti-Brasil está chegando ao sul do continente, segundo o artigo. “No Paraguai, o presidente Fernando Lugo tomou posse em agosto sob a bandeira de ‘independência energética’ - código populista para extrair concessões do império’ do outro lado da fronteira.”

“Ele (Lugo) está acusando o Brasil de pagar menos pela energia que importa da usina hidrelétrica de Itaipu, e quer liberdade para vender metade do total para qualquer país que desejar.”

“Popular”

Apesar do antagonismo, o artigo diz que “ironicamente, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva continua popular na América Latina”. O presidente boliviano Evo Morales “se referia reverenciosamente a Lula como seu ‘irmão maior’”, “Chávez raramente perde uma oportunidade de foto com Lula” e “a primeira viagem internacional de Lugo como presidente foi para Brasília”.

“Fazer dos brasileiros os novos gringos pode cair bem para a arquibancada, mas é arriscado política e economicamente”, segundo Newsweek.

“Até agora, o Brasil vinha sendo o maior investidor estrangeiro da Bolívia, enquanto o Paraguai se tornou o quinto maior exportador de soja graças à tecnologia brasileira”, diz a revista.

A reação do Brasil tem sido “quase de penitência ante seus vizinhos pequenos, que cada vez mais representam os habitantes de Lilliput para o Gulliver do Brasil”, diz o artigo, em uma referência aos seres minúsculos que o personagem Gulliver encontra na ilha de Lilliput no romance As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift.

“Embora o governo de Lula tenha sido rápido em enfrentar os países ricos - fazendo queixas formais contra os Estados Unidos e os europeus na Organização Mundial do Comércio sobre barreiras comerciais a etanol, algodão e açúcar - ofender os irmãos no hemisfério rende pouco mais do que uma repreensão”, afirma Newsweek.

Mas “a tolerância brasileira pode estar acabando”, conclui o artigo, que cita que o Brasil realizou “exercícios militares na fronteira com o Paraguai no mês passado - mensagem difícil de não se ver”.

“Não espere uma versão tropical da guerra preventiva. Mas pode ser um sinal de que o Gulliver Latino não está mais querendo enfrentar as coisas deitado”, disse o artigo da revista Newsweek.

Nosso Comentário :

Essa matéria da Newsweek é tão boa que parece sair de qualquer um dos diversos blogs, sites e fóruns que tratam de Defesa no Brasil. Digamos que trata-se de um apanhado geral da realidade bolivariana que temos acompanhado. Só parecem desconhecer o lindo projeto de poder de Mr. Chávez.

Entretanto, esse trecho é muito feliz e impagável; devemos ler e reler, de tão bem feito que é :

“A reação do Brasil tem sido “quase de penitência ante seus vizinhos pequenos, que cada vez mais representam os habitantes de Lilliput para o Gulliver do Brasil”, diz o artigo, em uma referência aos seres minúsculos que o personagem Gulliver encontra na ilha de Lilliput no romance As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift.”

Pois é, acertarem ao dizer que a tolerância brasileira está acabando, pois o Gigante não está mais querendo enfrentar as coisas deitado.

Divertida charge mostrando Lula vestido de freira levando bofetadas e pontapés dos amigos.

Lula vestido de freira levando bofetadas e pontapés dos "amigos".

Divertida charge mostrando Lula vestido de freira levando
bofetadas e pontapés dos “muy amigos” bolivarianos
Correa (Equador), Morales (Bolívia) e Chávez
(Venezuela), da esquerda para a direita. Só
faltou o ex-Bispo Lugo (Paraguai).
(Charge de Iotti no Zero Hora
de 10 de outubro de 2008)

A vez do Paraguai Encrencar com o Brasil

Media : Correio Braziliense

Data : 22/10/2008

A vez do Paraguai

João Cláudio Garcia

Depois de Bolívia e Equador, chegou a vez de o Paraguai encrencar com o Brasil. A crise era prevista desde o ano passado, quando começou a se configurar uma vitória do ex-bispo Fernando Lugo na eleição presidencial do país vizinho, encerrando mais de 60 anos de domínio do Partido Colorado. Agora, o Itamaraty ou o Planalto deverão agir para acalmar os ânimos em Assunção, onde o clima historicamente hostil aos brasileiros piorou bastante nesta semana. 

A declaração de um general brasileiro sobre a possibilidade de ocupação militar de Itaipu caso movimentos sociais do Paraguai invadam a usina, aliada ao prazo de 72 horas imposto por grupos de sem-terra para que Lugo faça a reforma agrária em propriedades de brasiguaios, abalaram as relações bilaterais. Animados pelo fato de enfim contarem com um presidente esquerdista, cujo discurso é carregado de referências à justiça social, os manifestantes camponeses acreditam que chegou a hora de resolver a questão por bem ou por mal.

Os dois governos temem um banho de sangue, e as forças de segurança paraguaias parecem ser incapazes de evitar o pior. Embora o discurso oficial seja de amizade entre os povos, de respeito mútuo, é certo que políticas nacionalistas e o rancor causado pela Guerra do Paraguai, 14 décadas depois, têm influência nas decisões tomadas por Assunção e Brasília. O sentimento de injustiça é propagado pelos principais jornais paraguaios, que falam de “imperialismo” na região e “desrespeito à soberania”, sempre numa perspectiva histórica.

O fato de a população do Paraguai ainda não ter exorcizado esses fantasmas e insistir na culpa de brasileiros e argentinos pela situação do país serve de combustível para uma crise que pode tomar proporções maiores. Presidente eleito de forma democrática e limpa, Lugo tem o direito de escolher os melhores caminhos para seu país, desde que não viole o direito internacional nem crie instabilidade e insegurança regional. Às autoridades brasileiras, por sua vez, cabe neste momento de tensões exacerbadas evitar frases polêmicas que contribuam com a crescente maré de repulsa ao verde-e-amarelo na vizinhança.

Nosso Comentário :

Esses camponeses sem-terra paraguaios são apoiados pelo MST e Via Campesina brasileiros, entre outros, e por diversas entidades dos demais países bolivarianos, como os movimentos sociais, camponeses, sindicalistas e indígenas, todos interligados hoje pela mesma causa revolucionária comunista.

É interessante ver como atualmente os movimentos indígenas estão sempre na ponta dos problemas, lá e cá. Achávamos que os indígenas da América latina eram massa de manobra apenas dos americanos, mas Chávez prova todo dias que não. Serão eles mais um fruto da CIA que saiu da rota, como ocorreu com o terrorista Osama Bin Laden?

Os camponeses paraguaios estão armados e dispostos a se unirem em uma onda de invasões, tendo dado um prazo de 72 horas para o governo expulsar os brasileiros que não tenham escrituras legais de suas fazendas. Mas está claro que vão atacar todos os fazendeiros brasileiros lá.

“O presidente Lugo não deve temer o Brasil, porque a terra é dos paraguaios”, afirmou ontem Elvio Benítez, dirigente do movimento camponês em San Pedro.

A hidrelétrica de Itaipu, que também recebeu ameaça de invasão dos paraguaios, está na origem da migração de agricultores brasileiros para o Paraguai, hoje cerca de 450 mil.

Os brasiguaios começaram a atravessar a fronteira nos anos 1970, por causa da construção da usina. Eles tiveram suas terras desapropriadas e adquiriram legalmente terras oito vezes mais baratas que no Brasil.

Estabelecidos nos departamentos fronteiriços de Alto Paraná e Canindeyu, os brasileiros se tornaram os principais produtores de soja, respondendo hoje por mais de 80 % da safra paraguaia.

Por causa de todas as ameaças, o Brasil realiza neste momento, de forma “rotineira”, a Operação Fronteira Sul II, com 10 mil homens nas fronteiras com Paraguai, Argentina e Uruguai. Esse fato preocupa os paraguaios até a alma.

Já o presidente Lugo qualificou de provocativas as expressões do general de Exército José Elito Carvalho Siqueira, comandante militar do Sul, publicadas no site DefesaNet, afirmando que ocuparia Itaipu se o presidente Lula mandasse.