A Fragilidade da Defesa e O Discurso Presidencial

Mídia : Ucho.info

Data : 30/06/2009

A fragilidade da Defesa e o discurso presidencial

Tão logo surgiu a primeira oportunidade no caso do AF 447, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou em cena para afirmar o que sua assessoria sempre soube ser impossível.

Em recente discurso, o metalúrgico disse que “um país que encontra petróleo a seis mil metros de profundidade é capaz de encontrar um avião a dois mil metros”.

Referia-se o presidente à localização do Airbus que desapareceu sobre as águas Atlântico. Mais uma besteira discursiva, todos sabem, mas, esperto que é, o presidente precisava disparar impropérios para manter uma mentira conhecida. A de que o Brasil é um país muito bem protegido.

Quando o governo brasileiro pleiteou as 200 milhas, à época muitos se perguntaram como monitorar tamanha vastidão em alto-mar. Se de lá para cá a tecnologia bélica desembarcou nos sistemas de defesa de muitos países, aqui no Brasil a situação caminhou no sentido contrário.

É verdade que algumas sucatas tecnológicas foram incorporadas à nossa armada, mas nem de longe o País tem o poderio militar que tanto anuncia.

É preciso reconhecer que a Marinha e a Aeronáutica brasileiras agem no limite de suas respectivas capacidades na tarefa de localizar e resgatar vítimas e destroços do AF 447, mas qualquer aplauso deve ser dirigido, única e tão somente, aos bravos integrantes das duas forças militares.

Jamais ao governo atual, que se esforça diuturnamente para vilipendiar a dignidade dos militares. Se na era FHC as Forças Armadas viviam a pedir esmolas, desde a chegada de Luiz Inácio da Silva ao Palácio do Planalto a situação de penúria se agravou.

Historicamente contrário às Forças Armadas, LILS administra o Brasil de duas maneiras distintas e antagônicas. Por um lado, embalado por um populismo conhecidamente barato, age como se fosse o mais radical dos direitistas, dando de ombros para os inúmeros escândalos de corrupção que mancham cada vez mais a sua trajetória como presidente.

Por outro, atua como se ainda fosse um ortodoxo militante da esquerda radical – aquela dos plúmbeos anos – levando ao sacrifício vergonhoso as Forças Armadas, que deveriam ser a salvação de um país com águas jurisdicionais imensas e fronteiras quilométricas.

Bem distante do messianismo de Lula da Silva, que garantiu ser possível encontrar com certa facilidade o avião que fazia o voo AF 447, a realidade brasileira em termos de equipamentos militares é bem diferente e pífia, para desespero dos que ainda acreditam ser o Brasil o país do futuro, situação que amargamos desde os tempos da ditadura.

Enquanto o presidente Lula se preocupa com a expansão do curral eleitoral criado a partir do Bolsa Família, o que patrocina uma legião não apenas de indolentes, mas principalmente de alienados, o Brasil fica à mercê de nações ditas do primeiro mundo e que investem maciçamente nas forças militares.

A existência de alienados em um território é um convite a invasões. E o Brasil não está longe dessa condição de alvo fácil para os escusos interesses de terceiros.

No caso do AF 447 há uma abissal diferença entre encontrar vítimas e destroços e localizar a aeronave ou as tão sonhadas caixas-pretas. Corpos e partes do avião, cedo ou não, acabam boiando.

E resgatá-los, mesmo que exija coragem e bravura, é a parte menos difícil da operação. Um submarino francês e sonares norte-americanos serão os atores principais nessa caçada às caixas-pretas.

Sem esses equipamentos a verdade sobre o AF 447 continuará reinando, quase que solitária, no campo das hipóteses. Os submarinos brasileiros são incapazes de descer a grandes profundidades, o que mostra ser mentirosa a fala do presidente-metalúrgico.

Não causará surpresa alguma quando os sonares ianques e o submarino francês detectarem sinais das caixas-pretas, o que servirá como ponto de partida para a prevenção de futuros acidentes aéreos.

De nada adianta o Palácio do Planalto veicular na imprensa um filmete de caças brasileiros interceptando um avião carregado de cocaína, como forma de exibir uma capacidade defensiva que inexiste.

Tal situação, oportunista e fantasiosa, se assemelha a tomar a esmola depositada no chapéu do cego, pois alguém acaba roubando aquilo que o outro não viu.

Sob a desculpa de monitorar o tráfico de drogas e armas no Atlântico Sul, a Casa Branca mantém em órbita um satélite capaz de registrar até mesmo a altura das ondas.

Não foi por acaso que, dias atrás, um outro satélite do Tio Sam descobriu o endereço de um faraó do Antigo Egito. Traduzindo para o bom e velho português, o Brasil está a anos-luz de distância de um sistema de defesa minimamente confiável.

Lula tem gazeteado pelo mundo afora as riquezas brasileiras submersas nas águas jurisdicionais do Atlântico, em especial o petróleo do pré-sal, mas não custa lembrar que o Iraque foi covarde e criminosamente invadido e Saddam Hussein perdeu a cabeça apenas porque um grupelho do Texas estava de olho no petróleo que jorra nas pradarias dos rios Tigre e Eufrates.

Nos últimos anos, para justificar os parcos e vexatórios investimentos nas três Forças, o governo brasileiro tem direcionado as tropas verde-louras para missões de paz, ações importantes sob a ótica do bom convívio global, mas inócuas quando vem à baila a vulnerabilidade do País no âmbito da defesa.

O Planalto arruma algo para os militares se ocuparem, sem que a ação irrite as mentes mais maquiavélicas da ortodoxa esquerda nacional.

O que ora exponho nem de longe é um ufanismo “militaresco” e golpista, mas apenas a conjugação de maneira racional de fatos pontuais, dos quais não devemos fugir.

Para um país que sonha em ser um respeitado “player” internacional, o Brasil está muito distante do seu sonho. O Brasil não é uma monumental reunião de monges budistas – crédulos sempre acreditam no vizinho – nem Luiz Inácio da Silva é a versão xavante de Messias, situação que evitaria a malvadeza estrangeira.

Se LILS insiste em posar como xeique sulamericano, sempre lambuzado com o ouro negro das profundezas, que a nossa armada tenha o devido e merecido respeito, pois do contrário o Brasil continuará brincando de gente grande, enquanto o resto do mundo tem sobre a mesa uma versão profissional e bem mais macabra do reles e inocente jogo conhecido como batalha naval.

É verdade que o brasileiro não ostenta a menor vocação para guerrear, mas entre prevenir e remediar a primeira opção é a mais lógica.

Ucho Haddad

Nosso Comentário:


O jornalista Ucho Haddad traça um instigante paralelo entre a fragilidade da área de Defesa no Brasil e o discurso de seu presidente, a um ano e meio do encerramento do período de 8 anos no poder.

A frase de Lula de que o Brasil seria capaz de encontrar um avião a dois mil metros de profundidade é apenas a ponta do iceberg, de uma imensa geleira de besteirois diários aos quais tivemos que nos acostumar por esse longo período, garantido por uma reeleição.

Ucho Haddad afirma que, enquanto Lula se preocupa com a expansão do curral eleitoral dos alienados do Bolsa-Família, o Brasil fica à mercê de nações que investem maciçamente nas forças militares, sendo que a existência daqueles é um convite a invasões, tornando o Brasil alvo fácil para os escusos interesses de terceiros.

Bom, Lula realmente investiu na criação desse universo dependente, o qual lhe garantiu a reeleição, mas a criação do programa deu-se no governo anterior. Todos os candidatos a presidente em 2010 virão com programas pesados para erguer o Nordeste e assistir aos mais pobres, como já se prevê em relação a Roberto Mangabeira Unger, recém-saído do governo, com o Projeto Nordeste.

O problema de nossa empobrecida Defesa não é o Bolsa-Família maior ou menor, pois ele é necessário, mas o reconhecido revanchismo de sucessivos presidentes desde José Sarney, que colocaram os militares em terceiro plano e o povo brasileiro ainda em quinto plano. O grande problema é a falta de moral e de amor ao Brasil de todos eles.

O auge do descaminho brasileiro acontece nesse governo Lula. Sabe-se agora que o Mensalão e os aloprados eram mero café da manhã, comparados aos enormes escândalos de desvios na Petrobras, Senado e tantos outros. Os inúmeros escândalos no Senado têm sua raiz na atual politicagem de apoio aos atos do governo, em que cada caso é tratado como um caso negociável.

Provas do atual descaminho da nação são inúmeras, como é a criminalidade exuberante, o desinteresse de leis contra o crime absoluto, o povo desarmado e indefeso, o tráfico super armado e dominante, a favelização explosiva usada em eleições, a saúde inexistente e humilhante aos pobres, a educação que só é feita de conta e sem vontade política, o saneamento básico zero, a criminosa corrupção a 120%, o legislativo fracassado e acabado, o suporte financeiro ao MST, o perigoso apoio ao bolivarianismo ditatorial e esquerdista – a Revolução Bolivariana – de Chávez e seus aliados, etc, etc, etc.

Roberto Silva

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31 Comments »

 
  • Katia Ennes says:

    Caramba!!! Estou sem palavras. Os dizeres foram fortes, contundentes, mas com certeza deram foco real a raíz do maior mal brasileiro, o “populismo”. Nunca fui a favor do cerceio imposto à liberdade, contudo se formos parar a analisar, a confiança da população na segurança do país, anda meio abalada.

    Me lembro muito bem do discurso do Gen. Figueiredo em que dizia um dia sentiríamos falta da “ditadura”. Óbvio que o tipo de ditadura incivilizante que em muitos momentos tivemos aqui é execrável, porém nunca se viu como naquela época, tantos movimentos cívicos em prol da nação.

    Parece, mesmo aos revolucionários, que a coisa mais importante era nosso país e seu potencial. Todas as grandes obras de crescimento deste país em todas as áreas foram feitas por militares. De lá para cá o que foi feito? Em que o governo cívil melhorou a vida do brasileiro?

    Nos dando “liberdade”? Qual o conceito de liberdade a que eles se referem? Viver acuados, com medo o tempo todo? Não ter como oferecer aos nossos filhos educação e saúde decentes, sem ter de pagar rios de dinheiro por isso, pois o Estado se tornou incompetente para Administrar o básico?

    Apenas uma desilução, fruto de nossa própria incompreensão sobre o que realmente era melhor para o nosso futuro. Não sabemos quem somos. Não temos referência pátria. E pior, um país continente está entregue, imaginando-se intocável, por ser uma República.

    Sou totalmente contra qualquer tipo de violência, mas sei que é necessária a demonstração de força, modo a não sermos subtraídos de nossas identidades, por conta da ganância.

    Nossas Forças Armadas estão estertorando, mas o Poder Público parece, por ranço, ajudá-la a sucumbir, pelo único motivo, tentar sufocar sua incompetência para fazer pelo menos igual, em serviços, ao progresso do país.
    ________________

    Katia:

    Gostei do que você disse e como disse. Desculpe, mas você é do judiciário (pela forma do texto)? rs

    Roberto Silva

 

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