Brasil Terá Seu Veículo Aéreo Não Tripulado
Mídia : Valor
Data : 26/03/2009
Brasil terá seu veículo aéreo não tripulado
Virgínia Silveira, para o Valor – de São José dos Campos
O Brasil prepara-se para atingir o domínio tecnológico na área de veículos aéreos não tripulados (VANT). A empresa Avibrás recebeu R$ 18 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) para desenvolver um VANT com aplicação civil e militar nas áreas de reconhecimento, monitoramento ambiental, inspeção de linhas de transmissão de energia elétrica, tubulação de gás, tráfego urbano, entre outras.
A parte eletrônica do VANT brasileiro, envolvendo o seu sistema de navegação e controle, foi testada com sucesso em seis voos, realizados em dezembro, em uma plataforma de pequeno porte, de propriedade da Força aérea Brasileira (FAB). Iniciado em 2005, o VANT é um projeto desenvolvido pelo Comando-geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), Centro Tecnológico do Exército (CTEx), Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM) e a Avibrás como parceira industrial.
A primeira fase do projeto, que envolveu o domínio tecnológico das partes mais sensíveis do veículo, foi coordenada pelo CTA. A FINEP destinou R$ 9 milhões para essa etapa. Foram realizadas quatro campanhas de ensaios dos sistemas e um total de 27 voos, na aeronave Acauã, desenvolvida pelo CTA na década de 80, com três metros de envergadura.
“A aeronave conseguiu fazer o acompanhamento do traçado do Rio Mogi-Guaçu em voo totalmente autônomo”, disse o coordenador do projeto VANT no CTA, Flávio Araripe D´Oliveira.
Para a última campanha de testes em voo foram contratadas as empresas Flight Technologies (piloto automático), BCC- Bossan Computação Científica (software embarcado) e Johansen Engenharia (engenharia de sistemas). Todos os voos tiveram ainda o acompanhamento de um helicóptero CH-55 Equilo, do Grupo Especial de Ensaios em voo, do CTA.
“Caberá a Avibrás o desenvolvimento de um VANT operacional, de média altitude e 15 horas de autonomia de voo”, explicou. A fase de certificação do VANT, segundo o CTA, tem uma previsão de absorver mais R$ 80 milhões, mas os recursos ainda estão sendo negociados.
O desenvolvimento de veículos aéreos não tripulados no Brasil conta com o apoio da FINEP, através do programa de subvenção econômica, que liberou R$ 80 milhões para 31 projetos considerados estratégicos. Dentre esses projetos, foram selecionadas seis propostas relacionadas a veículos aéreos não tripulados.
Os projetos de VANTs no Brasil ganharam impulso tendo em vista um mercado que movimenta cerca de US$ 8 bilhões por ano, segundo Oliveira. “Até 11 de setembro de 2001, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos investia uma média de US$ 200 milhões a US$ 300 milhões por ano na área de UAV (unmanned aerial vehicle). Atualmente esses valores ultrapassam os US$ 3 bilhões anuais.”
No Brasil existem mais de 10 iniciativas públicas e privadas na área de VANT. Entre elas está a da Flight Solutions, que desenvolve um VANT de curto alcance, com aplicação em reconhecimento para o Exército brasileiro.
A empresa, que iniciou suas atividades em uma incubadora de tecnologia aeroespacial, hoje está instalada no Parque Tecnológico de São José dos Campos. A empresa AGX, em parceria com a Universidade de São Carlos e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) está desenvolvendo um VANT para aplicações agrícolas, como por exemplo, observação de safras.
Nos Estados Unidos os veículos aéreos não tripulados ou UAVs recebem a denominação 3D, como referência ao tipo de missão desempenhada por este tipo de aeronave: dull (enfadonha), dangerous (perigosa) e durty (suja).
No próprio nome já é possível identificar as vantagens operacionais das aeronaves sem piloto: voos longos, sem restrição (algumas aeronaves VANT, como o americano Global Hawk, realizam missões de até 40 horas); acesso a locais com risco de contaminação ou próximas a áreas vulcânicas, por exemplo; e regiões em situação de guerra, com alto risco de abate pelo inimigo.
O desenvolvimento de VANT também integra a lista de prioridades da nova política de defesa nacional do governo. A Polícia Federal, de acordo com Oliveira, lançou recentemente uma procura internacional de VANT com aplicação em reconhecimento e equipados com sensores de infra-vermelho e radar capaz de enxergar alvos em condições atmosféricas adversas.
“Num prazo de dois a três anos teremos no Brasil um sistema completo de VANT de reconhecimento, desenvolvido com tecnologia brasileira e industrializado por uma empresa nacional”, disse.
A Avibrás, segundo ele, tem grande potencial de exportação do VANT para os clientes que utilizam seu sistema de lançamento de foguetes Astros II. “Os usuários do sistema Astros querem saber, com precisão, onde estão caindo os foguetes depois de lançados. Isso normalmente é feito hoje com soldados em terra e aeronaves”.
O VANT, de acordo com Oliveira, é quase um complemento de imagens de satélites, com a vantagem de ter um custo bem mais baixo.
Nosso Comentário:
O projeto do VANT do CTA, CTEx, IPqM e Avibrás (parceira industrial) começou em 2005, mas remonta à década de 80, quando o CTA criou o Acauã (ver PDF).
O interessante na notícia é o apoio da FINEP, que liberou R$ 80 milhões para 31 projetos considerados estratégicos, sendo seis deles de VANTs.
Isso ocorre porque o desenvolvimento de VANTs é uma prioridade clara da END e as três Forças Armadas participam com seus institutos de pesquisa, pois precisam de um VANT de reconhecimento e alvo aéreo. Entretanto, vê-se que a ênfase do projeto também está centrada em aplicações civis, o que é bastante saudável.
Algumas partes da END vão aparecendo, como um vetor aqui e um motor ali. Isso só mostra que muita coisa está acontecendo ao mesmo tempo.
Espera-se que o Brasil conte em breve com um sistema completo de VANT de reconhecimento totalmente nacional.
Roberto Silva
DEFESA BR
Site Defesa BR : http://www.defesabr.com e http://www.defesabr.com.br
Economia BR : http://www.economiabr.defesabr.com
Blog : http://defesabr.com/blog
Grupo : http://br.groups.yahoo.com/group/defesabr
Fórum : http://defesabr.com/forum
TVs : http://www.defesabr.com/TV/tv_defesabr.htm

You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.










O Brasil ta lento d+ na questão de produção de aeronaves não tripuladas!!!!
[Translate]
Olá.
Pequena observação: o VANT da AGX já é operacional há algum tempo e tanto a aeronave quanto o software são nacionais.
Pequeno equívoco: a parceria é com a Universidade de São Paulo (EESC-USP), e não com “Universidade de São Carlos” como mencionado.
Abraços
____________
Vagner :
Verdade, o site da AGX diz isso. Parceiros USP e Embrapa:
http://www.agx.com.br/main/index.php?pg=cli&item=part
A matéria é do jornal Valor e o Defesa BR somente a comentou, mas fica aqui o registro 100% válido do Vagner. Obrigado.
Roberto Silva
[Translate]
Grande Senhora Braz,
Eu só falei das pobres suecas para o Francisco, como um ponto de referencia para o aviaozinho que ele gosta muito. Não foi minha culpa se ele se apaixonou por elas, mas eu sugeri a transferencia de propriedade, ou seja, ele fica com o Gripen e eu fico com as suecas.
Francisco Braz,
A AIG nao cobre crime passional e nem cafetões de suecas como eu. rsrsrsrsrs….
sds.
[Translate]
Grande Tadeu Mendes…
Se for falar com minha esposa sobre as suecas que VOCÊ me arrumou é bom ir de capacete, pois me antecipei e ela já sabe que foi você que as “encomendou”. Ela tem uma panela de pressão (bem pesada e sólida) esperando por você. Ah, a propósito… Espero que seu seguro contra acidentes não seja AIG e cubra fraturas por panelada… he,he,he…
Grande Philip…
Toda grande caminhada começa com um pequeno passo. Isso é válido para todas as áreas e, mesmo que timidamente, o Brasil começa a se ver grande e a acreditar em si próprio.
Começamos a entender que aquela estorinha de que tudo que dá errado é porque tem um componente brasileiro é pura propaganda de quem não quer ver o Brasil independente.
E vamos indo…
[]´s
[Translate]
Todos os Países do mundo acabarão por usar VANTs por ser uma tecnologia “mais barata” se comparada a caças e helicópteros ou até mesmo fotos de satélites (lembro que o Brasil não possui nenhum pois privatizou o seu, rsrsr).
Apesar de terem um custo menor, haverá aqueles que no futuro usarão e aqueles que no futuro produzirão (esse será o nosso caso) com o domínio total da tecnologia e os avanços relacionados a esta área.
Neste campo, o Brasil está de parabéns pois “pegou o bonde no ínicio” e não terá que correr atrás do prejuízo como de costume ocorria.
Pelo fato comercial também revela as inumeras oportunidades de negócios, tão necessárias as nossas empresas e chances de emprego e avanço tecnológico em uma área onde tudo com mais de 5 anos começa a ficar defasado (a informática)
Não sei por que as forças armadas não se aproveitam destas vendas, por acaso são impedidas de vender versões comerciais? ou não podem lucrar com patentes?
Mas, segue o ânimo com Boas e Más notícias
Até o sucesso, Brasil !
[Translate]
Bom dia, senhores:
“Entretanto, vê-se que a ênfase do projeto também está centrada em aplicações civis, o que é bastante saudável.”
Não só é saudável como recomendável para o Brasil.
Os EUA garantem o uso de seus projetos graças a um enorme consumo por parte de suas forças armadas, pois, eles estao quase sempre em guerras mas, o Brasil praticamente nao entra em guerra. O fato de setores civis estarem entrando nessa empreitada pode ajudar e muito esse projeto.
Pensem, o Brasil vai dar o primeiro empurrão com as forças armadas comprando um bom lote desses equipamentos, mas isso talvez nao fosse o suficiente para manter a produçao e é bem aí que entra a parte civil, eles podem comprar mais algumas e assim garrantir um lucro e uma produção que mantenha vivo o projeto.
Eu falei anteriormente, o Brasil está crescendo mais e mais com a sua tecnologia própria, vai demorar, mas assim como o Roberto tambem vou filosofar um pouco.rsrs
” é caminhando que se chega lá e nem sempre pode-se chegar rápido, o importate é não parar”
abraço
____________
Philip :
” é caminhando que se chega lá e nem sempre pode-se chegar rápido, o importate é não parar”
É isso aí, e se parar pra ver a hora, perde o time, rsrs
Roberto Silva
[Translate]
Amigos,
Algo mais; esses VANTS devem ter uma baixa assinatura no radar, se é que são detectados.
Alguém pode me dizer se os VANTs são invisíveis ao radar?
Grande Francisco,
Vai preparando essas suecas para mim, Ok?
Eu preciso ter uma conversa séria com a sua esposa. rsrsrsrs.
sds.
[Translate]
Concordo plenamente, uma sensação de alma lavada.
abraços.
[Translate]
Roberto, este VANT é 100% nacional? Ou ainda dependemos de alguns avionocos estrangeiros ou tbm de alguma empresa estrangeira na parte dos programas de computador?
___________
Shido :
Só a gente perguntando lá no CTA, rs … mas creio que a ideia é de autonomia, acurto, médio ou longo prazo.
Roberto Silva
[Translate]
Em termo de VANT Estados Unidos e Israel são paises de referência no uso e criação. Espero que esses investimentos no desenvolvimento de VANTs continuem de forma progressiva, visando dotar o Brasil de tecnologia e independência.
[Translate]
Extremamente importante o desenvolvimento de um VANT que agregará tecnologias nacionais, sua gama de missões é extremente variada e tira bastantes limitadores, dimunui consideravelmente o risco de missões com aeronaves tripuladas e suas aplicações são bastantes variadas podendo ser utilizado pelas polícias estaduais e federal como pelas forças armadas. Os VANTs representam um futuro não tão próximo mas que já começa a se mostrar.
________
Afonso :
Eu estava lendo hoje que os EUA estão empregando os Predadores em larga escala no Afeganistão, mesmo com erros e quedas. Estão aprendendo e aprimorando coisas como separar mais o botão de lançamento de mísseis do botão que apaga o motor, rs
Roberto Silva
[Translate]
No futuro nossas policias poderão tambem utilizar esse equipamento como um patrulheiro urbano, sendo ele operado por policais de dentro das viaturas! Poderia ser utilizado pelas policias militar, civil e federal!
[Translate]
Amigos, bom dia!
O Corpode Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil, já possui uma unidade, que atua com VANT, que é operacional, e tem fornecidos excelentes informações estratégicas, para a tomada de decisões da Força.
Abs.
Sérgio Capella.
______________
Sérgio :
Sim, é a Equipe VANT do CFN, que já opera o Carcará. Outro dia, lia revista deles e enxertei parte desse trecho abaixo :
“Uma empresa brasileira chamada de Santos Lab desenvolve UAVs, tendo realizado a venda de seus primeiros aparelhos à Marinha do Brasil em 2007.
Na MB, o primeiro pelotão de veículos aéreos não tripulados (PelVANT) equipado com aparelhos da Santos Lab entrou em atividade no Batalhão de Controlo Aerotático e Defesa Antiaérea no Corpo de Fuzileiros Navais (CFN).
O CFN realizou testes com diversos aeromodelos até a escolha do Carcará, que atendeu plenamente aos requisitos estabelecidos: simplicidade, portabilidade, facilidade de operação, facilidade de treinamento, facilidade de manutenção, robustez, recuperabilidade e baixo custo.
Em outubro de 2007, durante a Operação Albacora, em Itaoca-ES, foi empregada uma Equipe VANT do CFN, que realizou reconhecimento de itinerários, possíveis locais para zona de reunião, reconhecimento de líderes, reconhecimento da posição de ataque, cruzamento da linha de partida na hora do ataque e coordenação do assalto simultâneo de dois pelotões ao objetivo, sempre com imagens em tempo real.
O CFN atestou que ele agrega à tropa apoiada alta flexibilidade, agilidade e capacidade de reação, além de diminuir a exposição de homens na aquisição das informações sobre o inimigo em ambientes cada vez mais complexos, conturbados e letais.”
http://www.defesabr.com/FAB/fab_ucav.htm#Carcara
Sérgio, você teria algum material sobre o pára-quedismo na Marinha? Estou preparando uma página.
Roberto Silva
[Translate]
Que bom, depois de tantas notícias que desanimam a gente, essa me entusiasmou, mas vamos lá, um passo de cada vez.
__________
Adolf :
Vou filosofar, rs
Às vezes, até penso um pouco se devo trazer notícias ruins, muitas até seguidas. Isso é um problema para mim, e você tocou bem nesse ponto importante. Mas prefiro que saibamos e conversemos sobre o que anda mal e errado para podermos, em fim, nos alegrarmos com o que anda bem. Não adianta termos uma leitura ufanista, tem que se com sofrimento, como na seleção…
Quem não corre, não sua, não valoriza o sacrifício da corrida, o banho gelado depois, e nem a laranjada que nos remonta ao fim de tudo, rs
Quero dizer, faz bem lermos coisas ruins e ficarmos com raiva porque nos sentimos parte da luta, do processo. Corremos e suamos, mas temos o prazer da ducha e da laranjada na satisfação pelas boas notícias.
Nos sentimos todos mais valorizados assim, não acham?
Roberto Silva
[Translate]
Hora do escondidinho…
Enquanto isso, nas entrelinhas…
A frase do Roberto “Isso só mostra que muita coisa está acontecendo ao mesmo tempo” me faz lembrar de umas aulas de gestão de projetos… Algo a respeito de “caminhos críticos”. Quando uma atividade não depende de outra e será requisito de uma terceira, manda a boa gestão que ambas sejam executadas em paralelo. É aí que demonstra a seriedade do pessoal no trato da END e dá uma idéia do tempo que levará o desenvolvimento de nossas tecnologias críticas. Se não me engano, as empresas designadas para o desenvolvimento do piloto automático, software e engenharia dos sistemas são todas brasileiras. Para os aficionados por misseis de grande alcance, lembro que todos estes itens agregados à Avibrás podem levar ao desenvolvimento de sistemas ASTRO de maior alcance e, até, antiaéreos.
No link http://www.defesanet.com.br/al1/am_la_25.htm do site DEFESA@NET, vão encontrar uma reportagem que demonstra a situação dualidade do novo presidente de El Salvador. A reportagem está em espanhol, mas, se entendi direito, o sujeito pretende, como sua primeira visita oficial, ir a Brasília ainda que componha a ALBA de Hugo Chavez (escrevi direito Roberto? >> não, faltou o acento, rs, Chávez, rs). O texto, além de chamar a atenção para o fato de o salvadorenho estar interessado em seguir os passos de Lula e não Chavez, chama a atenção para o fato de que o Brasil tem pego as idéias de Chavez, refeito a redação (retirando os elementos belicosos) e apresentado para a comunidade sul americana que as acolhe com entusiasmo. Outra parte do texto mostra como o Brasil tem discretamente solapado as idéias mais polêmicas do venezuelano. Em miúdos, estamos presenciando um jogo de xadrez entre Lula e o Chapolim… E o primeiro está ganhando.
Agora algo para a turma que torce para o Gripen no FX-2… O link da revista Segurança e Defesa http://www.segurancaedefesa.com/AESA2NG.html trás a notícia de que a SAAB e a empresa SELEX GALILEO vão desenvolver o radar AESA para o Gripen NG… Chamo a atenção para a frase “De início, o acordo visa especificamente o mercado brasileiro”. Pouco antes de ser anunciado que a Embraer iria, finalmente, desenvolver o C-390, já havia notícias de que a parceira sul-africana já havia contratado fornecedores de peças em material composto para o projeto. Ainda que o vencedor só seja conhecido para o final do ano, acho que a parceria entre os suecos e italianos facilitaria a transferência de tecnologia do radar ao Brasil. Sei não… Pelo sim, pelo não vou preparar minhas suecas para levantar o astral dos torcedores rivais… he,he,he…
[]´s
[Translate]