Governo Terá Até 25% do Capital da Avibras

Mídia : Valor

Data : 26/01/2009

Governo terá até 25% do capital da Avibras

Marli Olmos, de Jacareí

Com a recuperação judicial recém-aprovada, a Avibras, maior empresa de equipamentos de defesa do país, começou a renascer. O dinheiro obtido com o envio do primeiro lote de um novo contrato de exportação permitiu à empresa saldar seu passivo trabalhista, parte das dívidas com fornecedores e ainda abrir uma quantidade de postos de trabalho maior do que fechou em 2008.

Agora começa o processo por meio do qual os créditos de órgãos governamentais serão convertidos em participação acionária. A expectativa é que até o fim deste ano o governo passe a ter entre 15% e 25% da companhia. Até lá, o caixa também será reforçado com pelo menos mais quatro contratos de exportação, prestes a serem firmados com as Forças armadas de países da Ásia, Oriente Médio e América do Sul.

Quando pediu a recuperação judicial em julho passado, a Avibras, uma empresa fundada no início dos anos 60, já não tinha forças para manter a operação nas quatro fábricas na região do Vale do Paraíba, interior de São Paulo. Total de 340 pessoas foram demitidas sem dinheiro. A soma das dívidas com trabalhadores, fornecedores e governo chegou a R$ 641 milhões.

Mas um contrato de valor próximo ao total da dívida com um cliente da Ásia que a empresa prefere não citar o nome chegou em boa hora. Foi com esse reforço que a empresa começou a preparar seu plano de recuperação.

O primeiro passo foi saldar a dívida trabalhista, de R$ 9 milhões, em quatro parcelas. Boa parte dos empregados que finalmente receberam seus direitos foi novamente chamada para trabalhar no início de novembro e ajudar nas entregas do primeiro lote de exportação de sistemas de lançadores de mísseis.

Total de 400 vagas foram abertas há dois meses, o que levou a empresa a ultrapassar a marca dos mil empregos. Agora a empresa se prepara para abrir pelo menos mais 100 postos ainda este mês.

O segundo passo foi honrar a dívida com os pequenos fornecedores. O volume de dinheiro envolvido nessa etapa é muito menor do que a empresa deve aos grandes fornecedores. No entanto, ajuda a Avibras a estar em dia com um grande contingente de empresas, como explica Sami Hassuani, presidente da empresa. Dos R$ 7 milhões de dívidas com fornecedores, R$ 700 mil eram devidos a 460 empresas. Essa parte foi quitada.

Os R$ 6,3 milhões restantes precisam ainda ser pagos a um total próximo de 70 grandes empresas. Para essa missão, Hassuani explica que a direção da empresa fez uma verdadeira peregrinação batendo de porta em porta para negociar. O saldo foi favorável: todos aceitaram receber em oito parcelas.

O maior credor é o governo. Além de tributos, a Avibras deve dinheiro para o INSS, Banco do Brasil e Finep (financiadora de projetos), entre outros. A proposta de trocar dívidas por ações da empresa surgiu, segundo Hassuani, depois de uma ampla discussão entre quatro Ministérios (Defesa, Desenvolvimento, Fazenda e Relações Exteriores).

Com a aceitação da idéia de ser sócio de uma empresa que pode ser estratégica para a defesa brasileira, governo e Avibrás deram início a um amplo processo por meio do qual as contas da empresa serão minuciosamente auditadas. Com a ajuda de uma auditoria e de uma consultoria serão processados diversos relatórios.

Somente no final desse processo é que será definido o tamanho da fatia de participação do governo federal na companhia. A nova estrutura precisa ser aprovada em assembléia de acionistas.

O governo será minoritário, mas sua participação é relevante. Já está acertado que a União terá uma “golden share”, que lhe permitirá impedir contratos com os quais não concorde. A exemplo do que existe hoje na Embraer, que, além de vizinha da Avibrás, surgiu em moldes muito semelhantes: da vontade de ex-integrantes do ITA de fazer do Brasil um produtor de equipamentos de defesa.

“O governo percebeu que é importante estar dentro de uma empresa de defesa”, destaca Hasuani, satisfeito com a notícia que recebeu do Ministério da Defesa, no dia 12, de que o pedido de recuperação judicial fora aceito.

O executivo afirma que a situação financeira da companhia começou a ficar ruim pelo próprio contingenciamento de orçamento da União. “O problema é que todas as nossas dívidas estava vinculadas a programas militares que repentinamente sofriam contingenciamento”, afirma. “Pegávamos o dinheiro e investíamos em programas que não raras vezes avançavam não mais do que 15%.”

Hassuani é um executivo da Avibras que assumiu o comando da companhia depois que João Verdi de Carvalho Leite, o fundador da empresa, e a sua esposa desapareceram quando o helicóptero que ele pilotava caiu em alguma parte entre Angra dos Reis (RJ), de onde voltavam, e São José dos Campos (SP), onde moravam. Isso aconteceu há um ano. Até hoje eles não foram encontrados.

O único herdeiro, João Brasil Carvalho Leite, foi nomeado curador dos bens do pai. É, portanto, hoje dono de 70% das ações da companhia.

Carvalho Leite viveu a época de glória e também de fracasso da Avibras. Nos anos 80 a atividade era garantida pelas encomendas das Forças armadas. Segundo Hassuani, entre 1987 e 1988, o faturamento anual chegou aos US$ 500 milhões. No ano passado, a receita ficou em R$ 103 milhões e, em 2007, R$ 55 milhões.

Para Hassuani, o que persegue a empresa há pelo menos 15 anos é a falta de crédito. “Temos as fábricas, o conhecimento e as máquinas para produzir sem investir”, afirma. Segundo ele, a Avibras consegue faturar pelo menos meio bilhão de reais por ano apenas colocando gente. “Com o que já temos poderíamos ir a 3 mil ou até 4 mil funcionários”, diz.

O que entusiasma o executivo agora são as perspectivas dos contratos futuros. Hassuani explica que a empresa está negociando 13 novos contratos de exportação. Desses, quatro estão bem adiantados e podem ser assinados ainda neste ano. Além das perspectivas de receita nova vindo do exterior, Para ele, uma vez saneada, a Avibras passará a ter crédito e, assim, colocar a casa em ordem.

Nosso Comentário:

É sempre bom vermos que uma empresa do porte e do significado que a Avibras tem para o Brasil poderá ter agora um futuro tranquilo, com compra no Brasil e o mercado externo vendo a garantia do governo brasileiro por trás.

O contrato de exportação recém-fechado sabemos que foi com o Paquistão, foi noticiado. Já os novos quatro contratos a serem firmados com países da Ásia, Oriente Médio e América do Sul devem mesmo ficar em segredo até serem concretizados.

Quando a empresa voltará a ver faturamentos anuais acima de US$ 500 milhões? Quais serão as novidades tecnológicas que virão por aí? Alguém sabe?

Roberto Silva

DEFESA BR

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34 Comments »

 
  • Alano.

    DÊ uma olhada se eles são ou não capazes de modernizar aeronaves americanas.

    Pois tem 30 anos que eles só recebem dos EUA a mesma coisa que a Maria recebe atrás da horta, e ainda tem a maior parte dos F4, F14 entre outros modernizados e letais.

    Inclusive no fim do video você verá o que parece uma nova aeronave baseada no F5.

    Uma pergunta: Nos vendemos algum A29 para o Irã?

    LINK:
    http://www.truveo.com/IIAFIRIAF/id/1640070268

  • Caro Arcanjo,

    Veja que apesar de “Marco Aurélio Garcia, conselheiro presidencial para complicações cucarachas” e o Sr. Celso Amorim, ofertarem dobrar o valor da energia eletrica paga pelo Brasil e a criação de um fundo binacional para desenvolvimento mútuo, de uma linha de crédito especial para empresas brasileiras que queiram investir no Paraguai.

    Os paraguaios, pasmen, não aceitaram!

    Eu tenho a impressão de que o Indio Cocaleiro está quase nas nossas mãos, porém o padreco ainda vai dar mmmmmuuuuuiiiiiitttttaaaaaa dor de cabeça, ainda mais aliado com o MST (que deveria se chamar “Grupo Anti Brasileiro Armado Revolucionario Subversivo Terrorista dos Trabalhadores Rurais Bolivarianos”)
    G.A.B.A.Re.Su.Te.T.Ru.Bo (mas escrito em vermelho com uma bandeira vermelha não com a foto do Che Guevara, e sim uma foto do Chapolin Chavez Colorado.

    Nossa Senhora, agora viagei na maionese.
    FUI…

  • Tadeu Mendes says:

    Amigos,

    Desculpem pelo meu panico. E que eu estou desatualizado em relacao a muitos aspectos da Defesa Nacional, e quando li a materia, me criou essa ambiguidade, pois eu subentendi que nao tinhamos o software para o exercicio, e ainda pior, depender da Argentina, o que seria uma vergonha.

    Obrigado ao Roberto e Braz pelo esclarecimento do episodio.

    E Parabens a empresa ATECH pelo merecido premio que recebeu. Essas empresas sao de dar orgulho ao Brasil, alem de serem um exemplo da capacidade cientifica e tecnologica povo brasileiro.

  • Braz, boa tarde,

    Pelo que sei, o “crapula” do Caccciola é cidadão italiano e por isso não foi extraditado para o Brasil naquela epoca, mas com certeza, o Baptisi não deve ser extraditado por mera “BIRRA” ou certa admiração vermelho/comunista com este belo “Farabutto”(F.D.P).

    Desculpem o palavreado, mas já temos terroristas demais aqui em nosso pais, PCC, CV, AdA, MST, APB, FARC, etc; Pra que importar mais? Cazzo.

    Daqui a pouco vamos dar asilo politico ao OSAMA BIM LADEN e hospeda-lo no Grand Hyatt São Paulo, e ainda providenciar todas as despesas, inclusive um andar só pra ele manter o seu Harem, com direito a academia de primeiro mundo pra deixar as mulheres dele bem gostosas pro coitado do terrorista. Ops, esqueci “refugiado Politico”.

 

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