Brasil e França Fecham Contratos de US$ 12 bilhões
Mídia : O Globo
Data : 23/12/2008
Sarkozy e Lula assinaram acordos nesta terça-feira
RIO – O Brasil e a França assinaram nesta terça-feira acordos na área de defesa no valor de 8,6 bilhões de euros (cerca de US$ 12 bilhões ou R$ 28,38 bilhões), que incluem a transferência de tecnologia para que o Brasil possa desenvolver sua própria indústria bélica. O acordo está entre os cerca de dez tratados assinados hoje pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy, que encerra um visita de dos dias ao Rio de Janeiro na terça-feira.
Sob o acordo, o Brasil comprará 50 helicópteros EC725 construídos localmente pela Helibras, subsidiária da Eurocopter no Brasil. A Eurocopter, por sua vez, é subsidiária do grupo europeu EADS. Os helicópteros, cujo valor é estimado em 1,9 bilhão de euros, devem ser entregues a partir de 2010.
A França também vai fornecer ao Brasil a tecnologia para construir quatro submarinos convencionais, no valor de 4,1 bilhões de euros, além do primeiro submarino nuclear do país. Os acordos permitirão ainda ao Brasil construir um estaleiro militar e uma base naval com tecnologia francesa.
Do total de 8,6 bilhões de euros, 6 bilhões irão para empresas francesas e 2,6 bilhões para empresas brasileiras, segundo uma fonte da delegação francesa.
Um dos submarinos construídos no Brasil por empresas francesas contará com propulsão nuclear, mas esta tecnologia não será oferecida pela França, mas pela Marinha de Guerra brasileira.
Os dois líderes também assinaram um plano de ação para guiar essa associação, assim como acordos na área espacial, para a promoção do desenvolvimento sustentável na Amazônia, o combate à exploração ilegal de ouro nesta região e programas de ensino profissionalizante.
Se a França aceita transferir a tecnologia militar é porque estamos conscientes de que o Brasil tem um grande potencial para promover a paz e a segurança, assim como tem um grande potencial econômico e político
Também foi assinado um convênio de cooperação na área nuclear e outro pelo qual os dois países criarão um centro de estudos sobre a biodiversidade, com o qual pretendem aproveitar as potencialidades da Amazônia, a maior floresta tropical do mundo e que compartilham graças à Guiana Francesa, território ultramarino da França.
Segundo Lula, o Brasil optou pela firma dos acordos militares com a França porque o país europeu “não só ofereceu os equipamentos em venda, mas também se comprometeu a construí-los no país e a transferir a tecnologia”.
- Se a França aceita transferir a tecnologia militar é porque estamos conscientes de que o Brasil tem um grande potencial para promover a paz e a segurança, assim como tem um grande potencial econômico e político – disse Sarkozy.
Lula afirmou que o acordo representa uma ruptura, que reflete o status do Brasil como potência emergente.
- A França está disposta a…construir uma aliança no Brasil, a transferir tecnologia para que o Brasil possa ter uma indústria de defesa que corresponda à sua importância no hemisfério, no mundo – disse Lula durante a coletiva.
Estaleiro será construído no Rio
O principal dos acordos é o que permitirá ao Brasil construir cinco submarinos convencionais do tipo Scorpene, um dos quais terão armamento convencional, mas contará com propulsão nuclear.
A França ajudará o Brasil a adaptar o reator nuclear no casco de seu submarino, mas o desenvolvimento da tecnologia será de responsabilidade da Marinha brasileira, que há anos tem um projeto para construir um submarino nuclear.
Os acordos também prevêem assistência francesa para a “concepção e construção de um estaleiro de fabricação e manutenção desses submarinos, e de uma base naval capaz de abrigá-los”.
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou que a França financiará a instalação de uma unidade do estaleiro privado DCNS em um porto do Rio de Janeiro, no qual serão construídas as embarcações.
Os 50 helicópteros, que serão fornecidos pela empresa Eurocopter, serão construídos em conjunto com a indústria brasileira.
As aeronaves serão fabricadas pela Helibras, uma subsidiária da empresa francesa Eurocopter com unidade em Minas Gerais e que produzia, principalmente, aparelhos civis.
Além da transferência de tecnologia francesa para a produção dos helicópteros, o acordo também prevê que as partes das aeronaves sejam oferecidas por empresas brasileiras.
No plano de ação assinado hoje, os dois presidentes também asseguram que a cooperação militar poderá ser estendida para modernizar o Exército brasileiro, o desenvolvimento de um veículo terrestre sem piloto, a digitalização dos campos de operações e o desenvolvimento de uma rede de vigilância territorial.
Sarkozy acrescentou que a França também pretende oferecer os cerca de 30 caças militares que o Brasil pretende comprar.
No ano passado, o Brasil destinou 880 milhões de dólares para completar um reator nuclear para o submarino.
O governo Lula apresentou um novo plano de defesa estratégica na semana passada, que muda o foco de seu Exército para a proteção da Amazônia e suas recém-descobertas reservas de petróleo marítimas.
Nosso Comentário :
Brasil e França Fecham Contratos de US$ 12 bilhões
Bem grande este acordo com a França de US$ 12 bilhões, ou € 8,6 bilhões (euros), sendo que € 6 bilhões para empresas francesas e apenas 2,6 bilhões para empresas brasileiras. Tal montante será financiado em muitos anos.
Para construir 5 submarinos, sendo 4 convencionais SBR (Scorpène/Marlin), serão gastos € 4,1 bilhões ou US$ 5,720 bilhões. Isso representará € 820 milhões, ou US$ 1,144 bilhão em média por cada submarino francês. Uma conta rápida de US$ 1,8 bilhão para o SNBR levaria cada SBR a custar US$ 980 milhões.
Um aspecto a ressaltar é que a França financiará a instalação de um estaleiro da DCNS em Itaguaí (um porto do Rio de Janeiro), no qual serão construídas todos os 5 submarinos. Esse local já foi decidido juntamente com a nova base de submarinos, que sairá da baía de Guanabara.
Já os 50 helicópteros EC-725 custarão € 1,9 bilhão de euros, devendo ser entregues a partir de 2010. Serão US$ 2,651 bilhões, ou US$ 53 milhões a unidade.
E nada foi dito sobre as Fragatas Multimissão FREMM , que eram dadas como certas antes da recente oferta coreana e até de possível proposta norte-americana.
Vemos que € 4,1 bilhões irão para os submarinos e € 1,9 bilhão para os helicópteros. A soma é de € 6 bilhões. Foi dito que o restante será gasto com empresas brasileiras.
O fato é que € 2,6 bilhões sobre € 8,6 bilhões representam 30 %. Quanto? 30 %! Ah, agora está explicado.
SBR = Submarino Brasileiro.
SNBR = Submarino Nuclear Brasileiro
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Bom pessoal, quero apenas fazer algumas ressalvas. Primeiro, quem pensa que a Venezuela tem a melhor Força Aérea da América do Sul, se deu mal; para vcs que não sabem, não estudam estratégia, nós somos a única força que trabalha em BVR, fora do alcance visual e somos a única que trabalha às cegas, sob comando de radar e podemos nos abastacer no ar. Numa guerra real, os caças russos da Venezuela cairiam todos na Amazonia e seria uma ótima caçada para nossos guerreiros dos SIGS.
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