Avibrás Renasce com Contrato de R$ 500 milhões

Media : Estadão

Data : 12/09/2008
 

Avibrás renasce com contrato de exportação de R$ 500 milhões

Após 13 meses de espera, empresa obteve as garantias do governo que viabilizam o negócio

Roberto Godoy

A Avibrás Aeroespacial, maior grupo produtor de equipamentos militares do País e que atravessa um período sob recuperação judicial solicitada, obteve ontem às 14 horas as garantias do governo federal para concluir a exportação de R$ 500 milhões em foguetes, veículos lançadores e unidades de apoio para um cliente da Ásia. O negócio foi concluído há 13 meses, mas emperrou na burocracia do governo, que procurava a base legal adequada para a operação e assim, mantinha a venda paralisada. Enquanto aguardava a liberação da caução oficial, a Avibrás investiu na encomenda – e em julho chegou a um impasse: solicitar a recuperação – instituto jurídico que substituiu a concordata – ou sair do mercado.

“Como a segunda hipótese é inaceitável, decidimos seguir lutando”, afirma o presidente Sami Hassuani que, admite, passou quase dois meses “praticamente morando em Brasília”.

Ontem, a procuradoria do Ministério da Fazenda conciliou o processo. Hoje o Banco do Brasil entrega à organização financeira do país cliente o conjunto de garantias – incluindo as securitárias. “Por conta do fuso horário favorável, o comprador encontrará os documentos na instituição de crédito logo pela manhã”, diz Hassuani.

O lote é grande. Abrange um regimento completo do sistema Astros-II da última geração e os veículos de comando e de comunicações, além de enorme quantidade de foguetes – entre eles o novo SS-80 com alcance acima de 100 km e ogiva carregada de granadas que são dispersadas, como uma chuva de aço quente, sobre o alvo.

João Brasil Carvalho Leite, o controlador do grupo Avibrás, pretende que o primeiro embarque seja feito até dezembro. Outros três carregamentos serão feitos entre março de 2009 e janeiro de 2010.

Para Sami Hassuani, a execução do contrato “marca o início da retomada da curva positiva na empresa e reforça a presença da indústria brasileira de material de Defesa no aquecido mercado asiático”.

A retomada da linha de produção pode determinar o preenchimento de 350 vagas abertas com as demissões realizadas na primeira quinzena de agosto.

O valor estimado do processo de recuperação é também de R$ 500 milhões. As dívidas em renegociação têm como principais credores a União, o BB, a Previdência, o sistema tributário, a Finep, fornecedores diversos e uma trading.

A companhia mantém negociações estimadas em cerca de R$ 4,8 bilhões para abastecer forças Armadas de cinco países do Oriente Médio e da Ásia.

Os ministros da Defesa, Nelson Jobim, das Relações Exteriores, Celso Amorim, da Fazenda, Guido Mantega, e do Desenvolvimento, Miguel Jorge, atuaram intensamente para a solução do problema do atendimento das fianças à exportação para o cliente não revelado. Em janeiro, o fundador e presidente da empresa, João Verdi de Carvalho Leite, desapareceu, em companhia da mulher, Sonia Brasil, depois que o helicóptero que pilotava caiu entre Angra dos Reis e São José dos Campos. Em dezembro, Verdi revelara, em entrevista ao Estado, o seu projeto de consolidação da marca por meio de novos contratos e de pelo menos cinco produtos. Para ele, o Brasil poderia faturar 4 bilhões por ano com o setor industrial militar.

João Verdi usava o helicóptero como se fosse um carro: de casa para a fábrica, em Jacareí, e de volta, no fim da tarde. Um vôo de Angra dos Reis, onde mantinha uma confortável casa de praia, até São José dos Campos, onde vivia e trabalhava, era rotina na carta de pilotagem. Pequenas aventuras cotidianas do empresário que, nos anos 80, era recebido para jantar nos palácios de Saddam Hussein, quando o ditador iraquiano ainda era o bem-amado do Ocidente, na condição de inimigo dos radicais islâmicos de Teerã. “Lembro-me dele como um homem agradável”, costumava contar. Saddam comprou e usou largamente, na guerra contra o Irã, o lançador múltiplo de foguetes Astros-II, criação pessoal de Verdi e o principal produto do grupo.

Em 91, na Guerra do Golfo, o fogo mudou de lado: o Astros-II estava com a artilharia da Arábia Saudita. De novo por obra de Verdi, um raro brasileiro a quem os soberanos de Riad recebiam pessoalmente. Exércitos de 14 países usam produtos da Avibrás. Criada há 47 anos, a organização emprega cerca de 600 pessoas.

Nosso Comentário :

A Avibras está sendo preparada pelo governo brasileiro pra ser grande exportadora e para receber junto com a Embraer o futuro contrato de produção dos caças  adquiridos no âmbito do Projeto FX-2, com algo em torno de 108 unidades ou coisa ainda maior, a sabermos com o tempo.

Com o acordo entre Brasil, Índia e Rússia, o caça de 5ª Geração PAK FA deverá ser desenvolvida pelas empresas Sukhoi russa, Hindustan Aeronautics Limited indiana e a Combaer brasileira. A Combaer vem a ser um termo usado pelo governo para designar a união das “Companhias Brasileiras de Aeronáutica” no projeto, que seriam a Embraer e a Avibras.

FOG-MPM

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11 Comments »

 
  • Márcio Amaral Paes says:

    Herdei ações da AVIBRAS de meu Pai – Armando Amaral Paes – Alguem está interessado em investir na AVIBRAS? Depois que ela crescer os valores das ações também se elevarão.

  • Quero ter a oportunidade de trabalhar com voces.

  • Corbam Braga says:

    Caro Marco Antonio :

    Vc falou como um verdadeiro patriota e foi muinto certo em suas palavras. Mas me pergunto se na questão da ENGESA não havia interrese dos EUA em quebrá-la.

  • Leonardo Ramos says:

    “Acho que o desmanelamento das nossas forças armadas já era um projeto antigo da esqueda que lançou o nosso pais na inepcia de tecnologia militar, como exemplo cito a engesa.”

    kkk

    Marco Antonio, obrigado por ter respondido, você falou (quase) tudo. Acrescento apenas que a Engesa foi a pique na década de 80, e até onde eu sei a esquerda chegou ao Palácio do Planalto em 2003.

    __________

    Leonardo :

    Chegou não, ela começou com José Sarney, Brizola no Rio, etc, justamente nos anos 80. E PSDB é de direita, é? :)

    Roberto Silva

  • Marco Antônio says:

    Desculpe-me José Carlos, nossas esquerdas não são tão competentes. O desmantelamento de nossas forças armadas são um resultado de crises econômicas, governos civis incompetentes, liberais ingênuos, políticos míopes e uma população despreparada que acredita na tese idiota de que o Brasil é uma nação pacífica que ninmguém atacará´por obra divina e boa vontade do Tio sam!

    A décima economia do planeta, terceiro produtor de aviões, sexto produtlor de automóveis, sexto produtor de aço, quarto de máquinas, e articulador de um projeto de integração da América Sul, tem que ter no mínimo uma infra-estriutura militar comnpatível de seu projeto Geopolítico.

    Diga-se de passagem, nos últimos 8 anos as forças geopolíticas no cenário internacional se alteraram radicalmente, e ainda tem muito intelectualóide pensando o mundo em termos da era Clinton ou guerra fria! Os EUA expandiram a OTAN até as fronteiras do antigo espaço soviético, desmenbraram o Kosovo da Sérvia sem o consentimento de Moscou, passaram por cima da ONU, estão no IRAQUE e no Afeganistão cercando o Irã e aproximando-se demais das nações satélites da Rússia na mesoásia. O Urso por sua vez respondeu com a criação de uma mega aliança miltar com a Rep.Popular da China, a Shangai Cooperation Organization, que inclui India, Paquistão, paises da Mesoásia e, desde 2005, o Irã.

    É impressionante como tanta gente culta desconhece estes fatos.

    E o pior, eles tem ataques histéricos quando se fala em Amazônia, como seu um conflito entre índios e uns latifundiários produtores de arroz pudessem esconder os tentáculos dos interesses internacionais.

    Se a República Federativa do Brasil quiser impor respeito dentro de seu território, garantir a sua soberania e atuar como um player de respeito, compatível com suas dimensões econômicas e potencialidades, vai ter que cumprir uma série de tarefinhas básicas:
    - eliminar a pilhagem visível que expõem a comunidade mundial a nossa incapacidade de colocar ordem em casa;
    - dobrar o orçamento das forças armadas;
    - finalisar o mais rapidamente o VLS, e com sucesso para demostrar ao seu povo e ao Mundo que não é um país do faz de conta;
    - desenvolver artefatos convencionais e nucleares de elevada capacidade destrutiva e disuasória ( afinal não temos medo de um atauqe do Haiti ou da costa Rica);
    - focar no programa de submarinos da MB e concluí-lo sem titubear;
    - reestruturar o sistema educacional para criar um povo
    educado, com senso de fraternidade, respeito pátrio e com uma postura ativa perante a realidade.

    Caso deixemos as coisas como estão, teremos o desprazer de em algum momento no futuro, de termos que nos subordinar a projetos geopolíticos de outras potências,aceitando suas determinações ou convidando-as a instalar bases para nos defender, como o fazem a Venezuela e a Síria, pois o mundo não para!

  • José Carlos clementino says:

    Acho que o desmanelamento das nossas forças armadas já era um projeto antigo da esqueda que lançou o nosso pais na inepcia de tecnologia militar, como exemplo cito a engesa.

  • RFB says:

    O Brasil precisa ser auto-suficiente em equipamentos de defesa. Precisa fabricar todos os itens que compõem determinado produto. Basta olharmos para os paises do 1º mundo. Enquanto isto não for alcançado por nós, estaremos vulneráveis e perigosamente dependentes de outros países para o fornecimento de itens importantes como motores, instrumentos, etc.

  • lucena says:

    Com o crime organizado que está reinando nos quatros cantos do brasil, onde as fronteiras entre o brasil e os demais paisses do sul do continente, paraguai, bolívia, colombia; onde o tal crime tem ali um exelente fornecedor e consumidor de armas, narcóticos e produtos falsificados e rubados; o governo brasileiro está em volta de um ninho de serpentes, que aos poucos irá colocar em xeque todo o sistema de seguranção que o brasil possa ter. o mais moderno que possa existir, exemplo disso é a froteira do eua/méxico,israel/gaza,europa/asia.
    será que o nosso exército está preparado para tudo isso ?

  • José Luis says:

    Como pode uma empresa do nível da Avibrás correr o risco de falir por culpa da burocracia do Governo federal ?

    Parece até que existe ou existia um complô com o intuito de eliminar as empresas brasileiras da área de defesa. Espero que isso tenha realmente mudado.

  • macunaima says:

    Beleza……, o radar AESA já tá lockado….vamo nessa!!!

    Por falar em acordar…viva o Nosso Despertador!!!

  • Já não era sem tempo.
    Finalmente, parece que o pessoal do Planalto tá acordando.

 

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