Media : JB Online

Data : 09/10/2008

Lula cancela missão brasileira ao Equador

Portal Terra

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu cancelar a ida ao Equador de uma missão chefiada pelo ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, programada para o próximo dia 15. A missão iria discutir temas ligados ao apoio brasileiro a obras de infra-estrutura viária no Equador.

De acordo com nota do Itamaraty, o cancelamento ocorre ‘em face dos últimos desdobramentos envolvendo empresas brasileiras naquele país, que contrastam com as expectativas de uma solução favorável quando do recente encontro entre os dois presidentes [Lula e Rafael Correa, do Equador] em Manaus’.

A nota informa que, por determinação de Lula, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, instruiu o embaixador do Brasil no Equador a entrar em contato com o chanceler equatoriano para transmitir-lhe a informação.

Ontem, o governo equatoriano rejeitou um acordo com a empreiteira brasileira Norberto Odebrecht e decidiu expulsá-la do país. Com a decisão, todos os contratos da construtora no Equador, que somam US$ 650 milhões, estão encerrados.

No último sábado, o presidente Rafael Correa demonstrou insatisfação com a atividade de outra empresa brasileira no país, a Petrobras. Correa ameaçou estatizar o Campo 18 da Petrobras naquele país, no qual são produzidos 32 mil barris por dia. O presidente quer que a estatal brasileira renegocie o contrato de exploração. 

Nosso Comentário :

Finalmente, este governo dá algum sinal de que não vai continuar indefinidamente submetendo-se aos caprichos e armadilhas da alternativa bolivariana (Equador, Bolívia, Paraguai e Venezuela) na América do Sul.

Até porque as reações internas contrárias cresceram muito. Ninguém agüentava mais tanto “deixa pra lá”, “eles são nossos amigos”, e coisas que tais do atual governo brasileiro. Eram atitudes que visavam defender uma ideologia e não o Brasil. Mas quem elegeu Lula não foram os bolivarianos, foi o hoje estarrecido povo brasileiro.

Tudo leva a crer que Lula tenha se sentido pessoalmente traído por Correa, com quem teria conversado sobre o caso da Odebrecht em Manaus, e teria ouvido alguma garantia de que tudo seria resolvido, amistosamente. Foi muita ingenuidade para um presidente, e não é de hoje que ele é mal assessorado nesta área por Marco Aurélio Garcia.

Ora, e agora quem vai resgatar os dois executivos brasileiros da empresa, que estão encurralados em nossa embaixada de Quito, como autênticos asilados? Se de lá saírem, eles serão imediatamente presos, como simples bandidos. Se isso podia significar uma forma de chantagem contra a emprea, agora poderá virar uma perigosa forma de retaliação ao Brasil, pelo cancelamento da missão.

Restam ainda as verdadeiras fortunas em dinheiro e equipamentos que tanto Odebrecht quanto Petrobras investiram no Equador e não podem ser deixados para trás, vindo a servir de moeda para compras de armamentos ou serem empregados por empresas russas, chinesas ou venezuelanas que, certamente, assumirão os trabalhos mais dia menos dia.

Estes também precisam ser regatados até o último níquel na justiça, com acréscimos bilionários em perdas e danos. E que nunca mais façam negócios com o Equador de Correa, sobr risco de perderem mais credibilidade interna.