Ministro de Assuntos Estratégicos Fala Sobre o Plano Brasil 2022

Mídia : Istoé

Data : 08/02/2010

Samuel Pinheiro Guimarães

“É preciso ampliar o bolsa família”

Ministro de Assuntos Estratégicos adianta à ISTOÉ plano de metas para 2022 e diz que é preciso fazer mais para reduzir a pobreza

Cláudio Dantas Sequeira

GUIMARÃES:

“O benefício não pode ser só para aqueles que estão abaixo da linha da pobreza”

Elaborar uma agenda de trabalho que sirva como atalho para o Brasil se tornar uma potência global em apenas duas décadas. Essa é a tarefa delegada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE).

Há três meses, desde que assumiu o posto, ele divide sua rotina entre reuniões técnicas e viagens pelo País. O resultado de horas de estudos e negociações é um calhamaço de aproximadamente 200 páginas, batizado de Plano Brasil 2020, a cuja sexta e última versão ISTOÉ teve acesso.

“Na área da saúde, temos que depender menos de medicamentos importados.

É uma questão de soberania, de segurança”

O documento, de caráter reservado, lista 150 metas e ações, inclusive mudanças de parâmetros do Bolsa Família, a expansão do número de salas de cinema e até a criação de uma “entidade estatal do esporte”. “É preciso ampliar o Bolsa Família. Não se pode contemplar apenas aqueles que estão abaixo da linha da pobreza”, diz. Essas e outras ideias demandam pesado investimento público, mas o ministro não está preocupado.

“Vamos financiar todas essas ações com a exploração do pré-sal”, afirma. Ex-secretário-geral do Itamaraty, onde travou algumas polêmicas batalhas por sua militância de esquerda, Guimarães, 70 anos, avisa que o “Plano” não tem cor partidária, mas pode ser usado pela ministra e pré-candidata Dilma Rousseff na campanha presidencial: “Mantenho a Casa Civil permanentemente informada.”

“No caso de Zelaya, tínhamos uma resolução da ONU e outra da OEA condenando o golpe de Estado. Sairia desgastado quem apoiasse”

ISTOÉ -

O que é o Plano Brasil 2022?

GUIMARÃES -

Trata-se de um projeto de metas e ações estratégicas para guiar o desenvolvimento do País. A data-limite é o aniversário de 200 anos da independência. Basicamente, pegamos os planos setoriais dos ministérios, identificamos os aspectos mais importantes e nos debruçamos sobre eles para consolidá-los. Todos os ministérios participam através de grupos de trabalho e a coordenação é feita pela Secretaria de Assuntos Estratégicos, com apoio da Casa Civil e do Ipea. Já fizemos as reuniões técnicas e agora vou a cada ministro para debater as metas.

ISTOÉ -

E quais são as prioridades? De que metas estamos falando?

GUIMARÃES -

Os temas são variados, desde violência urbana e defesa até agricultura, cultura, comércio e política externa. No total, são cerca de 150 metas. Dentre as prioridades estão a diversificação e a ampliação substancial da produção nacional para conseguirmos cumprir uma previsão de crescimento anual entre 6% e 7% do PIB. Com esse ritmo, poderemos tornar o Brasil a 5ª potência mundial. Outra meta importante é promover firmemente a redistribuição de renda.

ISTOÉ -

Isso significa a ampliação de programas como o Bolsa Família?

GUIMARÃES -

Estamos criando um novo parâmetro. Consideramos que o rendimento-limite é muito baixo. Hoje, recebem o auxílio aquelas famílias com renda mensal de até R$ 140. Trata-se de um critério absoluto. Estamos examinando com o ministro Patrus Ananias a possibilidade de que o patamar seja relativo e contemple não só aqueles que estão abaixo da linha da pobreza.

Quero dizer que vamos considerar a relação que existe entre os 10% mais ricos, que detêm 44% da renda nacional, e os 10% mais pobres, que têm só 1% da riqueza. Temos que reduzir essa desigualdade. Ainda estamos definindo a meta, mas certamente poderia significar um aumento de 30% a 40% do número de beneficiados pelo Bolsa Família. A isso se somará a garantia da regularidade do reajuste dos benefícios.

ISTOÉ -

Mas como financiar essa meta? A carga tributária atual já não é pesada demais?

GUIMARÃES -

Haverá uma nova fonte de receita com a exploração do pré-sal. Esses recursos abastecerão o fundo social do pré-sal. Também há um volume de despesas com a dívida pública que pode ser reduzido com a queda das taxas de juros, que hoje estão muito acima dos juros reais praticados em outros países. À medida que se reduzir isso com segurança, é possível liberar recursos para uma série de programas importantes.

ISTOÉ -

Alguns ministros defendem a criação de outros auxílios, como o “bolsa celular”. O sr. é a favor?

GUIMARÃES -

Não. Pessoalmente, acho que é preciso criar projetos que capacitem a população, que deem acesso ao cidadão que não tem banda larga, por exemplo. Como há uma disparidade de renda muito grande e a iniciativa privada só se dedica aos segmentos mais rentáveis, o Estado tem que assumir o papel de provedor de certos serviços. Isso passa por políticas de investimento, não só na indústria, mas na cultura, na saúde, na educação e no esporte. Uma das metas é incluir o Brasil entre as dez maiores potências esportivas do mundo, a partir dos Jogos Olímpicos de 2016.

ISTOÉ -

É uma meta ousada. Como pretende fazer isso?

GUIMARÃES -

Há várias medidas, como incentivar os investimentos no setor com políticas de renúncia fiscal. Mas, além disso, vamos criar uma entidade estatal de excelência no esporte, com a construção e modernização da infraestrutura esportiva.

Também vamos instituir uma rede nacional de treinamento e um sistema nacional de avaliação do esporte, baseado nos dados do diagnóstico desportivo nacional. O esporte no Brasil será dividido em três níveis: o de base, nas escolas; o de atletas federados; e o de atletas de elite, com a criação de centros regionais de treinamento.

ISTOÉ -

Essa entidade estatal do esporte será uma “Esportebras”?

GUIMARÃES -

Acho que não. Será mais um organismo de coordenação e definição desses programas.

ISTOÉ -

Qual a meta para a cultura?

GUIMARÃES -

Queremos ampliar em 30% o número de salas de cinema no País. Hoje, os cinemas estão concentrados em apenas 9% dos municípios. Significa que em 4.500 municípios do País não há cinema.

ISTOÉ -

Podem dizer que é para passar o filme do Lula.

GUIMARÃES -

Naturalmente. O fato é que qualquer produtor pode fazer um filme sobre qualquer político, desde que a pessoa tenha uma vida interessante. Também vamos elevar em 50% o número de teatros e em 70% o de salas de espetáculo. Essas metas para o esporte e para a cultura sintetizam bem o papel que o Estado deve ter, seja como indutor da iniciativa privada, seja investindo diretamente.

Um dia desses, tive a informação de que 500 municípios brasileiros não têm médicos. Então vamos pôr uma equipe médica em cada município, reduzir em 50% o déficit comercial do complexo industrial de saúde.

ISTOÉ -

Isso tem relação com a meta de diversificar a produção nacional?

GUIMARÃES -

Exatamente. Na área de saúde, temos que depender menos de medicamentos importados. É uma questão de soberania, de segurança. Vamos fazer isso com parcerias e transferência de tecnologia. Há todo um esforço na área da indústria de base, na metalurgia. Temos que parar de exportar commodities e agregar valor ao que exportamos.

No campo, por exemplo, queremos dobrar a produção de grãos, e fazer o mesmo na pecuária, sem precisar entrar na Amazônia. Isso se faz com melhoramento genético dos rebanhos e das sementes. Em grande medida, torna necessária a ampliação da Embrapa, com a contratação de pesquisadores, melhoria da remuneração.

ISTOÉ -

A indústria de defesa está sendo contemplada no plano?

GUIMARÃES -

Estive em São José dos Campos, recentemente, tratando disso. Dentro da Estratégia Nacional de Defesa, vamos priorizar algumas metas como a de aumentar em 20% o efetivo das Forças Armadas, reposicionar 25% do contingente na Amazônia e no Centro-Oeste e elevar em 40% a capacidade operativa da FAB. Nesse ponto, estamos considerando, além da aquisição do primeiro lote de caças, a construção de 12 unidades do cargueiro KC-390.

Também é prioridade a criação de duas esquadras da Marinha, uma no Norte/Nordeste e outra no Sudeste, com capacidade de propulsão nuclear. Queremos instalar mais uma brigada de infantaria de selva e 28 batalhões de fronteira, transferir a brigada de paraquedistas para o centro do País e criar um sistema de defesa antiaérea.

ISTOÉ -

Na defesa, qual sua opinião sobre as parcerias tecnológicas?

GUIMARÃES -

Acho que a indústria de defesa tem um impacto muito grande no desenvolvimento tecnológico. Então é necessário dar condições de produção e estimular programas de transferência de tecnologia de produção. Não ir apenas ao mercado. Nesse sentido, os projetos que têm sido desenvolvidos, a compra dos helicópteros, do submarino e dos caças, são importantes.

ISTOÉ -

A política externa não precisa mudar?

GUIMARÃES -

Queremos manter o que foi conquistado durante o atual governo e ir além. Assegurar a participação do Brasil na tomada de decisões que afetem diretamente os interesses nacionais, especificamente o Conselho de Segurança. Queremos alcançá-lo antes de 2022. E dentre as ações previstas está a consolidação da presença brasileira em missões de paz e o aprofundamento do papel do País nas discussões de temas globais, como energia, mudança climática, comércio internacional e desarmamento.

ISTOÉ -

Mas o Itamaraty não cometeu uma série de erros?

GUIMARÃES -

Não é bem assim. Não acho que houve escorregões. Perdemos muitas disputas, e outros países também. Mas isso não afetou nossa capacidade de participação nesses organismos. Perder a eleição para diretor-geral da OMC não reduziu nossa influência nas discussões sobre comércio internacional. Um país que não compete, não ganha.

ISTOÉ -

Mas lançamos candidaturas sem o apoio necessário.

GUIMARÃES -

Essas divisões existem em todas as regiões. Na Ásia, o Paquistão e a Indonésia não aceitam a candidatura da Índia. A China também tem restrições sobre a participação do Japão. Na Europa, a Itália e a Espanha são contra a candidatura da Alemanha. Não há necessidade de unanimidade regional. O debate é permanente.

ISTOÉ -

Em Honduras, o sr. autorizou a entrada de Manuel Zelaya na embaixada e o Brasil saiu desgastado.

GUIMARÃES -

Nem sempre se consegue o que se quer. Não acredito que houve desgaste. No caso do Zelaya, tínhamos uma resolução unânime da ONU e outra da OEA condenando o golpe de Estado. Sairia desgastado quem apoiasse o golpe, e nós fomos contra. Eu pergunto: como Lula ganharia o título de estadista do ano, se tantas ações fossem tão equivocadas como se diz?

ISTOÉ -

O plano para 2022 vai inspirar o programa de governo da ministra Dilma Rousseff?

GUIMARÃES -

Nós estamos trabalhando de forma a manter a Casa Civil permanentemente informada. Há plena interação. Pode ser que esses trabalhos sejam úteis na medida em que identificam metas prioritárias para quem estiver preparando o programa. Afinal, para que alguma coisa se realize em 2022, é preciso que algo seja feito entre 2011 e 2014.

Mas ressalto que não se trata de um plano de um partido político. Trata-se de um plano para o Brasil. É por isso que, antes de entregá-lo no final de junho, vamos submetê-lo à consulta de ex-ministros, deputados e senadores, independentemente da cor partidária.

Nosso Comentário:

Ministro de Assuntos Estratégicos Fala Sobre o Plano Brasil 2022

Concordo que é preciso fazer mais para reduzir a pobreza, mas o Bolsa-Família precisa ser mais bem estruturado e premiar famílias com menos crianças, com mais atenção dos pais. Precisa deixar de ser visto como presente do presidente da vez e ser visto como algo que pode ajudar se o trabalho com suas crianças for árduo.

E a educação tem que melhorar ainda 300%. Porque vermos multidões de crianças analfabetas funcionais no 5º ano, sem saberem ler nem escrever, é um completo desastre para a nação.

No 2º ano, uma criança já tem que saber escrever ditados e ler textos grandes em voz alta para toda a turma. Ninguém quer passar vexame frente aos colegas. Isso já seria um enorme salto de qualidade. O resto é fazer de conta que ensina e cria uma sociedade de verdade.

O Plano Brasil 2022 já existe nos porões do governo Lula há anos, sem muito sucesso. Grande parte de seu arcabouço intelectual deve-se ao ministro anterior, Roberto Mangabeira Unger. Agora, lista 150 metas e ações estratégicas para guiar o desenvolvimento do país.

Lula planeja financiar tais ações com a exploração do Pré-Sal, o que seria bem melhor que inundar os cofres de algumas dezenas de governadores e milhares de prefeitos ávidos por novidades, entendem?

O atual ministro, Samuel Pinheiro Guimarães, está certo ao priorizar projetos que capacitem a população. E isso vai passar por políticas de investimento na cultura, na saúde, na educação e no esporte. Bola branca para ele.

Lula não tem conseguido melhorar a situação dos esportes olímpicos no Brasil. Talvez seja o melhor mesmo caminho criar uma entidade estatal de excelência no esporte, com troca de experiências e forte coordenação geral, para que certas entidades não fique eternamente à vontade com amadores no comando e muito dinheiro em volta.

O ministro adverte que temos que parar de exportar commodities e agregar valor ao que exportamos. Concordo, mas o caminho é longo e tortuoso. Fazer isso sem mexer no câmbio como é hoje (livre) será como tentar enxugar gelo no verão do Rio de Janeiro. Enquanto isso, só a China faz a festa e o mundo desorientado assiste.

Ele pretende elevar em 40% a capacidade operativa da FAB. Mas o problema é que a brava FAB não tem capacidade operativa alguma, a não ser que ele esteja falando do GTE, incumbido de transportar de graça as sortudas “altas autoridades” desse imenso país, até a passeio. Nos falta ter uma aviação de caça e uma real mobilidade tática e estratégica. Para resolver isso, 40% parece brincadeira.

Todos os planos referentes à Defesa são insuficientes e mesmo assim nem metade será concluída no longínquo ano de 2022. Isso se o Plano Brasil 2022 for mesmo um Programa de Estado, e não apenas um sonho do governo da vez. Aí, a taxa de sucesso poderá ser de 20%, aquela de sempre.

Roberto Silva

DEFESA BR

Os comentários agora somente poderão ser feitos pelos associados do Clube Defesa BR, que apoiam a manutenção do Portal Defesa BR. Associe-se você também, junte-se a nós. Tradução disponível junto ao título de cada post e comentário (translation available).

Clube Defesa BR : http://www.defesabr.com/clube.htm

Site Defesa BR : http://www.defesabr.com e http://www.defesabr.com.br

Economia BR : http://www.economiabr.com.br

Loja Defesa BR : http://defesabr.com/loja/

Blog : http://defesabr.com/blog

Grupo : http://br.groups.yahoo.com/group/defesabr

Fórum : http://defesabr.com/forum

TVs : http://www.defesabr.com/TV/tv_defesabr.htm

Twitter: https://twitter.com/defesabr

You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can skip to the end and leave a response. Pinging is currently not allowed.

11 Comments »

 
  • nelore says:

    Roberto,

    (Post fora da Materia)em ingles e mais facil;(Out of subject)

    Politica exterior Brasileira e Iran: ” Nadando em aguas Turvas”

    O Brasil esta mostrando um certo “atrevimento” nas relacoes com Iran, apoiando os 20% de enriquecimento obtido pelo Iran nos ultimos dias. Sem confirmacao de ninguem os Iranianos estao sempre palavreando seus feitos como se fossen Norte Coreanos. Muita vezes pura fantasia para consumo interno. Veja o link abaixo que trat justamente deste apoio( a morena na page ajuda na leitura)

    http://www.brazzilmag.com/component/content/article/82-february-2010/11849-iran-thanks-brazil-for-supporting-its-20-uranium-enrichment-plan.html

    Qual a sua opiniao ai do Brasil a respeito desta situacao. Eu a vejo perigosa para o Brasil e o Lula esta andando em cascas de ovo.

    ______________

    nelore:

    Acabo de colocar um post que visa discutir essas intenções do Brasil.

    Roberto Silva

  • marcos s says:

    Recursos destinados à renovação de equipamento militar chegam a 1,5% do PIB

    FONTE: Jornal do Brasil

    A preocupação com as divisas territoriais ganhou corpo após o anúncio da descoberta de reservas de petróleo e gás na camada de pré-sal, em novembro de 2007. Nos dois anos seguintes, os recursos destinados ao Ministério da Defesa foram ampliados em 45,64%. Segundo especialistas, houve antecipação de encomendas com o objetivo de manter a soberania nacional frente aos novos recursos naturais. Mesmo assim, os valores para a compra e renovação de equipamentos militares representaram apenas 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009.

    A camada pré-sal engloba as bacias do Espírito Santo, Campos (Rio) e Santos (SP). Conforme estimativas, a reserva pode conter 100 bilhões de boe (barris de óleo equivalente), o que colocaria o Brasil entre os dez maiores produtores do mundo. Antes, as reservas nacionais eram de cerca de 14 bilhões de boe. A primeira descoberta foi feita em julho de 2005, mas o potencial de exploração só foi anunciado dois anos depois.

    O aporte para a Defesa Nacional somaram R$ 4,79 bilhões no ano passado, montante 37,05% superior aos R$ 3,495 bilhões de 2008 e 45,64% maior que os R$ 3,289 bilhões de 2007. Esses valores incluem investimentos feitos pela Marinha, Exército e Aeronáutica e pela administração central do Ministério da Defesa.

    O declaração oficial da pasta, no entanto, é de que não há relação entre a descoberta do óleo e o incremento dos recursos destinados à proteção do território brasileiro. O ministério ressalta ser uma política deste governo valorizar as Forças Armadas.

    Manuel Nabais da Furriela, coordenador do Curso de Relações Internacionais da Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), diz que no texto do Projeto de Defesa Nacional, consta proteção a recursos naturais, o que inclui os marítimos – muito valorizados atualmente.

    Furriela afirma que a necessidade de reequipar as Forças Armadas existe há alguns anos, mas foi adiada durante o governo de Fernando Henrique Cardoso por questões financeiras.

    – As descobertas do pré-sal aceleraram o processo de modernização militar nacional. O que atrasa as negociações são condições técnicas, com a transferência de tecnologia – diz.

    Seria ideal para o Brasil se os investimentos em renovação dos equipamentos militares chegasse a 2% do PIB, avalia Carlos Afonso Pierantoni Gambôa, vice-presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde).

    Projetos

    Entre os principais projetos do governo brasileiro na área de Defesa, estão a construção no Brasil de quatro submarinos convencionais e um submarino à propulsão nuclear (custo de 4,324 bilhões de euros ou R$ 12,1 bilhões).

    Está em fase de análise a concorrência para a compra dos 36 caças que renovarão a frota da Força Aérea Brasileira (FAB) e a construção de 50 helicópteros EC-725 (custo de 1,847 bilhão de euros ou R$ 5,1 bilhões) pela empresa brasileira Helibrás – associada ao grupo francês Eurocopter – que servirão Exército, Marinha e Aeronáutica.

    A construção dos submarinos e dos helicópteros será feita no Brasil, com transferência de tecnologia, conforme acordo de parceria estratégica assinado em dezembro de 2008 pelos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da França, Nicolas Sarkozy.

    Expedito Bastos, pesquisador de Assuntos Militares da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), destaca que entre 1970 e 1980 o Brasil tinha empresas que supriram militarmente às necessidades de equipamento nacional. Ele destacou que algumas companhias ainda exportavam seus produtos. “A maioria das empresas dessa época faliu. O país não compreendeu a importância estratégica do setor”. Para ele, é preciso continuidade de investimentos em pesquisa e capacitação profissional.

    ————
    p.s: acha esses números verdadeiros Roberto?

    Passamos do 1% do PIB?

    Será só momentâneo por causa dos grandes projetos ou permanente?

    • Braz says:

      Marcos…

      Primeiro… Quando o primeiro milílitro deste petróleo jorrar, nós vamos contabilizá-lo como “importado”, pois já o teremos gasto anos antes.

      Segundo… Por mais tarde que este petróleo venha a jorrar, ainda será mais cedo do que a data de recebimento do equipamento militar que compramos com o dinheiro da venda dele. Nem preciso dizer que já estará para lá de defasado, não é?

      []´s

      • marcos s says:

        Bom Dia, Braz

        Acredito que os recursos atuais devem ter uma origem certa para serem empregados na defesa e, portanto, devem vir do ministerio da defesa ou do Tesouro.

        A demora para a chegada dos equipamentos é mesmo preocupante. Mas, tem que haver o aprendizado com a tecnologia nova também e este passo leva tempo.

  • marcos s says:

    Para se ver como a prioridade é tudo para um País:
    - O Brasil só planeja o seu lá para 2025.

    ———-

    Rússia adquire 4 BPC Classe Mistral
    Fonte: Plano Brasil

    O ministério da defesa francês, divulgou em nota nesta Terça-feira que a França um navio Assálto de projeção de poder da classe BPC Mistral à Marinha da Rússia, o acordo prevê ainda a construção de outros três navios em estaleiros russos.

    Na declaração, o ministro francês Herve Morin, fez questão de enfatizar a negociação cuja conferência de imprensa tinha a ilustre presença do secretário da defesa dos estados Unidos, Robert Gates, Morin destacou que a Rússia deve ser considerada um parceiro estratégico da Europa e que a França buscará estreitar os laços e construir uma relação d e confiança mútua.

    Gates por sua vez preferiu não fazer comentários adicionais. O navio da classe Mistral será vendido a Rússia por um valor estimado em US$ 800 mi e como é de se esperar, não incluem sistemas eletrônicos e de armas uma vez que os Russos pretendem instalar os seus próprios.

  • Tadeu Mendes says:

    Edison

    Obrigado por esclarecer um pouco mais sobre o tema. Já fico mais tranquilo.

    Eu só fiquei em alerta simplesmente por causa do pedigree do atual ministro do SAE.

    E para mim está muito claro que qualquer país necessita de metas de longo prazo. Também entendo que existem metas sigilosas e até mesmo secretas.

    Não estou questionando isso.

    Ter mais salas de cinemas não me incomoda, só não entendo o porque da conotação estratégica dada a essa meta.

    Você parece ser o nosso homem chave aqui no blog. Estás envolvido em projetos importantes para o país. Até que ponto poderia questioná-lo, sem comprometê-lo?

    Principalmente na área científica e tecnológica. Quais são as ambições concretas do Brasil?

    Quão grande será o investimento ($$$$) nessa área?

    sds.

  • Edison says:

    Pessoal, o plano tem 150 metas. O Samuel Pinheiro só falou de 3 delas e vocês já falam em bolchevismo? bah..

    Como dizem lá em casa, menas né? Todo país sério tem metas para o futuro, sabe construir cenários para daqui a 20, 30 anos, e projeta o resultado de suas ações hoje. E isso envolve todas as áreas da sociedade, não é só Estado. Essa dicotomia Estado x mercado é a maior mentira do mundo depois daquela de capitalista x proletário do Marx. Se não temos uma fundação RAND patrocinada pelo Pentágono e pela indústria de defesa, paciência, o governo tem de botar a mão na massa ele mesmo para planejar. Mas uma coisa eu asseguro a vocês, cada uma dessas metas aí foi debatida com a iniciativa privada. Inclusive em alguns casos, elas vieram prontas das mãos dos empresários via Conselhão do Lula. Os burocratas só endossaram.

    Outro exemplo: a ONU considera quantidades de salas de cinema e teatro nos seus índices de qualidade de vida, aqueles mesmos que mostram que é melhor viver nos EUA, na Europa e quem sabe até Botswana. Se vocês (como eu) discordam de sua relevância, ok, mas saibam que elas não estão ali por acaso ou porque os bolivarianos querem passar propaganda esquerdista nos subúrbios de Macapá. Elas estão lá porque impactam em nosso IDH. Não digo que não há falhas no Plano, mas se vamos criticar precisamos entender melhor do que se trata, senão vamos dar subsídio justamente ao inimigo.

    Outra coisa, a Istoé sequer teve acesso ao documento completo, onde as metas são discriminadas em ações concretas e indicadores de sucesso. Nem poderia, as ações no campo militar são sigilosas. Os valores percentuais dizem respeito a quantidade absoluta de meios, não qualidade, até porque se pusessem um incremento de 1000%, por ex., nossa mídia pra lá de patriota iria ridicularizar e nossos políticos melariam tudo. No entanto, não é preciso muito esforço pra perceber que só a compra de 36 caças de 4ª geração para a FAB já representa um incremento de muito mais de 40% para sua força, então senhores, não se enganem pelos números. Nas ações concretas são discriminadas metas para melhoria substancial da qualidade de nossos meios militares.

    Perdoem pela intervenção talvez um pouco ríspida, mas é que estou envolvido nesse projeto há tempos e, digo com toda franqueza, considero extremamente ofensivo reduzi-lo a um projeto de dominação esquerdista do país. Tem muita gente séria trabalhando nisso aí na SAE e na Defesa, gente que não está lá por indicação do Lula, mas por seus próprios méritos, tanto militares quanto civis. É óbvio que existe gente mal intencionada por aí que quer transformar o Brasil em Cuba, assim como tem outros traíras que adorariam nos ver como Porto Rico, ou quem sabe até como mais uma estrela na US flag. Mas uma coisa eu garanto, essa corja não passa nem perto das discussões do Plano Brasil 2022. Temos patriotas aqui. Possivelmente, esse plano não dê em nada (como tantos outros), mas eu já estou otimista pelo simples fato de ver tantos camaradas empenhados em transformar o Brasil numa potência de fato. Então acho que é hora de deixar preconceitos ideológicos de lado e tratar das coisas sérias que afetam nossa nação.

    abraços

    _______________

    Edison:

    Você está envolvido com o Plano Brasil 2022? Eu gostaria que dessem mais atenção ao esporte de milhões, espalhando centros de treinamento para as crianças pelo país. Talvez a ideia dos cinemas tenha sua razão de ser, mas o esporte para milhões teria uma chance muito maior de mudar os ideais de nossa garotada. Pesem isso.

    O ideal seria que esses projetos atuais de escola ligada com esporte e dedicação total virassem febre nacional, em seus mais de 5 mil municípios. O ideal mesmo seria ter esportes de grupo, mas avançar mais fundo nos individuais (mais medalhas), selecionando aquelas revelações e enviando-as para centros regionais e daí para nacionais, em uma peneira, mas sempre com a educação como maior exigência.

    Hoje, a garotada das favelas nos grandes centros só pensa em soltar pipa, ser jogador de futebol ou o poderoso chefe da boca de fumo, e aí dá no que dá, não vive muito. Esporte e educação na porta de casa pode mudar isso para um outro mundo, precisamos disso.

    Quanto ao cinema pelo país, vejo interesse desde que seja para assistirem a filmes brasileiros, em inspiração sobre o cinema indiano. Tem que colocar cotas de 50% para filmes nacionais na TV paga sim, chega de dar dinheiro para os americanos nos colonizarem via cinema e música. Fico pasmo com o valor que dão aqui a uma noite do Oscar. isso tem que acabar, mas com talento, suor, e dinheiro para erguermos uma indústria de nível.

    Se quiser trocar ideias sobre os temas, você pode falar comigo via email.

    Roberto Silva

    • Braz says:

      Grande Edison…

      Perguntinha inocente… Tem algum projeto que misture o projeto Rondon com o escotismo?

      Seria muito interessante se, em vez de ficar transportanto político de um lado para o outro, a FAB transportasse alunos das escolas públicas (os com melhores notas) pelo país afora para conhecerem cada canto de seu próprio país (misturando o ideal do escotismo com a abrangencia do projeto Rondom e o alcance, segurança e credibilidade de nossas Foraças Armadas).

      De cada escola municipal e estadual, 15 ou 20 alunos para um determinado roteiro de 15 ou vinte dias em uma região distante (do sudeste para o norte… do norte para o sul… do sul para o nordeste…).

      []´s

      __________

      Braz:

      De quantas centenas de milhares de crianças estamos falando, rsrs? Se for para fazer algo assim, poderia haver um sorteio entreos melhores de cada escola de cada cidade… mas imagina a mão de obra e a logística. Seria melhor sortear jogos, não?

      Roberto Silva

  • marcos s says:

    Enquanto isso:
    - Em determinado País:

    —————-

    Chávez decreta emergência elétrica e anuncia punição
    (AFP)

    CARACAS — O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, decretou na segunda-feira à noite emergência elétrica no país por dois meses, em consequência do agravamento da crise que afeta o país, por uma forte seca e um sistema em colapso, e anunciou punições aos que chamou de “esbanjadores”.

    “Se declara o estado de emergência sobre a prestação do serviço elétrico nacional e suas instalações e bens associados por um período de 60 dias prorrogáveis”, afirma o decreto 7.228, lido por Chávez antes da assinatura, em cerimônia que foi transmitida pela televisão.

    O decreto autoriza o ministério de Energia Eléctrica a decidir de maneira excepcional as medidas especiais que considera pertinentes para garantir à população o fornecimento de energia elétrica.

    Assim, o Executivo terá o poder de autorizar a compra de energia elétrica de fornecedores nacionais ou estrangeiros para suprir a demanda do país, além de contratar de maneira direta funcionários terceirizados, sem a necessidade de uma licitação pública, como obriga a lei fora do estado de emergência.

    Chávez voltou a insistir que a principal causa da crise é a severa seca que afeta o país, que levou a níveis alarmantes a represa responsável por 70% da energia do país, mas também citou o “esbanjamento dos consumidores. No entanto, não fez qualquer menção a um sistema em colapso, que não recebeu os investimentos necessários, como sempre lembram seus opositores.

    Assim, advertiu que o governo vai punir os clientes residenciais e comerciais do país que não reduzirem o consumo de energia elétrica, com sanções que vão de multas nas contas até o corte por tempo indeterminado do serviço.

    “Todos aqueles altos consumidores (residenciais) que não reduzirem a partir de hoje o consumo em no mínimo 10% receberão uma multa na conta mensal de 75% sobre o que pagam”, anunciou Chávez.

    “Para aqueles que aumentarem o consumo em 10% ou mais, será aplicada uma taxa ed 100%. Se você aumentar acima de 20%, a conta residencia vai subir 200%”, completou.

    O governo da Venezuela considera alto consumidor residencial a casa que demanda mais de 500 quilowatt-hora (Kwh) ao mês.

    A medida, segundo Chávez, tem um “aspecto positivo”. Nas palavras dele pretende motivar os usuários.

    “Se você reduzir entre 10% e 20%, vai receber um desconto de 25%, e se a redução chegar a 20% ou mais se deconta 50% da fatura”, disse.

    A medida também afeta os estabelecimentos comerciais que não reduzirem em um período de dois meses o “alto consumo” (superior a 25 quilovolt-ampere) em 20%.

    “No primeiro descumprimento se notificará com um cartaz na entrada do estabelecimento. A reincidência será punida com a suspensão de 24 e 48 horas, e depois, no caso de reincidir, o corte será por tempo indefinido”, alertou o presidente.

    ________________

    Marcos S:

    Quando será que os venezuelanos vão entender que ele deveria estar dando ordens aos colegas do hospício? rsrs

    Roberto Silva

  • Tadeu Mendes says:

    Amigos,

    Vindo de um esquerdista ferrenho, com 70 anos de idade (tão velho quanto o comunismo que ele quer implantar) eu não vejo com bons olhos essas metas.

    Será que realmente tem o dedo do Unger nessas metas?

    Com relação à defesa, continuaremos na estaca zero; talvez zero à esquerda, porque daqui a 20 anos a tecnologia será irreconhecível.

    Os KC-390 já serão como os C-130; vintage airplanes.

    20% de aumento no efetivo militar é brincadeira de mau gosto, quando na realidade o Brasil vai precisar de no mínimo um incremento de 50%.

    Aumentar o número de salas de cinemas no país? Qual é o benefício estratégico disso? Será que esse cara está pensando que estamos vivendo nos anos 30?

    Quanto à bolsa família, é o mesmo que fomentar a perpetuação do assistencialismo estatal, típico dos modelos comunistas.

    Além do mais, só estimula a reprodução descontrolada de uma raça desprovida de ambições intelectuais; ou seja, fácil de manipular e de caírem nas garras do populismo básico.

    Ele está vendo o Estado como o salvador da Pátria, desde que esse Estado seja governado pelo PT. E ainda por cima vão usar essa bandeira na candidatura da Dilma Roussef.

    Quais serão os membros da família Romanov brasileira?

    Quando vão criar a fila do pão, da carne e dos mantimentos complementares?

    Isso é um comunismo disfarçado, ao melhor estilo bolchevista.

    ________________

    Tadeu:

    É tudo tão tupiniquim que querem criar salas de cinema pelo país para o povo assistir a mais filmes o quê? Americanos, ora.

    Ah, sim, a velhinha Madonna chegou hoje à Colônia e o Rio vai parar para vê-la com o namoradinho brasileiro, rs

    Roberto Silva

  • nelore says:

    Roberto

    Uma leitura mais detalhada das respostas do ministro a IstoE e simplesmente não consigo visualizar o Unger proclamando a seguinte frase:

    “o Estado tem que assumir o papel de provedor de certos serviços. Isso passa por políticas de investimento, não só na indústria, mas na cultura, na saúde, na educação e no esporte.”..

    Incrivel que ele abrange tantos temas como redutos do estado. O Estado é para defesa, educação e parceria na saúde. Cultura, industria e esporte não têm a mínima chance de ser bom, uma vez que o “estado’ esteja envolvido…os bolivarianos estariam orgulhosos com uma declaração destas.

    Capitalismo regulado ainda é melhor do que qualquer iniciativa do estado. Capitalismo sem regulamento, é isso que temos aqui nos EUA nos últimos 10 anos de republicanismo..selvagem à procura do lucro a qualquer fim. Deu no que deu! falencia..

 

Leave a Reply

You must be logged in to post a comment.