Os Projetos Esquecidos da Embraer e o Tempo Perdido

Mídia : Defesa BR

Data : 05/05/2009

Os Projetos Esquecidos da Embraer e o Tempo Perdido

Diversos projetos da Embraer foram engavetados em governos anteriores por falta de planejamento de Estado, além da recorrente falta de maturidade de nossos governantes.

Como exemplo, existe um projeto simbólico da Embraer, que resta hoje esquecido no tempo. Colocamos o “AX” aqui para lembrarmos que se o governo tivesse apostado nele, a precária situação da Defesa Aérea de hoje poderia ser muito mais confortável e estaríamos na ponta.

O “AX”, ou MFT-LF, teria sido um reprojeto otimizado em cima da célula do AM-X, resultando em uma aeronave que pudesse cumprir as funções de caça (a primeira arte abaixo, a que ele aparece como monoposto e com armamento) e de treinamento (a segunda, em que ele aparece como biposto), à semelhança do que foi feito com o F-5 e o T-38.

 

MFT-LF – Projeto MFT-LF da Embraer. Aqui aparece como caça, sendo monoposto e com armamento. (Arte Embraer)

Apesar das asas serem diferentes – sem geometria variável – dá para notar a influência do Tornado no design da fuselagem.

Mais leve, muito mais barato e com configuração que lhe permitisse operar em Mach em torno de 1,5 ou 1,7, este caça seria fabricado em grandes quantidades para realmente cobrir as necessidades territoriais brasileiras.

O MFT-LF seria o caça que supriria as nossas necessidades durante a transição dos Mirage-III e F-5BR para o que teria sido escolhido no F-X original, e que teria nos capacitado a desenvolver os nossos caças de 4ª Geração.

 

MFT-LF – Projeto MFT-LF da Embraer. Aqui aparece como de treinamento, um biposto. (Arte Embraer)

Poucos sabem que o nosso MFT-LF ganhou asas no mundo, e foi até modernizado.  Os chineses materializaram este projeto com o L-15, embora este lembre mais um MiG, com um toque de Yak-130 ou M-346.

 

L-15 da China – O treinador L-15 chinês. (Foto em CNAIR)

Isso nos faz lembrar o caso do CBA-123 na Índia. Podemos ainda falar sobre o C-295 da EADS-CASA, antigo projeto da Embraer, do qual o governo Sarney cortou as verbas. Trata-se do Embraer EMB-500, o Amazonas.

 

EMB-500 – O EMB-500 da Embraer, o Amazonas. (Arte JR Lucariny)

É comentado até hoje que os enormes trens de pouso do Amazonas teriam sido encomendados, fabricados, e importados. Com o tempo, devem ter virado sucata e alguns podem ter sido enviados para o museu da companhia.

Teria sido adquirido todo um  lote de 40 a 50 conjuntos completos de trens de pouso: esquerdo, direito e de nariz.  Seria um lote mínimo de fabricação e compra, enquanto não havia tecnologia para fabricá-los no Brasil.

Roberto Silva

DEFESA BR

Site Defesa BR : http://www.defesabr.com e http://www.defesabr.com.br

 

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75 Comments »

 
  • Paulo Lindgren says:

    Carissimos, boa noite!

    Primeiramente, quero felicitá-los pelo alto nível das conversas e discussões a respeito dos temas aqui cobertos! Muito interessante, não somente as percepções e os arrazoados sobre os projetos aeronáuticos quanto as narrativas de experiências próprias e de familiares / terceiros sobre a participação da Embraer neste cenário.

    Digo que é gratificante poder ver a elevada consideração e estima que se tem pela Embraer e sua tradição, cuja inegável contribuição para a indústria aeronáutica brasileira acabou por, praticamente, tornar sua marca um sinônimo desta última.

    Entretanto, todo ufanismo e entusiasmo devem ser temperados com uma certa dose de neutralidade, principalmente na avaliação de fatos e dados, para que se possa ter acesso às informações de verdadeiro valor, histórico e estratégico.

    Lembremo-nos de que a história se repete, e que é fundamental que se tenha a oportunidade de se aprender não somente com os sucessos, mas também com os erros que tenhamos cometido no passado.

    É justamente esta oportunidade que vejo também valorizada neste fórum do blog… e que percebo ser uma ótima maneira de se evitar que, em um barco onde todos vistam a mesma camisa e remem num mesmo ritmo, se rume diretamente para os mesmos arrecifes que, perigosamente, já quase nos puseram a pique no passado!

    Abraço a todos,

    Paulo

  • GTKcohi says:

    Não acredito que o Brasil deixou o ax de lado.
    Andei lendo alguns artigos dos projetos do exercito brasileiro.
    Entre eles o famoso ee t1/2 osorio, o tamoyo, o ax e mais um, esqueci, um aviao grande.
    O Brasil tinha tudo para ser uma grande potência, mas os politicos nao deram importancia e hoje o Brasil esta correndo riscos.
    _______________

    GTKochi :

    O erro é da nossa sociedade, que coloca os políticos em primeiro plano e nossos técnicos mais graduados em quinto.

    O erro é todo nosso. Deveria ser o inverso.

    Roberto Silva

  • JAASEIL says:

    Bom essa vai para o Francisco Braz, valeu para correção.
    hahah.legal t+

  • Rui Mac says:

    Tadeu:

    É tudo sacanagem, não tem nada a ver com qualquer projeto da Embraer ehehehe… Bem que eu gostaria, já pensou…uma ave de rapina que de repente desaparece do radar e do visual? É muito sonho!
    -TKS é Thanks (obrigado)
    -RSAS é Regulamento de Salvaguardas de Assuntos Sigilosos.
    Forte 73 ( grande abraço)

  • Tadeu Mendes says:

    Rui Mac,

    Desculpe, mas eu nao sei o que quer dizer TKS e nem RSAS, sou um peixe fora do aquario, rsrsrsrsrs.

    Agora, essa dos Klingons, a nave dos Kingons…

    Isso vai me causar insonia. Estou imaginando algo tipo B-2, F-117, F-35, ou seria alguma parafernalia russa tipo PAK-FA???

    sds.

  • Ricardo Mello says:

    Roberto,

    Quanto ao A-Darter, o que for ‘de domínio publico’ eu posso repassar.

    Seguem alguns links sobre os ultimos eventos relevantes do projeto.

    http://www.engineeringnews.co.za/article/sabrazil-missile-programme-achieves-important-milestone-2009-02-22

    http://www.janes.com/events/exhibitions/idex2009/sections/daily/friday-13th-lucky-for-ada.shtml

    []‘s
    Ricardo

  • Ricardo Mello says:

    Tadeu,

    Quanto a pergunta:

    “O que voce acharia se a Boeing viesse a oferecer ao Brasil a instalacao de uma linha de montagem dos meus queridos F-18SH em Gaviao Peixoto? hehehe.”

    Seria um bom negócio no sentido de capacitar o desenvolvimento de ferramental de montagem e, eventualmente, processos de produção envolvendo os nobres materiais compostos… mas acho que para por aí.

    Imagino que ainda teríamos dificuldades em integrar armamentos ‘diferentes’ dos mísseis/bombas/pods normalmente empregados nesta aeronave. Eles teriam que, ou fazerem a integração sozinhos (cobrando por isso), ou abrirem os codigos-fonte e modelos aerodinâmicos/estruturais para que a(s) parceira(s) pudessem o fazer. Isso é complicado, em se tratando de Boeing (EUA).

    Creio que fazer a integração aqui em casa seria bom não somente para a Embraer, mas também para a Mectron/Avibras e cia ilimitada.

    Neste sentido, eu acho que seria mais vantajoso o Gripen (apesar de não achar que o avião em si seja o melhor). Em termos de máquina, acho as vespas (hornets) mais venenosas.

    Defendo parcerias com os países que ainda não estão no topo da piramide, pois parece que seria mais fácil futuras parcerias rumo ao topo. Está sendo assim com a Africa do Sul, e acho que pode ser assim com a Suécia. Os sul-africanos acabaram de voltar de uma ‘longa’ (e proveitosa, creio eu) missão de transferencia de tecnologia com a SAAB.

    []‘s
    Ricardo
    ______________

    Ricardo :

    O Brasil tem tido essa boa parceria com os sulafricanos, que compraram os Gripens suecos e integraram seus mísseis. Nós também temos tido uma boa experiência com Israel e sua Elbit.

    Resultado tecnológico > Brasil, África do Sul, Suécia e Israel. Talvez Israel nos complicasse o mercado árabe, caso nosso maior objetivo seja exportar para o mundo, mas a Índia seria bem-vinda, pois já temos uma aliança no G-3 (Índia, Brasil, África do Sul). Não se compara Índia com Israel ainda, ainda, mas eles vão chegar lá. E a Índia é uma potência militar, compra às centenas e aos US$ bilhões, ávida por parcerias sérias.

    Tecnologicamente, essa parceria seria melhor que as com os EUA/Europa e BRICs, ambas com suas nefastas complicações políticas.

    Roberto Silva

  • José Gustavo says:

    Tadeu Mendes,

    Acredito que espaço para criatividade é um escritório de projetos top (tipo skunk works) há por aqui. O único problema é se a classe política vai se conscientizar a este ponto.

    Hoje já há um embrião da mudança, daqui a uns poucos anos veremos se o caminho não foi desviado por outros interesses, ou desinteresses.

    O que vejo mesmo é que, apesar de tudo, o país está dando alguns saltos interessantes neste meio. Quanto à DARPA, a Atech não faz um trabalho análogo?
    sds.,

    José Gustavo

  • Rui Mac says:

    Tadeu Mendes:

    TKS companheiro.

    Trabalhei 32 anos cumprindo um RSAS. Ela aprendeu muito bem sobre o sistema em nossas conversas. Batemos altos papos sobre o assunto. O problema é minha empolgação…quero saber o que se passa e sobre o nosso futuro. Vc está certo, vou deixar a guria em paz… até o meu retorno a San José de Los Campos eh eh eh …

    Uma coisa tenho certeza…a nave dos Klingons está sendo “copiada”….
    ________________

    Rui :

    Brinca não, que você vai deixar bem mais que meia dúzia sem dormir, rsrs

    Roberto Silva

  • TADEU MENDES says:

    Roberto,

    E verdade, o Jobim tambem merece algum credito. O Jobim tem um estilo tipo tanque Panzer alemao,hehehe. Ja o Mangabeira esta mais para o estilo Stuka. rsrsrsr.

    sds.

  • TADEU MENDES says:

    Dias,

    Eu sabia que ia incomodar. rsrsrsrs.

    Agora essa de May God Bless South America, ai sim voce pegou no pesado mesmo. hehehehe.

    Voce esta incluindo nas bencaos o Chavez, o Evo, o Correa, o Lugo e a Kirchner? No way…

    Vamos fazer um acordo de cavalheiros e chegar a um meio termo: May God Bless Brasil. Ok brother?

    South America com aqueles palhacos que eu mencionei acima nao merece bencaos nao.

    A proposito, ontem eu paguei US$2.05 por cada galao de gasolina que eu pus no carro, e olha que o meu veiculo so tem 6 cilindros. Os F-22 foram recortados mas nao eliminados, os F-35 seguem de vento em popa.

    America ainda segue respirando meu amigo.

    sds.

  • Dias says:

    Tadeu,

    Respondendo:

    “Eu acho que daria sim, para termos os projetos tipo Skunk Works e uma agencia tipo DARPA no Brasil.

    Vejam bem; o dinheiro vai aparecer quando a classe politica brasileira se conscientizar da importancia que a Ciencia e Tecnologia tem, como o PILAR, para uma Defesa Nacional forte e de vanguarda.

    Todo aquele “dinheiro” la no fundo do mar, deve, de alguma forma, ser canalizado em parte, para os programas e projetos do MD, e de outros parceiros na industria da defesa.”

    Concordo plenamente que podemos desenvolver uma DARPA e começar o projeto embrionário de uma Skunk Works, mas como você disse somente com um enorme investimento governamental e sem “oscilações políticas” sobre o montante. Investimento esse também em aumentar os centros de excelencia em pesquisas nas mais diversas áreas, coisa que os EUA fazem há muito tempo.

    “Quanto aos EUA, sinto muito desaponta-lo, porque ainda e um Imperio, e vai continuar sendo Imperio por muito tempo (salvo aconteca alguma catastrofe) hehehe.

    E enquanto os EUA estiverem de pe, o mundo permanecera em ordem. So, May God Bless America.”

    Concordando novamente, mas não plenamente he he he

    Hoje os EUA desenvolveram uma dependencia vital das suas importações (principalmente do BrIC, tirando a Russia), que basicamente são commodities essenciais para a manutenção do “american way of life”, além do petróleo é claro (apesar que eles mantém reservas intactas no Alasca e litoral da Califórnia).

    Não sou um expert no assunto, mas me parece que ou o Império se renova ou estamos vendo já há algum tempo o ínicio da decadência do imperialismo americano, renovação que parece que não sabem e/ou não querem fazer, mas não duvido nada de nações como a Alemanha e EUA que sabem se reerguer das cinzas. Estive recentemente na Europa e EUA em contato com algumas empresas e posso dizer que a Alemanha e os EUA são países admiráveis em sua organização, cultura e potencial.

    Agora, voce pegou pesado no “May God Bless America”, né? he he he

    Só se for “May God Bless South America” ;-)

    Saudações,

  • TADEU MENDES says:

    Rui Mac,

    Parabenize a sua filha em meu nome. Tente entende-la; porque voce sabe que os segredos industriais sao mais sagrados do que os segredos militares.

    Deixa a menina em paz, rsrsrsrsrs.

    sds.

  • TADEU MENDES says:

    Dias,

    Eu acho que daria sim, para termos os projetos tipo Skunk Works e uma agencia tipo DARPA no Brasil.

    Vejam bem; o dinheiro vai aparecer quando a classe politica brasileira se conscientizar da importancia que a Ciencia e Tecnologia tem, como o PILAR, para uma Defesa Nacional forte e de vanguarda.

    Todo aquele “dinheiro” la no fundo do mar, deve, de alguma forma, ser canalizado em parte, para os programas e projetos do MD, e de outros parceiros na industria da defesa.

    Quanto aos EUA, sinto muito desaponta-lo, porque ainda e um Imperio, e vai continuar sendo Imperio por muito tempo (salvo aconteca alguma catastrofe) hehehe.

    E enquanto os EUA estiverem de pe, o mundo permanecera em ordem. So, May God Bless America.

    Roberto,

    Sera que voce nao poderia postar alguma materia sobre Von Clausewitz no site? Esse importante filosofo da guerra deveria ser conhecido e lido por todos os estrategistas profissionais, assim como por estrategistas freelancers como nos. hehehe.

    Tenho uma inquietude: Nos nao temos nenhuma mulher escrevendo no site. Parece ate o Clube do Bolinha.

    Aonde estao as flores para enfeitar esse jardim de espinhos que temos por aqui? rsrsrsrs.

    sds. verde oliva
    _____________

    Tadeu :

    Von Clausewitz?

    Tem que conseguir material simples e direto sobre ele.

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_von_Clausewitz

    Roberto Silva

  • Rodrigo says:

    Que marasmo…. que tal influenciarmos os políticos a pensar nisso? ao contrário, discutimos cópia de tecnologia e modelos.

    Isso não importa, o que importa são as máquinas na mão! (digo, no ar…)rsrsrs

 

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