Media : Centro de Comunicação Social da Aeronáutica 

Data : 1º/10/2008 

Aeronáutica pré-seleciona candidatos ao projeto F-X2

 

CENTRO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA AERONÁUTICA

O Comando da Aeronáutica informa que, em obediência ao cronograma de renovação da frota das aeronaves de combate da Força Aérea Brasileira – FAB, completou mais uma etapa do processo de seleção dos novos caças multi-emprego a ser incorporados ao seu acervo.

A Comissão Gerencial do Projeto F-X2 (CGPF-X2), instituída em 15 de maio de 2008, conduziu os estudos de avaliação das aeronaves pré-selecionadas (Boeing F-18E/F Super Hornet, Dassault Rafale, Eurofighter Typhoon, Lockheed Martin F-16 Adv, Saab Gripen NG e Sukhoi SU-35), de forma a elaborar uma lista reduzida (short list) nesta etapa do processo.

A concretização desta short list visou a garantir o atendimento aos requisitos operacionais para aeronave de caça multi-emprego estabelecidos pelo Estado-Maior da Aeronáutica e permitir o aprofundamento das avaliações dos sistemas de armas candidatos que foram selecionados nesta fase.

Os estudos tiveram por base as informações fornecidas pelas empresas em resposta aos pedidos de informações (do inglês Request For Information - RFI), emitidos em Junho de 2008. Os dados provenientes das empresas participantes foram avaliados de forma sistêmica, considerando aspectos referentes às áreas operacional, logística, técnica, Compensação Comercial (offset) e transferência de tecnologia para a Indústria Nacional de Defesa.

A partir de agora, na nova etapa do processo de seleção, as avaliações irão concentrar-se nas seguintes aeronaves componentes da short list (listadas aqui em ordem alfabética dos respectivos fabricantes): BOEING (F-18 E/F SUPER HORNET), DASSAULT (RAFALE) e SAAB (GRIPEN NG).

As 36 aeronaves, que integrarão o 1º lote, deverão ser entregues a partir de 2014, com expectativa de vida útil de, no mínimo, 30 anos. Assim, ao longo dos próximos anos, haverá a substituição, gradativamente, dos atuais caças Mirage 2000, F-5M e A-1M. O conjunto de conhecimentos e capacitação tecnológica adquiridos nesta aquisição irá contribuir para que o Brasil tenha condições de produzir ou participar da produção de caças de 5ª geração em um futuro de médio e longo prazo.

Por fim, o Comando da Aeronáutica ressalta que este processo representa um importante avanço para sua Indústria de Defesa com reflexos duradouros, possibilitando parcerias estratégicas de longa duração. No correr do próximo ano, deverá ser conhecido o vetor selecionado, tão logo as fases subseqüentes sejam concluídas.

Nosso Comentário :

Para nosso grande espanto, a FAB anunciou hoje que o Su-35BM Super Flanker está fora do programa FX-2, restando somente o Rafale (F3?), o F/A-18 E/F e o Gripen NG.

Por mais que essa decisão deva ser respeitada, não é possível entender como a opção mais eficaz, estratégica e econômica possa ter sido sumariamente dispensada da última fase do processo. E caiu justamente o caça preferido dos pilotos.

Poderia ser pelo fator político, envolvendo considerações da Guerra Fria entre russos e americanos? Essa hipótese sequer pode ser levada a sério, pois é medrosa. Então, que se cancele de imediato a aquisição do helicóptero russo de ataque Mil Mi-35, que tudo ficará bem mais cristalino para a atônita sociedade.

Será por considerar que a logística russa do Su-35BM será muito diferente de nossos padrões ocidentais? Ora, mas que padrões, pergunta-se? Há décadas, contamos com parcos caças de pretensa superioridade aérea e sempre risivelmente defasados em 20 anos ou mais.

O fato inegável é que o Brasil não possui defesa aérea alguma e o mundo sabe bem disso. E ainda terá que ficar assim até bem mais de 2014, quando espera receber os primeiros caças vencedores do FX-2.

Ou alguém acha que uma penca de Mirage 2000, de F-5M e de A-1M, dará conta do serviço de nossa defesa aérea hoje e por mais tantos anos? O AMX então é um pecado passar por modernização, pois é algo pior que o subprime americano. O mais grave de tudo é vermos a Venezuela planejando ter para já 150 caças do justamente Super Flanker.

Estamos perdidos de todos os lados, mais ainda com a mega-província petrolífera do Pré-Sal e a IV Frota americana às portas a qualquer evento e hora. O Brasil não tem amigos, e muito menos aliados, pois constam somente interesses. O país está só neste mundo em ebulição e cobiça.

De que adianta falar em Plano Estratégico de Defesa com a aquisição de apenas 36 caças de quarta geração com o INÍCIO de entrada em serviço no incrível ano de 2014? É para rir ou chorar?

De que adianta o governo planejar gastar mais 1 % do PIB em Custeio e Investimentos das Forças Armadas se dois dos finalistas serão passíveis de embargos políticos dos EUA, em um singelo clicar de mouse do Pentagono (casos de Super Hornet e Gripen NG)? Não esquecer jamais que eles não repassam uma vírgula de tecnologia, pelo menos aquelas que realmente contam na hora H.

Com isso, concluímos que o problema em si não vem do comando da FAB. Nossos políticos é que parecem não ter noção de que o mundo está mudando rapidamente e encontram-se atônitos e iludidos em sua ilha da fantasia, Brasília. Não vêem ameaças sequer no entorno geopolítico da América do Sul, muito pelo contrário.

Ficam pensando que, aliando-se discretamente a líderes de países como Venezuela, Equador, Bolívia e Paraguai, serão acompanhados pela sociedade brasileira. Esta está mais atenta que nunca ao que se passa e exige meios de defesa à altura do vulto de nossa soberania e independência, os quais saberá empregar contra quem for o inimigo à frente e à hora.

Roberto Silva

BRASIL !