NOVO ESTALEIRO EM ITAGUAÍ
Pela
falta absoluta
de espaço no AMRJ, na Ilha
das Cobras, somado ao enorme custo para
obtê-lo, é que
o governo brasileiro optou pela construção de um novo estaleiro de submarinos em
Itaguaí, na Baía de Sepetiba, Estado do Rio de Janeiro. No local, também
será criada a
futura base de submarinos da MB.
Nesse ESTALEIRO
ITAGUAÍ, serão construídos 4 submarinos
convencionais de 1.800 ton chamados
de SBR (Submarino Brasileiro), baseados no Marlin, movidos a óleo diesel, e
o
primeiro SNA nacional, de 6.000 ton, chamado
de SNBR (Submarino Nuclear Brasileiro).
O primeiro convencional deveria ficar
pronto em 2014 e os demais, a cada dois anos, 2016, 2018 e 2020, a um
custo unitário de US$ 600 milhões. Já o SNBR
estava previsto para entrar em operação em 2020, a
um valor estimado em cerca de US$ 1,5 bilhão.
Já com o cronograma da
Marinha, refeito em 2010, as atividades de transferência de
tecnologia e de desenvolvimento do submarino nuclear começaram
em 2010.
A construção do estaleiro e da base deve ter
início em 2011, quando também está previsto o
início da construção do primeiro Scorpène,
que deverá ficar pronto em 2015 (o último fica para
2021). A construção do
SNBR deve ser iniciada em 2016, com previsão de término
em 2022.
Com o objetivo de gerenciar
a
construção do estaleiro, dos SBRs, do SNBR e da futura
base de submarinos, a MB
ativou a Coordenadoria do Programa de Desenvolvimento de Submarino de
Propulsão Nuclear,
em setembro de 2008.
Esse conjunto será mera
parcela de um gigantesco
empreendimento de 1,5 milhão de m2 levantado pela Companhia
Docas na região, o qual reunirá diversos estaleiros.
A Odebrecht construirá o estaleiro onde os submarinos
serão montados e uma nova base naval no Porto de Sepetiba, no
Rio. O contrato entraria em vigor no segundo semestre de 2009.
O primeiro submarino será em parte feito na França, em
Cherbourg - os outros terão seus cascos montados no Brasil,
depois de manufaturados na Nuclep. A DCNS dará assistência
para o design da parte não-nuclear do submarino, a ser feita
pela joint venture, e às obras para construção do
estaleiro e da nova base de submarinos da MB.
OBRAS DO
ESTALEIRO E DA BASE
Em 2010, as obras no local estão limitadas ao primeiro movimento
de terras na Ilha da Madeira, em Itaguaí, baía de
Sepetiba, no litoral fluminense.
Ao lado das instalações da Nuclep, o braço
industrial do complexo nuclear do Brasil, o grupo Odebrecht
começará a obra da Unidade de Fabricação de
Estruturas Metálicas, UFEM. Depois virão um
avançado estaleiro e uma base de submarinos de alta
sofisticação.
As áreas envolvidas somam 980 mil metros quadrados, dos quais
750 mil m² na água. O acesso ao conjunto se dará por
um túnel escavado em rocha de 850 metros de comprimento e uma
estrada exclusiva de 1,5 quilômetro. Haverá 2
píeres de 150 metros cada um e 3 docas secas (duas cobertas) de
170 metros.
No total, serão 27 edifícios. A dragagem passa de 6
milhões de metros cúbicos. O plano da obra prevê a
geração de 700 empregos diretos. Pronta, a
instalação poderá dar apoio técnico a uma
frota de 10 submarinos, e terá capacidade para construir duas
unidades novas simultaneamente.
Um dos prédios, destinado ao procedimento de troca do reator do
navio nuclear ou do combustível, será alto, equivalente a
16 andares. Os submarinos vão circular, entrar e sair das
instalações por meios próprios, movimentando-se
por uma zona molhada com 340 mil m².
VIZINHOS EM EM ITAGUAÍ
Nessa área do ESTALEIRO
ITAGUAÍ,
encontram-se vizinhos importantes como a Nuclep, a
Base Aérea de Santa
Cruz, da FAB, o Complexo Industrial de Santa Cruz e o grande Porto de
Itaguaí.
Em 2010, deverá começar a operar a Siderúrgica do
Atlântico, na vizinha Santa Cruz. Trata-se de uma sociedade entre
a Vale e a ThyssenKrup alemã. Sua capacidade de
produção será de 5 milhões de ton de
placas de aço ao ano.
Ao seu redor, haverá um terminal portuário, uma coqueria,
e a Usina Termelétrica de
Itaguaí, uma usina térmica a carvão com
capacidade para gerar 1.250 mw. Atlântico deverá produzir
aços especiais para os novos submarinos.
A própria Marinha tem uma base de treinamento dos Fuzileiros
Navais na Ilha da Marambaia, dentro da Baía de Sepetiba.
Em termos
logísticos, existem na área a
obra do Arco Metropolitano - rodovia expressa que ligará o Rio a
São
Paulo, a duplicação da BR-101, e a ferrovia operada pela
MRS Logística.
NUCLEP
A Nuclebrás Equipamentos Pesados
S.A. - Nuclep, localizada no Brisamar de
Itaguaí, junto a Rodovia Rio-Santos, é uma empresa
estatal que vem crescendo, com atividades em novas áreas
estratégicas.
Vista da fábrica da
Nuclep de Itaguaí, junto à Rodovia Rio-Santos, que fica
no canto inferior esquerdo. A Baía de Sepetiba fica no canto
superior direito.
(Foto Nuclep)
Sua atuação
tradicional está na Área Nuclear, produzindo equipamentos
para as usinas nucleares da vizinha Angra dos Reis. Além disso, ela fabricou o
primeiro reator nuclear naval, tornando-se pioneira em nacionalizar a
tecnologia para fabricar e montar vasos de pressão com
especificações nucleares.
Na área de pesquisa
nuclear, a Nuclep vem participando do Projeto
IRIS de Empresas, Laboratórios e Universidades de 10
países, que
tem como objetivo projetar um reator nuclear de quarta
geração.
(Arte do corte longitudinal do
gerador - Nuclep
Nuclear)
Além da Nuclear, 3
novas áreas vêm se destacando, principalmente em termos de
construção naval, e que serão vitais para a nova
fase do AMRJ. São elas as Áreas Não-Nuclear, Off-Shore, e de Motores de Navios
de grande porte.
A Área
Não-Nuclear produziu desde 1993 os cascos resistentes
para os submarinos Tamoio, Tapajó,
Timbira e Tikuna da Marinha
Brasileira.
A Área Não-Nuclear vem
ainda se destacando em
diversos segmentos industriais com equipamentos de grande porte, como as indústrias petrolífera,
petroquímica, química, siderúrgica, naval, de
mineração, de papel e celulose, entre outras.
Ressalte-se a produção de uma câmara hiperbárica para
o Cenpes - Petrobras, cuja aplicação principal é
no sistema de exploração e de produção de
petróleo em águas profundas.
A Área de Off-Shore da Nuclep construiu desde
2005 os módulos estruturais do casco da Plataforma P-51 da
Petrobras, cuja tecnologia de fabricação foi totalmente
desenvolvida pelo corpo técnico da Empresa.
Construção de
blocos para a Plataforma
P-51 da Petrobras na Nuclep
(Foto Nuclep Off-Shore)
Também em 2005, a Nuclep firmou
acordo de licenciamento com a Wärtsilä Switzerland Ltd. para sua Área de Motores de Navios fabricar motores de dois tempos de
última geração para propulsão naval,
destinados a navios de grande porte, tipos Suezmax, Aframax e Panamax.
Construção de
motor de navio de grande porte na Nuclep.
(Foto Nuclep Motores)
O interessante aqui é saber que
a Wärtsilä está empenhada em
soluções para projetos de construção naval
para marinhas de guerra de diversos países (pdf), como no caso dos geradores
a diesel dos futuros NAes de 65.000 ton (CVF) e dos Destróieres Type 45 da
Royal Navy.
Seus trabalhos têm se destacado em embarcações
complexas como Navios-Aeródromos, submarinos, navios
anfíbios, navios de combate e de suporte, além de
navios-patrulha.
Um hélice de navio
produzido pela Wärtsilä
Switzerland.
(Foto Wärtsilä)
VÍDEO
- WARTSILA (05:15 MIN)
PORTO DE
ITAGUAÍ
O Porto de
Itaguaí será o primeiro Porto Concentrador de
Cargas (Hub Port) do Atlântico Sul. Ele possui uma retroárea de 10
milhões de m2 de área plana, um canal de acesso com
até 20 m de profundidade e cais de acostagem em águas
abrigadas.
O Porto conta com
infra-estrutura
logística industrial e tecnologia em
telecomunicações e suprimento, acessos multimodais e
facilidades de transportes. Em
um raio de pouco mais de 500 km,
estão situados os agentes produtivos responsáveis pela
formação de
cerca de 70 % do PIB brasileiro.
É um porto singular entre os portos brasileiros e
latino-americanos.
Com características físicas competitivas, o Porto de
Itaguaí tem acesso
marítimo para
receber navios de grande porte e de última geração
acima de 6.000 TEUs.
Há 4 terminais em operação, que são os de
Granéis Sólidos (com especialização em
Minério de Ferro), de Carvão, de Conteineres e de
Alumina.
Resta ainda concluir o aprofundamento do canal de acesso, o
aparelhamento do Terminal de Conteineres e o estabelecimento de
rotas globais de navegação intermodal.
Seu administrador, a Companhia
Docas do Rio de Janeiro, deverá implantar ainda um novo terminal
de granéis líquidos, o qual funcionará em
mão dupla, servindo tanto para a importação, como
de produtos químicos, quanto para a exportação de
álcool e biodiesel, entre outros produtos.
Em outubro de 2008, os governos federal e estadual anunciaram a
construção de 2 novos estaleiros no Porto de
Itaguaí, com uma área total de 2 milhões de m2,
para atender à marinha mercante e à iniciativa privada.
Resta saber quais serão as exatas localizações do
Estaleiro DCNS-Odebrecht e da futura Base de Submarinos da MB.
FONTES & LINKS
Nuclep