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Força Aérea Brasileira  -  FAB

Meios Disponíveis e Futuros


A EMBRAER 

NOVOS PROJETOS


 
EMB 190 Rollout

Apresentação do EMBRAER EMB-190.
(Foto Divulgação Embraer)

INTRODUÇÃO


A brasileira EMBRAER é hoje a 3ª maior fabricante de aviões comerciais do mundo, só perdendo para as gigantescas americana BOEING e européia AIRBUS.


Em 2006, houve uma reestruturação societária da Embraer, que a faz ser a primeira grande empresa brasileira a ter seu controle acionário pulverizado. Seu capital social aumentou em R$ 3,8 bilhões, com a emissão de 576,3 milhões de ações ordinárias nominativas.


A Companhia passou a ser listada no Novo Mercado, o nível mais alto de governança corporativa da BOVESPA. Para que isso fosse possível, seu capital social passou a ser representado exclusivamente por ações ordinárias, dando direito de voto para os seus mais de 25 mil acionistas.


Com essa grande mudança societária e com o nível de encomendas anuais alcançadas, a EMBRAER vislumbra agora a oportunidade única de vir a apresentar novos projetos em diferentes áreas do concorrido mercado da aviação mundial.


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PROJETOS ANTERIORES


Diversos projetos da Embraer foram engavetados em governos anteriores por falta de planejamento de Estado, além da recorrente falta de maturidade de nossos governantes. Essa fase será lembrada como sendo dos projetos esquecidos e do tempo perdido.


Como exemplo, existe um projeto simbólico da Embraer, que ainda hoje resta esquecido no tempo. Colocamos o "AX" aqui para lembrarmos que se o governo tivesse apostado nele, a precária situação da Defesa Aérea de hoje poderia ser muito mais confortável e estaríamos na ponta.


O "AX" representava o conceito operacional MFT/LF, ou Caça Treinador Moderno / Caça Leve (Modern Fighter Trainer / Light Fighter). Ele teria sido um reprojeto otimizado em cima da célula do AM-X, resultando em uma aeronave que pudesse cumprir as funções de caça (a primeira arte abaixo, a que ele aparece como monoposto e com armamento) e de treinamento (a segunda, em que ele aparece como biposto), à semelhança do que foi feito com o F-5 caça e o T-38 treinador.



MFT/LF

Projeto MFT/LF da Embraer. Aqui aparece como
caça, sendo monoposto e com armamento.

(Arte Embraer)



Apesar das asas serem diferentes - sem geometria variável - dá para notar a influência do Tornado no design da fuselagem.


Mais leve, muito mais barato e com configuração que lhe permitisse operar em Mach em torno de 1,5 ou 1,7, este caça seria fabricado em grandes quantidades para realmente cobrir as necessidades territoriais brasileiras.


O MFT/LF seria o caça que supriria as nossas necessidades durante a transição dos Mirage-III e F-5BR para o que teria sido escolhido no F-X original, e que teria nos capacitado a desenvolver os nossos caças de 4ª Geração.


Nos idos de 1988 já se compreendia que, com uma aeronaves importada vinha, também a dependência do suprimento, da assistência técnica e da informação. Somente com fabricação própria, o Brasil poderia alcançar a quantidade de aeronaves da qual necessitava para a Defesa.



MFT/LF

Projeto MFT/LF da Embraer. Aqui aparece
como de treinamento, um biposto.
(Arte Embraer)


O Brigadeiro Engenheiro Luiz Thomaz Carrilho Teixeira Gomes escreveu o artigo "Por que lançar o Projeto MFT/LF?", publicado na Revista da UNIFA de 31 de julho de 1988 (Vol. IV Nº 5, pg. 21 a 25 - 12,2 Mb em pdf).


Ali, ele advertia que comprando treinadores de segunda geração feitos no exterior, o Brasil estaria repetindo a história e se condicionando a adquirir mais tarde, também no exterior, os treinadores de terceira geração, enquanto os vendedores projetariam os de quarta geração com o ganho dessas encomendas.


Podemos dizer o mesmo para a questão de caças em que o Brasil se encontra até hoje, perseguindo tecnologias em seus eternos FX e FX-2.



Especificações Técnicas Resumidas do EMBRAER "AX" :

Características: monoplano, asa alta, monoplace, monorreator.
Motor: Turbofan Rolls-Royce/Snecma M45H com 3.500 kg de empuxo.

Largura (Span):.......................................8,70 m
Comprimento (Length):...................................11,25 m
Altura (Height):....................................4,03 m
Área da asa (Wing area):...............................16,75 m²
Velocidade Máxima (Max. speed):.............................1.600 km/h 


Poucos sabem que o nosso MFT/LF ganhou asas no mundo, e foi até modernizado.  Os chineses materializaram este projeto com o L-15, embora este lembre mais um MiG, com um toque de Yak-130 ou M-346.



(Clique na foto abaixo para ampliação)

L-15 da China

O treinador L-15 chinês.
(Foto em CNAIR)


Isso nos faz lembrar o caso do CBA-123 na Índia. Podemos ainda falar sobre o C-295 da EADS-CASA, antigo projeto da Embraer, do qual o governo Sarney cortou as verbas. Trata-se do Embraer EMB-500, o Amazonas.



EMB-500

O EMB-500 da Embraer, o Amazonas.
(Arte JR Lucariny)



É comentado até hoje que os enormes trens de pouso do Amazonas teriam sido encomendados, fabricados, e importados. Com o tempo, devem ter virado sucata e alguns podem ter sido enviados para o museu da companhia.


Em conversa informal, o Professor Paulo Lindgren disse que teria sido adquirido pela Embraer todo um  lote de 40 a 50 conjuntos completos de trens de pouso: esquerdo, direito e de nariz.  Seria um lote mínimo de fabricação e compra, enquanto não havia tecnologia para fabricá-los no Brasil.





NOVOS PROJETOS


Quase todos os projetos abaixo mencionados são apenas conjecturas do DEFESA BR, não tendo havido qualquer tipo de informação da companhia e de seus colaboradores, internos e externos.


A exceção seria a volta dos turboélices, pois desde o início de 2008 a Embraer vem dando sinais de que pretende voltar a atuar com eles em novas soluções na guerra mundial contra o inevitável aumento no preço dos barris de petróleo.


Fora isso, entre muitos possíveis projetos em estudo e em andamento na Embraer, haveria uma nova família de aeronaves comerciais entre 134 e 186 lugares, uma nova família de aeronaves de Inteligência e Guerra Eletrônica com a plataforma do EMB-190, e até um moderno cargueiro militar tático no nível do C-130 ou um pouco acima.


Este último - o KC-390 - cargueiro para concorrer com o C-130, foi o primeiro projeto confirmado pela companhia, meses depois de aqui listado no DEFESA BR, embora com óbvias diferenças, pois era mera suposição.




AERONAVES COMERCIAIS



ERJ-145 TURBOÉLICE



Em setembro de 2008, foi noticiado que a Embraer estaria avaliando a produção da plataforma ERJ-145 em sua fábrica na China, em uma versão turboélice. A idéia é dispor de uma aeronave mais econômica em tempos de permanente crise nas cotações do petróleo.


Esse turboélice de 50 assentos empregará um futuro motor da Rolls Royce que promete ser de 20 a 50 % mais econômico, dependendo do elenco de combustíveis com os quais poderá operar. Os combustíveis mais econômicos tendem a ser também os menos poluentes.


A tecnologia de propulsão turboélice foi abandonada pela empresa desde o fim da produção do venerável Brasília EMB-123. Mas ela acredita que esse segmento do mercado esteja em ascensão, sendo estimada a demanda de mais de 1 mil aparelhos até 2018.


Seus consumidores estariam mais preocupados com aspectos como baixo custo, pontualidade, segurança e seu uso se daria em vôos de curta duração.


Por outro lado, suas possíveis aplicações militares (vide o R 99 abaixo) seriam bem mais econômicas, fato que atrairia uma plêiade de compradores, começando pela FAB.



R 99 A

Embraer EMB-145 SA R 99 A na Amazônia.
(Foto Embraer)



Em sintonia com o desenvolvimento de versões militares do KC-390, poderia haver versões menores e mais econômicas baseadas nessa nova plataforma turboélice do ERJ-145, que seriam baseadas em um hipotético cargueiro modelo C-345, mais leve.


Seriam soluções conjugadas que se adaptariam a qualquer nível econômico-financeiro de clientes potenciais. A idéia seria que a Embraer desenvolvesse várias versões operacionais dos C-345 e KC-390 e ainda com opções de motorização, a jato ou turboélice.


FAMÍLIA 230 / 250


Haveria hoje na EMBRAER um projeto para uma família de aeronaves comerciais entre 134 e 186 lugares.



FAMÍLIA EMBRAER 230/250
CAPACIDADE MÁXIMA
DE ASSENTOS



MODELO ASSENTOS
230-100
134
230-200
148
250-100
164
250-200
186



Essas aeronaves custariam a partir de US$ 45 a US$ 50 milhões, indo até US$ 75 milhões, conforme o modelo.


Os protótipos estariam prontos até 2010 e as entregas das primeiras aeronaves poderiam ocorrer por volta de 2012. Assim, a Embraer poderia estar 4 anos à frente da Airbus antes de sair um substituto para o A-320.


Em dezembro de 2008, a revista Air International noticiou que a Embraer estaria avaliando o projeto de uma nova família de jatos comerciais que competiriam no disputado nicho de mercado de Airbus e Boeing, para aviões entre 120 e 200 passageiros. Foi dito ainda que a empresa estaria buscando um parceiro internacional.


Mesmo com a informação sendo sempre desmentida pela Embraer, chama a atenção que diversos meios de comunicação venham dizendo que tal projeto possa existir.




OPINIÃO SOBRE A FAMÍLIA 230 / 250


O ex-presidente da Embraer, Maurício Botelho, fez a importante menção de ser temeroso incomodar as 2 grandes - Boeing e Airbus - no mercado de 150 assentos, o que é uma grande verdade que ninguém desconhece.


Entretanto, um dia a Embraer que ainda não era nada, chegou ao mercado internacional, incomodou a Bombardier, apanhou muito da rival canadense, venceu com muito esforço e hoje já está em um nível pouco acima da rival, quem diria ?


Tudo bem que concorrer com os 2 monstros mundiais é temeroso, mas sobrexistem ainda os sonhos que tornaram essa empresa brasileira um gigante, com certeza. E as fantásticas vendas anunciadas em Le Bourget 2007 demonstram que a companhia já está alcançando tal status mundial.


Por um lado, se há esses 2 grandes concorrentes, em um patamar ainda acima, por outro lado, está vindo no horizonte em vôo a baixa altitude uma turma nervosa de empreendedores com novos modelos na faixa da presente família Embraer-190/195.


À frente deles virá a Bombardier, mas seguida de perto por franceses combinados com russos, e até mesmo pelos hoje fortes chineses. Eles não irão se satisfazer tomando apenas a atual fatia de mercado da Embraer. Certamente, alguns sonham ir muito mais longe, até mesmo em grupo.


Ora, então o único caminho da Embraer só poderá ser para a frente e para cima, e a melhor forma de conseguir isso será formatar um esplêndido projeto de nova família, como acima demonstrado, para captar grandes capitais de risco brasileiros, americanos, europeus e japoneses, com a competência e eficácia a que o mundo já se habituou e aguarda.


Assim, nem Boeing nem Airbus teriam mais o fator do nacionalismo para protegê-las em seus nichos de mercado, com suas famílias antigas de aeronaves, que somente poderão ser substituídas a partir de 2012.


Entrando antes no mercado de 150 assentos e acima, a Embraer poderá estar simplesmente fechando a porta para os demais concorrentes por muito anos e conquistando uma fatia por demais interessante.

 



INTELIGÊNCIA E GUERRA ELETRÔNICA


Haveria uma nova família de aeronaves de Inteligência e Guerra Eletrônica com a plataforma do EMB-190, o que significaria poder levar mais, melhores e mais potentes sensores a bordo, e com maior autonomia de vôo.
 

Em julho de 2005, o Comando da Aeronáutica encomendou à Embraer um estudo sobre a possibilidade de desenvolvimento de um novo avião de patrulhamento marítimo baseado nos jatos Embraer 190 e 195, para substituir a frota de P-3C Orion, atualmente em fase de modernização.


Em vez de substituir os P-3C, o novo avião poderá complementar a frota a partir de 2012. O primeiro P-3C modernizado será entregue à FAB em agosto de 2008 e o último em 2010. O contrato de modernização está avaliado em US$ 298,7 milhões.



EMB 145 AEW&C  

EMB 145 AEW&C da EMBRAER.

(Arte Divulgação Embraer)



Os estudos iniciais para o desenvolvimento da nova aeronave de patrulha estão sendo coordenados pelo Estado Maior da Aeronáutica que, junto com a Embraer, criará um grupo de trabalho encarregado de elaborar as especificações técnicas necessárias.


As aeronaves da nova família poderão ser desenvolvidas com a finalidade de exercerem elevado nível de proteção e vigilância aérea e terrestre, além do patrulhamento marítimo. Serão os R e P 195, uma n
ova família de aeronaves de Inteligência e Guerra Eletrônica, baseados na família do EMB-190/195.


Na época em que a FAB decidiu modernizar a frota de P-3 usados, que adquiriu da Força Aérea dos Estados Unidos, a Embraer ofereceu o modelo P 99, baseado na plataforma do jato ERJ 145, como uma alternativa para as missões de patrulha marítima.


O modelo já é utilizado pela Aeronáutica no projeto SIVAM, em missões de vigilância terrestre e sensoriamento remoto. A proposta da Embraer só não foi aceita porque o modelo P 99 não atendia os requisitos definidos.



Em 2 de agosto de 2004, o US Army escolhera a plataforma do ERJ 145 para seu projeto de avião espião ACS (2) (Aerial Common Sensor). Esse moderno sistema aéreo de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (ISR) seria integrado pela americana Lockheed Martin.


As aeronaves ACS teriam uma variedade de sensores para detectar, identificar, localizar, rastrear e rapidamente disseminar dados para aviões de combate e vetorar UAVs.


Em julho de 2005, o ERJ 145 foi descartado do processo ACS, alegadamente, devido ao excessivo aumento de peso de novos sistemas a serem incorporados. Pouco depois, o próprio programa perdeu o sentido, vindo a ser extinto em janeiro de 2006. Em março de 2007, o assunto reapareceu na imprensa mundial de forma ainda vaga.



P 99

Aeronave de Patrulhamento Marítimo P 99 com
capacidade de
Guerra Anti-Superfície (ASuW)
e Anti-Submarino (ASW)
.
(Foto Divulgação Embraer)



Em abril de 2007, foi aventado que a Embraer estaria estudando com a FAB militarizar o EMB-190 para além de uma família de aeronaves de Inteligência e Guerra Eletrônica, aumentando sua capacidade de carga e posicionando-o no mercado com novas linhas.


Elas iriam desde
um cargueiro militar tático e um REVO MTTR-190 (ver abaixo), indo até um RS-190, um AWAC&C-190, e mesmo um ASW/ASuW-190, até uma versão mais avançada de sensoriamento remoto (sucedendo o R 99 B).




CARGUEIROS MILITARES


Em abril de 2009, finalmente, o KC-390 foi confirmado pelo governo brasileiro, o que fez com que passasse a contar com uma página exclusiva no DEFESA BR.


Este futuro Cargueiro Militar Tático se juntará ao também futuro Cargueiro Militar Estratégico - este na linha dos supercargueiros, e deverão constituir a futura espinha dorsal dos cargueiros da Força Aérea Brasileira.




FONTES & LINKS


JR Lucariny - Projetos da Embraer

Revista UNIFA Nº 5 (pdf de 12,2 Mb)

Blog Defesa BR :

       Governo Banca Cargueiro da Embraer

n

       Os Projetos Esquecidos da Embraer e o Tempo Perdido